A geração de resíduos é um
dos grandes problemas urbanos, que a sociedade contemporânea enfrenta; pois o
consumo desenfreado tem gerado diversas externalidades que o capitalismo não
consegue resolver. O lixo hospitalar é um lixo que traz uma carga de
componentes tóxicos que devem ser observados no momento do descarte, vez que
trazem muitos prejuízos à saúde pública e ao meio ambiente.
O lixo hospitalar é composto
por medicamentos, restos humanos (partes de órgãos), seringas contaminadas,
material para higienização de ferimentos, antibióticos, sangue contaminado e
outros materiais potencialmente infectantes.
Tais componentes podem
trazer riscos para o meio ambiente e para aqueles que entram em contato com
esses resíduos, principalmente quando o descarte destes não é realizado de
forma adequada.
A falta de informação e
treinamento dos profissionais nas unidades geradoras de resíduos hospitalares,
quanto da segregação incorreta de tais resíduos, é um grande problema, pois
implica na potencialização de riscos direto à saúde de diversos profissionais e
pacientes daquela unidade, e quando deslocados para o ambiente externo, podem
causar problemas ambientais e torna-se também fator exponencial de risco à
saúde da população residente próxima à área de destinação final dos resíduos.
Dessa forma, o descarte
deste lixo deve ser feito de maneira responsável; pois evitará a contaminação
do ser humano e também a contaminação do meio ambiente: se descartado sem o
prévio tratamento, em contato com o solo poderá contaminar o solo, os lençóis
freáticos, as águas superficiais, as plantações de alimentos e, ainda, o
próprio ar. E não se sabe, ainda, quanto tempo esse lixo demora para se
decompor naturalmente.Segue a baixo algumas dicas de como gerenciar esses
resíduos.
Dica
1: Conheça a fundo os resíduos hospitalares
O primeiro passo para o
gerenciamento correto dos resíduos hospitalares é conhecer a natureza deles. Em
2018, a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA), instituiu a Resolução
RDC n.º 222, para o gerenciamento e econtrole
sanitário dos serviços de saúde.
A partir daí, os resíduos
hospitalares foram divididos nos seguintes grupos:
- Grupo
A: resíduos potencialmente infectantes, com agentes
biológicos que apresentem risco de infecção. Ex: bolsa de sangue
contaminada; - Grupo
B: resíduos químicos, aqueles que contêm substâncias
químicas capazes de causar doenças ou contaminação ao meio ambiente,
independente de suas características inflamáveis, de corrosividade,
reatividade e toxicidade. Ex: medicamentos para tratamento de câncer,
reagentes para laboratório e substâncias para revelação de filmes de
raio-x; - Grupo
C: resíduos radioativos, aqueles com
radioatividade em carga acima do padrão e sem condições de reuso. Ex:
exames de Medicina Nuclear; - Grupo
D: resíduos comuns, qualquer sobra que não tenha sido
contaminada ou possa provocar acidentes. Ex: gesso, luvas, gazes,
materiais passíveis de reciclagem e papéis; - Grupo
E: resíduos perfuro-cortantes, composto por objetos e
instrumentos que possam furar ou cortar. Ex: lâminas, bisturis, agulhas e
ampolas de vidro.
Dica
2: Siga a legislação ambiental
Uma segunda dica importante
é se inteirar e aplicar as normas sobre a geração e o tratamento dos resíduos
hospitalares.
As transportadoras e
tratadoras devem seguir premissas no manejo do lixo hospitalar para evitar
riscos à saúde humana e à natureza. Entre as medidas necessárias para o
gerenciamento correto desses resíduos estão:
- promover a redução da carga biológica
dos resíduos, de acordo com os padrões exigidos: eliminação do bacillus stearothermophilus no caso de
esterilização, e do bacillus subtyllis, no caso de
desinfecção; - atender aos padrões estabelecidos pelo
órgão de controle ambiental do estado para emissões dos efluentes líquidos e gasosos; - descaracterizar os resíduos.
Além da ANVISA, o Conselho Nacional do
Meio Ambiente (CONOMA), é outro órgão que define regras
para os resíduos hospitalares. Por meio da Resolução CONAMA nº
237/97, as empresas necessitam ter Licenciamento
Ambiental para gerenciar o lixo hospitalar. Para entrar em
atividade, devem possuir a licença de operação (LO) e os documentos de
monitoramento ambiental previstos no licenciamento.
Dica
3: Saiba como gerenciar resíduos hospitalares
Uma terceira medida
importante é conhecer as etapas
do gerenciamento de resíduos hospitalares. Em todas elas, é
preciso muito critério para que os resíduos tenham um encaminhamento
seguro. Entre as principais fases do gerenciamento, estão:
- acondicionamento: é a etapa em que os
resíduos, ainda nas geradoras, são armazenados em contentores ou sacos,
destinados a cada tipo de material. Os sacos de acondicionamento devem ser
resistentes à ruptura e vazamento, impermeável, respeitando os limites de
peso. É proibido o seu esvaziamento ou reaproveitamento; - coleta: é a fase desde a partida do
veículo que irátransportar o resíduo até a chegada aos
locais de destinação. Sendo assim, compreende todo o trajeto entre a
remoção dos resíduos das áreas onde foram acondicionados até os pontos de
descarga. Podem ser aterros sanitários, usinas de reciclagem,
de incineração, e outros; - triagem: é a etapa que corresponde à
separação dos resíduos hospitalares; - tratamento: é a fase em que são
aplicados métodos ou tecnologias para reciclar ou dar destino final a
esses resíduos.
Dica
4: Escolha o melhor tratamento
Uma quarta orientação diz respeito ao tipo de tratamento que deve ser empregado. Isso está diretamente ligado às características de cada grupo de resíduos hospitalares, conforme o quadro abaixo:
