A Terapia Nutricional Enteral (TNE) é um conjunto de procedimentos terapêuticos empregados para a manutenção da recuperação do estado nutricional por meio da Nutrição Enteral (NE). Esta consiste, segundo a Anvisa, em alimentos para fins especiais, com a ingestão controlada de nutrientes, na forma isolada ou combinada, de composição definida ou estimada, especialmente formulada e elaborada para uso por sondas ou via oral, industrializada ou não, utilizada exclusiva ou parcialmente para substituir ou complementar a alimentação oral em pacientes desnutridos ou não, conforme suas necessidades nutricionais, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando a síntese ou manutenção dos tecidos, órgãos e sistemas.
Tanto a TNE como a Terapia Nutricional Parenteral (TNP) permitem atingir as necessidades proteico-calóricas e as necessidades mínimas diárias de vitaminas e minerais. Sempre que o trato gastrointestinal estiver estrutural e funcionalmente integro, prefere-se usar a TNE. Quando não se consegue alcançar 60% das necessidades calóricas por TNE, deve-se considerar o uso associado de TNP.
Indicações da TNE
A TNE é indicada nas situações em que o trato
digestivo estiver total ou parcialmente funcional, quando a ingestão oral for insuficiente
para atingir 2/3 a 3/4 das necessidades nutricionais diárias, e na condição de
desnutrição. As principais indicações para uso são:
– Câncer: pacientes que
apresentem disfagia e/ou ingestão alimentar inferior a 60% de suas necessidades
calóricas por 5 dias consecutivos.
– Geriatria: pacientes com
disfagia neurológica grave; idosos com depressão na fase de hiporexia e alguns pacientes
com demência.
– Perioperatório:
pacientes no pré-operatório, com grave risco nutricional; no pós-operatório, em
pacientes submetidos a cirurgias do trato gastrointestinal e oncológicas de
cabeça e pescoço, com trauma grave, com desnutrição evidente no momento da
cirurgia e àqueles aos quais a ingestão oral será insuficiente para atingir
gasto energético basal por mais de 10 dias.
– Cardiopatias: pacientes com
caquexia cardíaca com pesa de 6% do seu peso corporal em 6 meses.
– Doença de Crohn e retocolite ulcerativa
Contraindicações da TNE
Na maioria das vezes, são relativas ou temporárias. As contraindicações
mais comuns são: obstrução do trato gastrointestinal; diarreia e vômitos
refratários na terapia medicamentosa; síndrome do intestino curto com
disabsorção grave; íleo paralítico grave; fístula intestinais de alto débito;
sangramento maciço gastrointestinal; síndrome da má absorção grave;
incapacidade de acessar o trato gastrointestinal.
- Vias de Acesso Enteral
Após a indicação da TNE como via de
alimentação, deve ser estimado o tempo pelo qual a TNE será necessária para,
então, proceder com a escolha da melhor via de acesso.
A TNE a curto prazo (menos de 6
semanas) é realizada utilizando sondas nasoenterais (em posição gástrica,
duodenal ou jejunal). O uso de sondas nasoenterais por períodos prolongados
está associado a complicações infecciosas aerodigestivas. Para TNE a longo prazo
(mais do que 6 semanas), prefere-se estomias de nutrição, gástrica ou jejunal.
Após a escolha de sonda nasoenteral ou ostomia, deve-se decidir se a extremidade distal da sonda permanecerá em posição gástrica ou intestinal. O acesso gástrico pode ser obtido om sonda nasogástrica ou gastrostomia, e o pós-pilórico, através de sonda nasojejunal, jejunostomia ou gastrojejunostomia. Alguns critérios utilizados para determinar o posicionamento da sonda nasoenteral incluem a velocidade de esvaziamento gástrico, gastroparesia, uso de medicamentos inibidores de motilidade gástrica e digestiva e risco de aspiração pulmonar.
Métodos de Administração da NE
Os métodos possíveis de
administração da NE são:
– Alimentação continua – pode ser
administrada através do gotejamento gravitacional ou por bomba de infusão.
Apresenta menor risco de aspiração no jejuno e sua administração deve ser de 25
a 125ml/hora, por 24 horas no jejuno, duodeno ou estômago, interrompida a cada
6 a 8 horas para irrigação da sonda enteral com 20 a 30ml de água potável.
– Alimentação intermitente – pode ser administrada na forma de bolo ou gravitacional. Na forma de bolo, é injetado com seringa, 100 a 300ml de dieta, no estômago, a cada 3 a 6 horas, pelo menos durante 2 a 6 minutos. Na forma gravitacional, o volume injetado deve ser de 100 a 300ml por gotejamento a cada 4 e 6 horas. Ambas são precedidas em seguida por irrigação da sonda enteral com 20 a 30ml de água potável.
Considerações Finais
Os nutrientes são mais bem
aproveitados quando administrados pela via enteral do que pela parenteral. Isso
porque as porções do trato gastrointestinal e o fígado metabolizam os
nutrientes antes de atingir a circulação. Assim, as dietas enterais auxiliam no tratamento dos pacientes
graves, quando o trato gastrointestinal se encontra funcionante, sendo
indispensáveis para a manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas. Elas
podem ser administradas através de diversos modos e preparada de forma industrial
ou artesanal. Sua composição pode variar, conforme as necessidades nutricionais
do paciente. Porém, os usos das dietas enterais não são isentos de riscos e
podem acarretar complicações mecânicas gastrointestinais, infecciosas, pulmonares
e otorrinolaringológica. Dentre os principais efeitos colaterais destacam-se: diarreia
e a pneumonia aspirativa.