Anúncio

Dengue: como identificar, manejar e prevenir essa endemia no âmbito da atenção primária à saúde

texto sobre dengue

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

A dengue é uma doença febril infecciosa, caracterizada como uma arbovirose tropical, Atualmente os casos são endêmicos na América Latina, África e parte da Ásia.

Causas da dengue

A dengue é causada pelos vírus DEN-1. DEN-2, DEN-3 e DEN-4 e ela é transmitida a partir da picada da fêmea infectada dos mosquitos do gênero Aedes, em especial a espécie Aedes aegypti.

O mosquito transmissor precisa de água parada para se proliferar. Por isso, o período do ano em que se ocorre o maior número de casos da infecção são os meses chuvosos de cada região (normalmente o período de verão).

Além disso, os ovos do mosquito são de extrema resistência. Isso porque que podem sobreviver por um ano até encontrar as condições adequadas para seu melhor desenvolvimento.

Como ocorre a infecção?

O vírus, após infectar o homem, circula em seu sangue durante 2 a 7 dias e se nesse período esse paciente for picado por outro mosquito. Esse se torna um novo vetor, daí o motivo de muitos pacientes adoecerem no mesmo domicílio em períodos de tempo próximo.

Todos os tipos de dengue causam os mesmos sintomas clássicos e após o indivíduo ser contaminado por um dos vírus ele se torna imune àquele por toda vida. Logo, outro quadro de dengue decorre da infecção por outro vírus da família.

É válido ressaltar também, que devido a essa exposição exacerbada, quanto mais quadros de dengue uma pessoa tiver (mais contaminações por subtipos diferentes) maior e a chance dele desenvolver um quadro de dengue hemorrágica.

A dengue hemorrágica é resultado de uma reação exagerada do organismo humano àquele vírus, logo quanto mais exposto o organismo encontra-se maiores são as chances de hemorragias e complicações graves.

Tipos mais comuns

Os tipos mais comuns de dengue no brasil são o 2 e o 3.

DEN-3 é o mais comum nos últimos 15 anos. Ele apresenta uma maior virulência, o que resulta em quadro mais graves do que os demais.

O que fazer diante de uma suspeita de dengue?

Deve-se suspeitar de dengue em todo paciente com doença febril por até sete dias acompanhada de mais outros sintomas, tais como:

  • cefaleia,
  • dor retro-orbitária,
  • exantema,
  • artralgia e
  • mialgia,

Nesses pacientes deve-se, inicialmente, abordar as características da febre(tempo, valores, duração, intensidade). Investigar a presença ou ausência de sinais de alerta e orientar sobre repouso e hidratação oral.

Sinais de alerta

Os sinais de alerta são:

  • Vômito persistente,
  • Dor abdominal (moderada ou intensa, sangramento de mucosa,
  • Hipotensão postural,
  • Acúmulo de líquido em cavidade abdominal ou torácica,
  • Letargia,
  • Aumento do Ht (hematócrito) e
  • Hepatomegalia.

Exame físico

Deve ser direcionado para a avaliação de possível quadro hemorrágico, alterações no nível de consciência (Escala de Glasgow) e alterações hemodinâmicas.

Deve-se dar devida importância aos sinais vitais. Além de avaliação de enchimento capilar e turgor da pele.

Diagnóstico

O diagnóstico da dengue é clínico-epidemiológico-laboratorial:

Dentre os exames laboratoriais, os mais indicados para complementarem os achados clínicos e epidemiológicos. Pode-se realizar até o 5 dia de doença o PCR (reação em cadeia da polimerase). Após esse período de tempo deve-se optar pela pesquisa de anticorpos, em especial o IgM.

A conduta deve ser estabelecida a partir do quadro da doença. O Ministério da Saúde do Brasil dividido em 4 grandes grupos A, B, C e D. Sendo o A o mais brando e o D o mais crítico. O manejo deve ser realizado da maneira mais precoce possível, seguindo a risca os protocolos estabelecidos.

Fonte: Fluxograma de Classificação de Risco da dengue – Tratado de Medicina de Família e Comunidade: Princípios, Formação e Prática.

Prevenção da dengue

Na década de 90 o Ministério da Saúde, junto a órgãos estaduais e municipais, implantou, em território nacional, o Plano de Erradicação do Aedes aegypti (PEAa).

No qual os Agentes Comunitários de saúde (ACS), os Agentes de Endemias (ACE) e a população uniam forças para conseguir controlar o vetor, isso ocorreria a partir de ações de educação em saúde de como combater o mosquito, visita dos ACSs e dos ACEs as moradias do território e implementação de técnicas de controle mecânica, biologia e química.

Controle mecânico

Consiste na:

  • eliminação dos criadouros,
  • redução do contato do vetor com o homem;
  • destruição dos focos de água parada,
  • drenagem de reservatórios,
  • instalação de telas de metal em janelas e portas.

Essas medidas visam impedir que o mosquito infecte o ser humano, seja mantendo-o afastado, seja afetando sua reprodução.

Controle químico

Consiste no uso de produtos químicos para matar as larvas ou os insetos adultos, os mais usados são:

  • inseticidas (adulticidas ou larvicidas),
  • análogos de hormônio juvenil e
  • inibidores da síntese de quitina.

Vacinação

A primeira vacina da dengue, foi aprovada no Brasil em dezembro de 2015, produzida pela farmacêutica Sanofi Pasteur.

Dengvaxia previne infecções contra os quatro sorotipos virais tendo eficácia contra a infecção  de aproximadamente 65%, em casos de dengue hemorrágica.

Uma eficácia de mais de 93% e na redução do número de internações uma eficácia superior a 80%. Por motivos burocráticos ela ainda não está amplamente difundida pelo país e inclusa no Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Controle Biológico

O controle biológico consiste na aplicação da cadeia alimentar em uma pequena escala. Isso porque faz uso de predadores do vetor para reduzir a sua população. Por exemplo os peixes que alimentam-se das larvas do mosquito e são usados em alguns ambientes para controle populacional.

Ademais, a engenharia genética pode ser um caminho para o controle da população de mosquitos. Uma vez que alterações em alguns genes de mosquitos machos aumentando a competição por parceiras para a reprodução dos mosquitos naturais mas sem gerar prole viável.

Segundo a empresa responsável, Oxitec “A linhagem foi produzida mediante a inserção de um gene autolimitante no genoma de uma cepa selvagem de A. aegypti.

O gene inserido produz uma proteína chamada tTAV (não tóxica ou alergênica) e um marcador fluorescente (DsRed2), com a função de identificar os indivíduos geneticamente modificados.

A proteína tTAV é produzida em grandes quantidades na fase de larva, fazendo com que o sistema celular responsável pelo seu desenvolvimento entre em colapso.”

Busca ativa

A busca ativa consiste na busca por casos que possam estar ocorrendo mas que, contudo, não estão sendo registrados nos serviços.

Basicamente, o ACS percorre as casas da sua microárea indagando sobre sinais e sintomas da doença em que se buscam os casos.

No exemplo da dengue, questiona-se pessoas com febre a mais de 7 dias e a partir disso realiza-se o contato do paciente com o serviço de saúde.

Conclusão

A dengue é uma doença instaurada no Brasil a séculos, sua chegada nos leva aos tempos coloniais. O caminho para a mitigação dessa moléstia é árduo.

Faz-se necessário um trabalho conjunto entre os governos, estaduais, municipais e o federal. Atrelado às equipes de saúde e a sociedade civil como um todo para que as medidas de profilaxia ao vetor da dengue sejam implementadas e cumpridas com sucesso, sendo possível, se não a erradicação dessa doença, seu controle para números de casos baixíssimos.

Sugestão de leitura


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

1) Gusso G, Lopes JMC, Dias LC. Tratado de Medicina de Família e Comunidade: Princípios, Formação e Prática. (2nd edição).

2) Mosquito modificado geneticamente é nova arma de combate ao Aedes – www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/30525791/mosquito-modificado-geneticamente-e-nova-arma-de-combate-ao-aedes

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

Não vá embora ainda!

Temos conteúdos 100% gratuitos para você!

🎁 Minicursos com certificado + e-books

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀