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DESAFIO: Coarctação da aorta

DESAFIO-CARDIOLOGIA-PB

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LIGA ACADÊMICA DE CARDIOLOGIA DA PARAÍBA (CARDIOLIGA-PB)

Autora: Byanka Eduarda Silva de Arruda

Orientador: Ivson Cartaxo Braga

Instituição: Faculdade de Medicina Nova Esperança (FAMENE)

“Pés gelados”

Na UPA Oceania, durante o plantão noturno da experiente médica Dra. Cristiane Torres, chega uma mãe com seu bebê, sexo masculino, 10 dias de vida, naturais de João Pessoa-PB, apresentando perda acentuada de peso, cansaço durante a amamentação, mãos e pés gelados, sudorese cefálica e palidez, mostrando-se sintomas característicos de disfunção cardiovascular.

Durante a anamnese foi constatado que o parto aconteceu no hospital maternidade da cidade, onde nenhum problema foi registrado pelos médicos responsáveis pelo procedimento o que depois foi visto que não foi realizada a aferição de pulso e PA adequadamente após o nascimento, pois relataram que a criança era “gordinha”, assim, deixando esse detalhe do exame físico passar despercebido e o bebê receber alta.

No exame físico de extremidades inferiores a PA e o pulso estavam diminuídos, pele fria, confirmando uma hipoperfusão tecidual. Nos membros superiores verificou-se uma leve hipertensão com pulso fraco. No exame precordial foi verificada hiperfonese da 2ª bulha nas áreas aórtica e mitral, estalido proto-sistólico aórtico, principalmente na área mitral; sopro ocupando a meso-telessístole e avançando até a proto-mesodiástole na região do dorso esquerdo.

Assim, com suspeita do diagnóstico de coarctação da aorta (CoAo), foi solicitado pela Dra. Torres um Raio-X de tórax e ECG. A radiografia de tórax mostra a coarctação como uma sombra, no mediastino esquerdo superior na aorta torácica proximal bem ao lado da artéria subclávia esquerda e antes da abertura do ducto arterioso.

O tamanho do coração é normal, pois ainda não se desenvolveu uma insuficiência cardíaca. No ECG, evidenciou-se uma sobrecarga ventricular direita discreta. Ao final, o lactente foi encaminhado para a equipe cirúrgica do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, onde foi feita uma aortoplastia trapezoidal.

  1. Qual
    a alternativa para a equipe presente no parto da criança para aferir
    corretamente o seu pulso arterial?

Apalpar os pulsos femorais, devido a camada de tecido adiposo não permitir a verificação adequada dos pulsos pediosos. Assim, ele não teria saído da maternidade sem o diagnóstico de CoAo.

2. O que explica os achados no exame físico do precordio?

Hiperfonese da 2ª
bulha nas áreas aórtica e mitral => tradução de regime de hipertensão no
território sistêmico.

Estalido
proto-sistólico aórtico, principalmente na área mitral => dilatação da aorta
ascendente.

Sopro ocupando a meso-telessístole e avançando até a proto-mesodiástole na região do dorso esquerdo => turbulência no local da CoAo.

3. O que sugere o achado no ECG? Qual a sua particularidade nesse caso?

Hipertrofia ventricular direita. Normalmente, são encontradas em pessoas mais velhas a hipertrofia ventricular esquerda, porém, em RNs e lactentes existe a maior possibilidade de se encontrar uma discreta hipertrofia ventricular direita.

4. Qual nome do sinal encontrado na radiografia nesses casos?
Qual o exame capaz de confirmar com precisão a coarctação da aorta?

O sinal do “3 invertido”.  O diagnóstico é sugerido por exame clínico (incluindo medidas das pressões arteriais em todos os membros), complementado por radiografia de tórax e ECG e confirmado pelo ecocardiograma bidimensional com Doppler colorido ou, em pacientes mais velhos com uma janela ecocardiográfica subótima, tomografia computadorizada ou ressonância magnética angiográfica.

5. O que é uma aortoplastia trapezoidal?

A aortoplastia trapezoidal é uma variante técnica da anastomose término-terminal que tem o objetivo de aumentar o diâmetro da aorta ao nível da sutura reduzida e, por conseguinte, a manutenção de gradientes pressóricos residuais ou recorrentes indesejáveis a curto e a longo prazo.

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