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Crise suicida: revisão atualizada da etiologia e manejo do paciente.

Crise Suicida

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A crise suicida faz parte de uma das etapas do comportamento suicida. O suicido atualmente pode ser representado como todo ato pelo qual um indivíduo causa lesão a si mesmo, qualquer seja o grau de intenção letal e de conhecimento do verdadeiro motivo desse ato.

O comportamento suicida não necessariamente busca especificamente a morte como um desaparecimento real do mundo, mas muitas vezes é uma tentativa de resolver conflitos e sofrimentos nos quais a existência se encontra, de libertar-se de uma ausência intolerável; a morte seria apenas uma consequência infortuna.

Epidemiologia

O suicídio figura entre as três principais causas de morte de pessoas que tem 15 a 44 anos de idade. Segundo registros da Organização Mundial de Saúde (OMS), ele é responsável anualmente por um milhão de óbitos (o que corresponde a 1,4% do total de mortes). Essas cifras não incluem as tentativas de suicídio, que são 10-20 vezes mais frequentes que o suicídio em si.

No Brasil, a taxa geral de mortalidade por suicídio, em 2012, foi de 5,3/100 mil habitantes. O total de suicídios no país entre os anos 2002 e 2012, passou de 7.726 para 10.321, representando um aumento de 33,6%, superando o crescimento da população do país no mesmo período, que foi de 11,1%.

Etiologia

O método de preferência para cometer suicídio no mundo é a ingestão de substâncias tóxicas, preferencialmente pesticidas e herbicidas. No Brasil, os métodos de suicídio mais utilizados são: enforcamento (47,2%), armas de fogo (18,7%) e envenenamento (14,3%). Quando o envenenamento foi o método de suicídio utilizado, 41,5% cometeram suicídio usando pesticidas e 18%usando medicamentos.

Classificação comportamento suicida

Ao analisar o suicídio, deve-se pensa-lo como uma consequência final de um leque maior de situações que põem em risco a vida, considerando-as como comportamentos suicidas. Ou seja, não se deve dar atenção apenas para o ato suicida em si, no sentido final da morte provocada intencionalmente, mas todos os fatores que precedem aquele ato: ideações e os desejos suicidas, assim como os comportamentos suicidas sem resultado de morte iminente, como por exemplo, o etilismo crônico grave.

Ideação suicida

É compreendida como pensamentos, crenças, imagens, vozes ou qualquer outra cognição mencionada pelo indivíduo que se refere a acabar com a própria vida.

Planejamento suicida

Já o planejamento suicida acontece no momento em que o indivíduo, já possuindo ideação, planeja detalhes para a realização do ato, como o método a ser usado, local, melhor horário e, em alguns casos, escrever um bilhete de despedida.

Tentativa de suicídio

A tentativa de suicídio é definida por comportamentos auto agressivos não fatais, que podem deixar sequelas, graves ou não.

Suicídio consumado

Por fim, o suicídio consumado se caracteriza pelo conjunto intencionalidade-planejamento-ato, podendo se configurar também por meio de comportamentos altamente danosos, que resultam na morte.

Fatores de risco

Deve-se buscar, em uma boa anamnese, identificar os diversos fatores de risco que envolvem a crise suicida e que geram sentimentos de desesperança no indivíduo, uma vez que o fenômeno do suicídio é multicausal, envolvendo fatores ambientais, psicológicos culturais, biológicos e políticos.

Fatores de risco
Tentativa de suicídio prévia
Doença psiquiátrica (principalmente depressão)
Alcoolismo e abuso de drogas
Sexo masculino
Desemprego
Dor crônica, cirurgia recente, doença terminal
Abuso e outros eventos adversos na infância
Histórico familiar de suicídio
Ser solteiro, viúvo ou separado
Isolamento social
Alta hospitalar recente
Fatores de risco para o suicídio

Avaliação do risco de suicídio

A avaliação do risco suicida requer que uma série de informações (geralmente resumidas sob as denominações de fatores de risco e fatores de proteção) seja ponderada com a experiência e a intuição do entrevistador. Não há uma formula simples nem escalas que possam estimar com precisão o risco de suicídio. No entanto, é importante lembrar que informações epidemiológicas – ou o fato de um paciente pertencer a um grupo de risco – são apenas parte do que se deve considerar na estimativa de risco.

Além de conhecer os principais fatores de risco, faz-se necessário ficar atento aos sinais de alerta dados pelos pacientes, tais como comportamentos de despedida (cartas de despedida, pagar todas as dívidas, dividir os bens com os familiares), falar que tem vontade de “dormir para sempre” ou “sumir”, aquisição de armas, investimentos financeiros que beneficiem a família com a própria morte, entre outros.

Por fim, a avaliação simultânea dos fatores de risco, da gravidade da ideação/planejamento e intencionalidade suicida e da periculosidade de uma possível tentativa, relacionada ao grau de letalidade dos meios à disposição do paciente (por exemplo: medicações, venenos, armas de fogo), assim como do grau de acessibilidade do paciente a esses meios, pode ajudar o médico a ter uma estimativa rápida do risco suicida com base em elementos simples.

Manejo do paciente

Pacientes com ideação/planejamento suicida devem sempre ser encaminhados para reavaliação e seguimento em serviços de saúde mental. Pacientes com risco suicida considerado baixo podem ser encaminhados para seguimento em serviços extra hospitalares, mas é fundamental que seja garantida a admissão rápida no serviço, com possibilidade de consultas frequentes e disponibilidade para atendimentos não agendados.

Pacientes com risco considerado médio também podem ser encaminhados para seguimento extra hospitalar, desde que sejam atendidas algumas condições, tais como:

  1. Disponibilidade de suporte familiar capaz de manter acompanhamento constante 24 horas por dia.
  2. Comprometimento em iniciar tratamento psiquiátrico disponível
  3. Estabelecimento de um “contrato de vida”, que se caracteriza pelo compromisso sincero e empático por parte do paciente de não tentar suicídio e de procurar atendimento de emergência ou ajuda caso perceba agravamento da ideação suicida.

Todas as outras situações que não preenchem os critérios acima são consideradas de alta gravidade e devem ser encaminhadas para acompanhamento em ambiente protegido (internação hospitalar). A ação nos estágios em que o paciente apenas tem ideias ou mesmo planejamento é fundamental para diminuir a chance que ele cometa suicídio.

Ao identificar o risco de suicídio, é essencial que o médico comunique a família do paciente e a envolva em seu cuidado. A família tem papel central nos esforços de evitar que o paciente execute seus planos ou ideias suicidas. Uma das orientações importantes para a família é o cuidado para evitar que o paciente tenha acesso a métodos potencialmente letais, tais como medicamentos, armas ou cordas.

Uma parcela dos indivíduos em risco de suicídio necessita de tratamento psiquiátrico para transtornos mentais específicos. No tratamento da depressão, o início da melhora clínica implica um período mais crítico quanto ao risco de suicídio. Devem ser retirados os psicofármacos que estejam sendo usados indevidamente e/ou que possam ser usados como meio letal, como, por exemplo, os antidepressivos tricíclicos. Medicamentos perigosos, se necessários, devem ser prescritos em pequena quantidade e, de modo ideal, ficar em poder de uma terceira pessoa.

Intervenções psicoterápicas

No que se refere a intervenções psicoterápicas em pacientes com comportamento suicida, estudos mostram que a terapia cognitivo comportamental (TCC), tem se mostrado bastante eficaz no manejo com tais pacientes. O processo terapêutico da TCC com o paciente com pensamentos suicidas tem similaridades com o processo terapêutico da TCC para pacientes com depressão, com transtornos de ansiedade, com transtorno de de pendência de substância, dentre outros.

A TCC com o paciente suicida se debruça sobre os problemas de vida do indivíduo, mais de maneira mais aguçada se estes estiverem concatenados com crises suicidas. Sendo assim, torna-se importante atentar para a prevenção do suicídio, seja na busca de estratégias que modifiquem a ideação ou intenção suicida, seja na busca de estratégias que provoquem esperança para o futuro.

Perguntas Frequentes:

1 – Qual número ligar para ajudar pessoas com crise suicida?

188 – Centro de Valorização da vida (CVV)

2 – Como fazer o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado através da história clínica e exame mental e identificação de fatores de risco.

3 – Quando internar pacientes com crise suicida?

Pacientes com risco suicida moderado ou alto.

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