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Desmistificando o Kit Covid | Colunistas

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Prefácio

 Durante a pandemia do novo coronavírus muito tem se falado da ivermectina, cloroquina e azitromicina, esses medicamentos estão sendo vendidos como “kit covid” em larga escala para o combate do vírus, mesmo que a ciência mostre categoricamente que tais fármacos são ineficientes para isso.

Compreensivelmente, diante de todo contexto do coronavírus seria muito conveniente ter em nossas mãos um remédio eficaz que elimine a doença. Todavia, é importante ressaltar: até agora não temos um tratamento medicamentoso comprovado, que tenha caráter preventivo ou cure o covid-19.

 A partir dos fatos colocados, no Brasil, acontecem situações que ignoram os resultados mostrados pela ciência, por exemplo, muitos profissionais da saúde receitam o chamado kit covid para a população, além do medicamento ser de fácil acesso nas farmácias. Tal situação faz muitas pessoas duvidarem da verdade, a ponto de usarem os medicamentos de maneira errada ou desnecessária. Portanto, esse material tem por objetivo esclarecer e mostrar qual a possível consequência do uso dos medicamentos do kit covid (ivermectina, cloroquina, azitromicina entre outros), que continuam sendo comercializados em larga escala para sociedade.

Tratamento precoce para quem?

A Ivermectina é um dos medicamentos colocados como uma forma de tratamento precoce da covid-19, ela é bastante eficaz para combater alguns vermes e parasitas, mas não tem eficácia contra a covid . O interesse de usar ivermectina como tratamento teve por motivação um estudo feito em laboratório, no qual cultivou células infectadas com SARS-CoV-2 e posteriormente colocou uma dose de  ivermectina, isso fez com que reduzisse a produção de RNA viral, porém as concentrações utilizadas foram tão altas que são improváveis de serem obtidas em humanos num cenário clinicamente seguro.

Importante ressaltar que os resultados obtidos em laboratório (in vitro) não é um pressuposto de ter os mesmos  resultados em humanos, por isso é feito estudos randomizados com voluntários.

Uma análise feita pelo Centro de Estudos em Infectologia Pediátrica de Cali escolheu voluntários, em relação ao perfil dos indivíduos:  homens adultos e mulheres adultas não grávidas. Essas pessoas tinham sintomas leves de COVID 19  a menos de 7 dias, cujo perfil da doença se define como estar em casa ou hospitalizado, mas não recebendo oxigênio nasal de alto fluxo ou ventilação mecânica (invasiva ou não invasiva). Os indivíduos eram excluídos se estivessem assintomáticos, apresentassem pneumonia grave, recebido ivermectina nos 5 dias anteriores ou se fosse identificado alguma disfunção hepática. Os candidatos aptos para a pesquisa foram  orientados a tomar o medicamento com o estômago vazio.

Foi separado dois grupos: Em um grupo era administrada dosagens orais de ivermectina e o segundo com placebo, que tinha propriedades organolépticas parecidas com as da ivermectina. Os frascos eram idênticos para garantir menos interferência nos resultados.

Fontes retiradas do site oficial da revista médica JAMA https://jamanetwork.com

O tempo de resposta aos sintomas nas pessoas que foram administrados ivermectina vs placebo não foi muito diferente. Percentualmente, nos grupos de ivermectina e placebo, a resolução dos sintomas ficou em 82% e 79%. Por isso, claramente esse estudo não obteve algum resultado que mostrasse a eficiência da ivermectina em medidas clínicas a nível de tratamento de COVID-19.

Hidroxicloroquina e lopinavir-ritonavir: O que aconteceu para tais medicamentos perderem a credibilidade no combate ao vírus?

De fato, já foi alegado em laboratório que a hidroxicloroquina tinha atividade contra SARS-CoV-2 através de mecanismos que envolvem mudanças na composição de receptores de enzimas que convertem a angiotensina 2 em angiotensina 1-7 ( angiotensina: são grupos de peptídeos envolvidos na pressão arterial e volume de líquido extracelular) . Do mesmo modo, um inibidor  do HIV tipo 1,conhecido como  lopinavir-ritonavir, tem atividade inibitória in vitro contra SARS-CoV. Esses exemplos de medicamentos têm sido amplamente utilizados na pandemia, e agora há evidências de que não desempenham um papel terapêutico na doença avançada. O que aconteceu para tais medicamentos perderem a credibilidade no combate ao vírus?

Com o intuito de avaliar a eficácia da hidroxicloroquina e lopinavir-ritonavir para prevenir a progressão do COVID-19 na hospitalização por SARS-CoV-2, foi conduzido  um ensaio clínico randomizado no Brasil.

O ensaio envolvia participantes  que relataram início dos sintomas há menos de 8 dias, alguns apresentavam também tomografia computadorizada (TC) de tórax indicando COVID-19. Os critérios  excludentes foi o uso de qualquer um dos medicamentos do estudo 30 dias antes da triagem, saturação arterial de oxigênio menor que 94,  uso de suporte ventilatório não invasivo com pressão positiva, histórico de arritmias cardíacas com risco de vida, síndrome do QT longo ( doença genética caracterizada por um prolongamento anormal de uma medida do eletrocardiograma denominada intervalo QT) ou alergia aos medicamentos em estudo.

O estudo não encontrou diferenças relevantes entre hidroxicloroquina e lopinavir-ritonavir com o placebo, mostrando que não existe um benefício significativo quando usado em hospitalizações associadas a COVID-19.

Fontes retiradas do site oficial da revista médica JAMA https://jamanetwork.com

A azitromicina seguiu um padrão parecido com o da ivermectina e a hidroxicloroquina, sendo os testes randomizados  uma confirmação de que os medicamentos do kit covid não surtem efeitos significativos, ou ao menos seguro para o tratamento clínico de COVID-19. A evidência mais recente foi das revistas médicas The Lancet e a  Medxiv, as duas evidências mostram que o antibiótico não fez diferença alguma na recuperação dos voluntários em geral.

Importante destacar que o uso dos medicamentos interfere no tratamento das pessoas que  realmente precisam, muitos pacientes com lúpus se encontram numa situação delicada  ao ter dificuldade em encontrar a cloroquina, já que o medicamento foi tão vendido que o abastecimento do fármaco não acompanhou a falta de senso coletivo.

Afinal, porque muitos profissionais da saúde receitam os medicamentos do kit covid?

“Defendemos de forma árdua essa questão da precocidade da ação na fase inicial da doença (…) já temos casos de pacientes bem sucedidos e durante o protocolo nenhum paciente precisou de internamento.”

-Jorge Santos , médico alergista, em entrevista ao portal medicina&saúde

Mesmo que exista médicos que querem o banimento desse tratamento, a autonomia médica é algo bastante defendido por entidades de saúde do Brasil, a autonomia do médico  é um elemento que dá a esse profissional a ação de receitar  a medicação ou tratamento sem comprovação científica. Contudo, ainda que exista o código da autonomia para acobertar os médicos que defendem o kit covid e tais profissionais ainda ressaltem: “tenho resultados positivos com o uso do tratamento precoce” , os resultados obtidos pela ciência está acima dos clínicos, não só por envolver uma gama maior de testes de randomização, existe a questão de completar todas as fases e ensaios que garantem estatisticamente a menor possibilidade do estudo científico está errado, cabe ao indivíduo saber em quem colocar a credibilidade. Dito isso, não seria surpreendente que a quantidade de medicamentos usados no tratamento precoce cause uma sobrecarga hepática, sintoma muito frequente em pacientes que usaram o kit covid, chegando muitas vezes ter uma internação por hepatite medicamentosa. De fato, os passos para a vacina chegar a todos os brasileiros é algo que vai levar tempo e requisitar paciência da sociedade, mas a vacinação é, hoje,  a melhor forma de tratamento para a COVID-19.

Autor: Dinamercio Baracho

instagram: @baracho__


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


REFERÊNCIAS

Universidade e Medicina Johns Hopkins. Centro de Recursos do Coronavirus. 10 de setembro de 2020. Acessado em 19 de novembro de 2020. coronavirus.jhu.edu

Chan JF, Yao Y, Yeung ML, et al. O tratamento com lopinavir / ritonavir ou interferon-β1b melhora o resultado da infecção por MERS-CoV em um modelo de primata não humano de sagui comum.   J Infect Dis . 2015; 212 (12): 1904-1913.

jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2779044?resultClick=1

medrxiv.org/content/10.1101/2020.12.10.20245944v1

segurancadopaciente.com.br/opiniao/autonomia-medica-nao-e-absoluta/

medscape.com/today

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