Com a finalidade de estadiar a pancreatite aguda (PA) e, consequentemente, predizer a sua mortalidade, os critérios de Balthazar foram introduzidos na prática médica por volta do ano de 1985 e têm na tomografia computadorizada (TC) a sua fonte de dados.
O que avalia?
Os critérios de Balthazar estabelecem um escore de gravidade da PA definida por achados tomográficos que incluem a presença de inflamação pancreática e peripancreática, além das coleções líquidas, possibilitando a estratificação da PA em cinco graus, de A a E. Inicialmente, a avaliação era feita sem o uso de contraste, porém foi percebido um significativo prejuízo no que tange às estimativas prognósticas, visto que na ausência do contraste não era possível detectar a necrose pancreática, considerada como um importante achado na evolução da doença. A partir de então, a introdução do contraste endovenoso passou a ser preconizada nesse tipo de exame, possibilitando estimar a extensão da necrose pancreática para, subsequentemente, classificá-la quanto a sua porcentagem, sendo estimada de zero a mais de 50% de víscera acometida. Desse modo, é possível afirmar que a análise da inflamação e das coleções líquidas, juntamente com a estimativa de necrose pancreática – facilitadas pela TC contrastada – estadiam a PA segundo Balthazar.
Como é realizada a pontuação?
Inflamação e Coleções
- Grau A (0 pontos): pâncreas com aspecto normal;
- Grau B (1 ponto): pâncreas aumentado de forma difusa;
- Grau C (2 pontos): inflamação pancreática ou anomalias peripancreáticas;
- Grau D (3 pontos): presença de coleção líquida única mal definida;
- Grau E (4 pontos): presença de duas ou mais coleções mal definidas.
Necrose
- Zero (0 pontos): pâncreas livre de necrose;
- < 30% de necrose (2 pontos);
- 30 – 50% de necrose (4 pontos);
- > 50% da víscera acometida (6 pontos).
Somatório: escore final
O escore final é estimado a partir do somatório dos achados inflamatórios + necróticos determinando a gravidade do quadro e possibilitando a classificação da PA em formas leve (0 a 3 pontos), moderada (4 a 6 pontos) e grave (7 a 10 pontos). Quando falamos em morbidade, os indivíduos que possuem escore com somatório ≥ 7 (grave) já apresentam morbidade maior que 90%, com importante risco de complicações locais – como a trombose da veia esplênica, pseudoaneurismas e abscessos – e sistêmicas, com falha persistente de múltiplos órgãos e choque.

Conclusão
Apesar de grande parcela dos indivíduos com pancreatite aguda evoluírem de forma favorável, é de suma importância que todos sejam avaliados individualmente quanto a sua gravidade por meio dos escores clínicos, dentre eles o acima elucidado – critérios de Balthazar. A partir dos avanços no conhecimento científico acerca da pancreatite aguda, aliado à evolução dos exames de imagem, os critérios de Balthazar tornaram-se importante ferramenta na condução desse tipo de quadro. Capacitado para estadiar e prever a gravidade clínica, o escore auxilia e norteia a tomada de decisão do profissional de saúde à frente do caso, tendo como fim a diminuição da morbimortalidade por meio da detecção precoce daqueles que possuem a probabilidade de ter um desfecho desfavorável.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
- ARMANDO, Huilcapi Chillogalli Edwin. Critérios de Balthazar, son más eficaces en el diagnóstico inicial o en clasificar la severidad de la pancreatitis aguda?. 2015. Trabajo práctico del examen complexivo previo a la obtención del título de médico (Medicina) – Universidad Técnica de Machala, [S. l.], 2015.
- DE REVISÃO, Artigo; DE, Alexandre; FERREIRA, Figueiredo; et al. ABCD Arq Bras Cir Dig FATORES PREDITIVOS DE GRAVIDADE DA PANCREATITE AGUDA: QUAIS E QUANDO UTILIZAR? v. 28, n. 3, p. 207–211, 2015.
- GUIMARÃES-FILHO, Marco Antonio C; MAYA, Maria Cristina A; LEAL, Paulo Roberto F; et al. Pancreatite aguda: etiologia, apresentação clínica e tratamento. Pancreatite aguda: etiologia, apresentação clínica e tratamento, v. 8, n. 1, p. 61–69, 2009.
- SANARMED – https://www.sanarmed.com/dica-de-gastroenterologia-criterios-de-balthazar