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Diagnóstico de Gravidez: Fisiologia da Gestação e mais!

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Confira um artigo completo que falamos sobre o Diagnóstico de Gravidez para esclarecer todas as suas dúvidas. Ao final, confira alguns materiais educativos para complementar ainda mais os seus estudos.

Boa leitura!

Diagnóstico de Gravidez: fisiologia da gestação

O ciclo menstrual é dividido em duas fases principais: fase folicular e fase lútea. No final da fase folicular, ocorre a ovulação, processo no qual o oócito secundário do folículo ovarino é liberado e captado pelas fímbrias tubárias para ser transportado ao infundíbulo da tuba uterina. Este transporte da trompa em direção ao útero leva, em média, de três a quatro dias.

A fertilização do óvulo por um espermatozoide ocorre na ampola da tuba uterina e evita a degeneração do corpo lúteo. Iremos abordar as etapas da fecundação com maiores detalhes no curso de embriologia.

A gonadotrofina coriônica humana (hCG), produzida pelas células trofoblásticas do embrião, inibe a luteólise, mantendo o corpo lúteo funcionante. O corpo lúteo, por sua vez, sintetiza a progesterona, responsável pela manutenção da gestação nas primeiras 8 semanas.

No final do período embrionário, o corpo lúteo atinge seu pico de vascularização e suas células apresentam-se hiperplasiadas e hipertrofiadas. Após 8 semanas de gestação, a placenta assume a produção de progesterona e o decaimento na produção de hCG leva a involução do corpo lúteo.

A placenta produz esteroides em grande quantidade, tendo inúmeras e importantes funções para o desenvolvimento da gestação e adaptação do organismo materno ao concepto. As funções da progesterona e do estrógeno placentário podem ser observadas na tabela abaixo.

Progesterona placentária
Estrógenos fetoplacentários
Facilita a implantação
Aumentam o fluxo sanguíneo uteroplacentário
Mantém a quiescência do endométrio
Estimulam a formação da prolactina hipofisária, bloqueiam a ação da mesma nos receptores mamários e inibem a lactogênese durante a gestação
Estimula o crescimento das glândulas mamárias
Estimulam a hipertrofia e hiperplasia do miométrio e sua atividade contrátil
Aumenta a ventilação pulmonar materna
Estimulam a força contrátil do miocárdio, promovendo aumento do débito cardíaco com o avanço da gestação
Promove o relaxamento da musculatura lisa das vias urinária, digestória e biliar
Estimulam a despolimerização dos mucopolissacarídeos no tecido intersticial, induzindo a retenção líquida e a embebição gravídica.
Aumenta a excreção tubular de sódio
Colaboram para o aumento da atividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona
 
Atuam nos hepatócitos estimulando a produção de proteínas transportadoras de hormônios.

Tabela: Funções da progesterona placentária e dos estrógenos fetoplacentários. Fonte: ZUGAIB, Marcelo. Obstetrícia. Editora Manole, 2016.

Os níveis dos hormônios esteroides e da hCG variam no decorrer da gestação e levam a uma série de alterações no organismo materno, que serão discutidas mais adiante.

Variação dos níveis dos três hormônios durante a gravidez.

Imagem: Variação dos níveis dos três hormônios durante a gravidez. As setas verticais mais largas representam maior quantidade relativa do hormônio liberado. Fonte: https://bit.ly/3702iGI.

Diagnóstico de Gravidez: Adaptações do organismo à gestação

O organismo feminino sofre mudanças anatômicas e funcionais durante a gestação, adaptando-se para a presença do feto em desenvolvimento. A seguir, iremos abordar as principais alterações fisiológicas divididas nos principais sistemas:

Sistema Circulatório

O volume sanguíneo materno aumenta consideravelmente durante a gestação, atingindo valores 30 a 50% maiores do que os níveis pré-gestacionais. A hipervolemia no organismo materno está relacionada com a necessidade de suprimento sanguíneo nos órgãos pélvicos, principalmente no território uterino, cuja vascularização encontra-se aumentada na gestação.

Há também um aumento na concentração das células vermelhas em cerca de 30%, estabelecendo um estado de hemodiluição, uma vez que o aumento não acompanha o aumento do volume sanguíneo total. Dessa forma, há uma diminuição da viscosidade plasmática, diminuindo também o trabalho cardíaco.

O sistema renina-angiotensina-aldosterona tem maior atividade na gestação para suplantar a ação dos mecanismos excretores, como o aumento da filtração glomerular e do peptídeo atrial natriurético.

A concentração de hemoglobina está levemente diminuída durante a gestação (“anemia fisiológica”) devido a hemodiluição e, por isso, valores de hemoglobina até 11g/dl são aceitos. Em relação aos glóbulos brancos, a leucocitose pode estar presente na gravidez normal, com valores de leucócitos totais entre 5.000 e 14.000/mm³. Durante o parto e o puerpério imediato, os valores de leucócitos podem chegar a 29.000/mm³, possivelmente relacionados à atividade das adrenais no momento de estresse.

Os níveis plaquetários estão discretamente reduzidos na gravidez normal, em parte devido a hemodiluição, e em parte relacionado ao consumo de plaquetas e a coagulação intravascular no leito uteroplacentário. Considera-se plaquetopenia na gestação uma contagem de plaquetas inferior ou igual a 100.000/mm³. A contagem de plaquetas volta a aumentar logo depois do parto e atinge valores basais após 4 semanas, aproximadamente.

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