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Crise de Perda do Fôlego | Colunistas

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A crise de perda do fôlego é uma queixa comum e trata-se de um evento paroxístico não epiléptico da infância. Costuma ocorrer quando, no meio do choro, a criança para de respirar involuntariamente e fica inerte, podendo acontecer desmaios. O episódio dura em média uns 20 segundos e são inofensivos, terminando sem necessidade de intervenção.

Epidemiologia

A incidência é em torno de 4,6% das crianças, predomina no sexo masculino, na proporção de 3:1.

As crises costumam começar entre o 6º e o 18º mês de vida, podendo também ocorrer, apesar de raro, antes dos 6 meses.

Após o segundo aniversário, 10% das crises persistem, após 4 anos, 50% dos casos têm resolução completa, e, após o 8º aniversário, 100% das crianças acometidas têm resolução de seu quadro.

Formas que a crise pode se apresentar

A crise de perda de fôlego pode se apresentar de duas maneiras.

A forma cianótica, que é a forma mais comum e que costuma ser desencadeada por uma situação de estresse para a criança, como quando é contrariada nas suas vontades ou em resposta a uma repreensão. Neste caso, a criança chora e, de repente, ela para de respirar, causando a cianose da pele e das mucosas. Também pode ocorrer uma breve convulsão.

Após alguns segundos, a respiração, a cor da pele e estado de consciência voltam ao normal. É possível interromper a crise colocando um pano frio na face da criança, no momento do início da crise.

Os pais devem manter a calma e evitar a “supervalorização” do episódio para não reforçarem o comportamento que gerou a crise. Dessa forma, assim que a criança se recupera, os pais devem manter as regras de conduta.

Crises de perda de fôlego com cianose respondem à suplementação de ferro, pois a deficiência de ferro contribui para o aumento do número de crises (apesar de não se relacionar com a gravidade dos episódios); e ao tratamento para apneia obstrutiva do sono (quando presente).

Também há a forma pálida (não cianótica), que costuma acontecer sem choro. Geralmente ocorre depois de uma experiência dolorosa, como uma queda, mas pode ocorrer depois de eventos que deixem a criança assustada ou após um acesso de vômito. Nesta situação o estímulo vagal diminui os batimentos cardíacos, e a criança para de respirar, perde rapidamente a consciência, fica pálida e hipotônica. Pode ocorrer aumento do tônus muscular, consequentemente convulsão e incontinência.

Após a crise, a frequência cardíaca volta ao normal, restabelece-se a respiração e o estado de consciência, sem a necessidade de qualquer tratamento.

Como esta forma é rara, é importante fazer diagnóstico diferencial para possíveis causas neurológicas (como a epilepsia) e cardíacas (como síndrome do intervalo QT prolongado), com ajuda de exames como o eletroencefalograma (EEG) e eletrocardiograma (ECG).

Importante lembrar

  • As crises são inofensivas e cessam por si só.
  • Apesar de poder ser uma experiência assustadora para os responsáveis pela criança, os pais/cuidadores devem manter uma atitude tranquila, pois o medo e ansiedade dos adultos levam ao excesso de atenção para com a criança, podendo transformar tal reação em um estímulo para novos episódios. A orientação da família é o princípio da terapia, pois, quanto mais tranquilos os pais estiverem após o episódio, menor é a chance de se repetir.
  • A criança deve permanecer deitada, já que a posição aumenta a circulação de sangue no cérebro.
  • Não é necessário realizar ventilação na criança.
  • O diagnóstico diferencial entre a crise de perda de fôlego e a epilepsia é de fundamental importância, já que a administração diária de anticonvulsivantes não está indicada nessas situações, podendo ser sua dosagem erroneamente aumentada para níveis tóxicos, na tentativa de controlar os eventos sincopais.

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

https://www.spp.org.br/wp-content/uploads/2016/05/JPP_DEZ_2016_SITE.pmd_.pdf

http://departamentos.cardiol.br/sobrac/pdf/jornal_sobrac_18.pdf

https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/pediatria/preocupa%C3%A7%C3%B5es-e-problemas-de-comportamento-na-inf%C3%A2ncia/crises-de-perda-de-f%C3%B4lego

https://camilacury.com/saiba-o-que-fazer-quando-o-bebe-chora-ate-perder-o-folego/#:~:text=A%20%E2%80%9Cperda%20de%20f%C3%B4lego%E2%80%9D%20%C3%A9,v%C3%A1rias%20vezes%20durante%20o%20dia.

https://cdn.publisher.gn1.link/residenciapediatrica.com.br/pdf/v8s1a15.pdfhttps://www.clinicalen.com.br/copia-obstrucao-congenita-das-vias-

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