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Déficit Cognitivo Pós-Covid | Colunistas

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Introdução 

Sexta feira a noite, focado nos estudos para as provas do módulo na faculdade, esforçando-se para conseguir entender aquele assunto, bate aquela fome e para o jantar você entra no aplicativo do celular e pede uma refeição. Agora imagine a seguinte continuação desta história: você termina de fazer o pedido, vai até o entregador e realiza o pagamento, mas depois não consegue lembrar de ter comido a refeição.

Parece uma situação hipotética, mas é uma realidade vivida por uma porcentagem considerável das pessoas após se recuperarem do quadro de Sars-Cov-2. Esse quadro de déficit cognitivo, representado desde uma dor de cabeça, memória fraca até uma dificuldade de concentração, faz parte de sequelas que, por muitos, tem sido conhecida como Covid-19 longa ou Síndrome pós-covid.

Covid-19 longa e suas consequências cognitivas   

A covid pode deixar sequelas como problemas de memória

Muitos pacientes que foram infectados por alguma cepa do novo coronavírus vêm relatando sinais e sintomas mesmo após meses de se recuperarem da doença. Um estudo realizado pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor) procurou avaliar as consequências cognitivas que a doença pode deixar no indivíduo. 

Esse estudo foi realizado através do uso de um jogo chamado “Digital MentalPlus” para avaliação e reabilitação da função cognitiva após a remissão dos sintomas e se junta a outros 200 ao redor do mundo que busca avaliar os impactos neurológicos diretos e indiretos. 

Entre os principais sintomas observados a longo prazo, entre todos esses estudos, destacam-se a persistência de quadros de dor de cabeça, perda de olfato, tontura, problemas de memória, dificuldade de atenção, dores musculares, ansiedade e depressão. O estudo da InCor, de forma estatística, identificou problemas de memória de curto prazo em 63% dos pacientes com covid-19 e dificuldades de atenção em 72% deles. Ainda permanece obscuro se há a possibilidade de uma sequela permanente ou se é algo somente transitório.

Como o coronavírus invadiria o cérebro?

Imunoflorescência mostra Sars-Cov-2 (amarelo) afetando um neurônio (rosa)

A etiologia dessas queixas neuropsiquiátricos, além de serem complexas e multifatoriais, não há um consenso na literatura ainda. 

Mas analisando publicações desde o início da pandemia, em 2020, podemos realizar um corte temporal e analisar especificamente o mês de fevereiro e o mês de dezembro, para tentar entender um pouco de como o novo coronavírus afetaria o cérebro humano. 

Inicialmente, cientistas da cidade de Whuan – China, primeiro epicentro da pandemia, analisaram pouco mais de 200 pacientes entre janeiro e fevereiro de 2020, e conseguiram perceber que 37% dos avaliados apresentavam impactos neurológicos após a remissão dos sintomas (doença vascular cerebral aguda, alterações do estado de consciência e miopatia) e a grande maioria era representada por mulheres, cerca de 59%. Mas sem conseguir, ainda, explicar alguma forma de como o vírus venceria a barreira hematoencefálica. 

Em dezembro de 2020, na Alemanha, foi publicada uma pesquisa feita na Universidade de Berlim onde foram analisadas 33 amostras de vítimas de covid, todos apresentando a forma grave de apresentação da doença, e relacionaram a infecção da mucosa olfatória como possível porta de entrada para o vírus cruzar a interface neural-mucosa e alcançar o sistema neurológico. Segundo os mesmos pesquisadores, essa invasão poderia explicar sintomas neurológicos mais diretos em pacientes com covid-19, como a anosmia e a disgeusia. Além disso, a presença do coronavírus em áreas do cérebro com funções vitais pode ter outro impacto mais grave: agravar a dificuldade de respiração.

Como esse quadro explicaria as alterações neuropsiquiátricas? 

Ao chegar ao cérebro, o vírus mira dois pilares do sistema nervoso: os neurônios e os astrócitos. Em resumo, os primeiros são responsáveis por transmitir impulsos nervosos e os segundos, por abastecê-los de energia.

Uma importante descoberta é que o sistema chave fechadura que facilita a entrada do vírus na célula não é realizada somente pela Enzima Conversora de Angiotensina 2 (ECA2), mas também, de forma alternativa, seria realizado pela Neuropilina-1 (NRP1) que é expresso em neurônios olfatórios, dando à Sars-CoV-2 um caminho direto para entrar nessas células e interromper o olfato. Após vencer a barreira e entrar no sistema nervoso, o vírus altera a função dos astrócitos, roubando sua energia e possibilitando um ambiente tóxico e que pode ser uma justificativa para os quadros cognitivos apresentados pelos pacientes.

Impacto na memória  

Ressonância magnética mostra alterações na estrutura do córtex cerebral; em amarelo, a redução na espessura cortical; em azul, o aumento da espessura

A fisiopatologia exata, no entanto, não está estabelecida, mas há evidências fortes e respaldadas por estudos ao redor do mundo. Uma delas seria que as mudanças duradouras no cérebro após problemas graves de saúde, onde entraria o Sars-Cov-2, são associadas ao aumento do risco de declínio cognitivo com o avanço da idade e também de demências conhecidas, a exemplo da Doença de Parkinson. Essas transformações no cérebro podem afetar a memória tanto por danificar a conexão entre os neurônios quanto por mudanças no funcionamento neuronal, como exposto anteriormente em relação aos problemas da “transmissão de energia” dos astrócitos para os neurônios.

Outra justificativa seria pela mudança estrutural do cérebro decorrente da morte neuronal provocada pelos astrócitos e que pode levar a uma mudança na espessura do córtex cerebral, região responsável pela fala, memória, compreensão da linguagem, visuopercepção, entre outras tarefas.

Conclusão 

O impacto da covid-19 em nossa saúde é muito maior do que somente os danos pulmonares, apesar de ser uma doença respiratória, o vírus acomete muito o sistema vascular e como o cérebro é rico em vasos, fica mais fácil perceber a relação entre a doença e os quadros neuropsiquiátricos apresentados. Mesmo os mecanismos não estando totalmente claros ainda, o que podemos afirmar nesse momento é que de fato, ocorrem prejuízos sociais e de saúde a longo prazo, mesmo após os pacientes terem se recuperado do quadro agudo, principalmente quando há diversos relatos de alterações neurológicas que são corroboradas com esse potencial invasor neuronal cada vez mais reconhecido do vírus SARS-CoV-2. Questões provocadas pelo Déficit Cognitivo, como as alterações visuoperceptivas, desordens mentais, dificuldade de concentração e perda de memória recente podem interferir no trabalho e nas relações sociais e, com isso, levar à depressão, ansiedade, angústia e agressividade.

No mais, é sabido que quanto mais a gravidade do caso, maior a probabilidade de desenvolver algum tipo de sequela, e uma boa notícia é que com exercícios específicos, o quadro pode ser revertido, o próprio jogo digital MentalPlus usado pela InCor vem contribuindo aos participantes na recuperação, o que se mostra excelente para proporcionar uma melhor qualidade de vida aos pacientes novamente.

Por: Vinícius Sussuarana Rocha, discente do curso de medicina 

Instagram: @vsussuaranar_


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências 

https://www.sanarmed.com/80-dos-recuperados-de-covid-19-tiveram-sequelas-cognitivas-diz-incor

http://www.sinapse.pt/files/section/e60_s61_defeito_cognitivo_e_covid_19_file.pdf

http://www.incor.usp.br/sites/incor2013/docs/2021_Fevereiro_Estudo_Mental_Plus.pdf

https://www.bbc.com/portuguese/geral-56337032

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-02/covid-19-deixa-disfuncoes-cognitivas-em-80-dos-pacientes-diz-estudo?amp

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