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COVID-19 e população pediátrica | Colunistas

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Introdução

A pandemia da doença coronavírus 2019 (COVID-19), causada por infecção da síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2), começou em dezembro de 2019 em Wuhan, na China. Desde então, evoluiu rapidamente pelo mundo e atualmente tem mais de 140 milhões de pessoas infectadas e mais de 3 milhões vieram a óbito.

A doença da COVID-19 tem maior impacto em adultos acima de 60 anos e com comorbidades, porém, todos estão sujeitos a contrair o vírus e adquirir a doença. Ao contrário dos adultos, a população pediátrica, quando sintomática, apresenta sintomas leves ou moderados da doença. No entanto, há crianças e adolescentes que apresentam um quadro significativo, desenvolvendo uma resposta hiperinflamatória com manifestações clínicas exuberantes e graves, chamada de síndrome inflamatória multissistêmica em crianças (MIS-C).

O que é MIS-C?

A resposta hiperinflamatória surgiu como uma nova apresentação da doença em crianças e adolescentes, possivelmente associada à COVID-19, com uma síndrome clínica diferente semelhante à doença de Kawasaki (KD) e síndrome do choque tóxico.

Chamada de “síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica” ​​(PMIS) ou “síndrome inflamatória multissistêmica em crianças” (MIS-C) associada à doença coronavírus (COVID-19), ela foi relatada pela primeira vez no final de abril de 2020 pela Sociedade de Pediatria do Reino Unido. Até o momento, já tem sido relatada em outros países, como Itália, França, Espanha, Estados Unidos e aqui no Brasil também.

Os casos de MIS-C relatados ocorreram dias ou semanas após a COVID-19, o que sugere que esta síndrome seja uma complicação tardia caracterizada por resposta imunológica desproporcional à infecção. Recentemente, o “Centers for Disease Control and Prevention (CDC)” sugeriu o termo “síndrome inflamatória multissistêmica associada ao COVID-19” e que para definição de caso necessita a confirmação da infecção pelo SARS-CoV-2, soroconversão ou exposição à COVID-19 nas últimas quatro semanas antes do início dos sintomas.

Manifestações Clínicas

A MIS-C associada à COVID-19 é caracterizada por febre persistente, dor abdominal, diarreia, vômitos, erupção cutânea, conjuntivite, edema de mãos e pés e outras manifestações mucocutâneas. O quadro clínico MIS-C é similar às manifestações observadas em crianças e adolescentes com síndrome de Kawasaki, Kawasaki incompleto e/ou síndrome do choque tóxico.

Em crianças afetadas, o MIS-C associado à COVID-19 pode progredir rapidamente para hipotensão e choque com lesão cardíaca e de outros órgãos-alvo. Há relatos de crianças que apresentaram derrame pleural, derrame pericárdico e ascite, o que sugere um comprometimento inflamatório das serosas.

Esse quadro clínico pode evoluir mal e progredir para insuficiência respiratória aguda e síndrome da disfunção de múltiplos órgãos, no qual está mediada por uma tempestade de citocinas, sendo semelhante à síndrome de linfohistiocitose hemofagocítica familiar ou a síndrome de ativação macrofágica que pode ocorrer em crianças e adolescentes com doenças reumatológicas, tais como artrite idiopática juvenil subtipo sistêmico, lúpus eritematoso sistêmico juvenil e mesmo síndrome de Kawasaki (já reportados anteriormente à pandemia da COVID-19).

Alterações laboratoriais

Marcadores elevados:

  • Velocidade de Hemossedimentação (VHS)
  • Proteína C-reativa (PCR)
  • Procalcitonina
  • Ferritina
  • Triglicérides
  • D-dímero
  • Provas de função miocárdica

Marcadores diminuídos:

  • Linfopenia
  • Neutrofilia

Exames de imagem

  • Eletrocardiograma
  • Ecocardiograma
  • Raio-X
  • Ultrassonografia
  • Tomografia Computadorizada

Foram relatados evidências de miocardite, pleurite e dilatação de artérias coronárias em crianças e adolescentes com quadro grave de MIS-C. Infiltrados pulmonares e derrame pleural são alterações possivelmente encontradas em radiografias, bem como ascite, hepatoesplenomegalia podem ser encontradas em ultrassonografia.

O que é Síndrome de Kawasaki?

A síndrome de Kawasaki é uma vasculite primária aguda e febril, autolimitada com predileção específica pelas artérias coronárias que afeta preferencialmente lactentes e crianças jovens previamente saudáveis. Apesar de mais de meio século ter se passado desde que esta doença foi relatada, a sua causa dessa condição permanece ainda não totalmente elucidada. Assim sendo, esta pandemia tem sido associada com alta incidência de uma forma grave da doença Kawasaki-like ou Kawasaki-símile.

Como diagnosticar uma criança com MIS-C?

A Organização Mundial de Saúde publicou documento sugerindo uma definição de caso preliminar para esta síndrome multissistêmica temporariamente associada à COVID-19:

Critérios para definição preliminar de MIS-C associada à COVID-19:
Crianças e adolescentes de 0 a 19 anos com febre ≥ 3 dias.
E dois dos seguintes:
1. Exantema ou conjuntivite não purulenta bilateral ou sinais de inflamação muco-cutânea (orais, mãos ou pés).
2. Hipotensão ou choque.
3. Características de disfunção miocárdica, pericardite, valvulite ou anormalidades coronárias (incluindo achados do ecocardiograma ou elevação de troponina/pró BNP).
4. Evidência de coagulopatia (TP, TTPA, D-dímero elevado).
5. Problemas gastrointestinais agudos (diarreia, vômito ou dor abdominal).
Marcadores elevados de inflamação, como VHS, PCR ou procalcitonina.
Nenhuma outra causa de inflamação microbiana, incluindo sepse bacteriana, síndromes de choque estafilocócico ou estreptocócico.
Evidência de COVID-19 (RT-PCR, teste antigênico ou sorologia positiva) ou provável contato com pacientes com COVID-19.

Com isso, podemos concluir que crianças com febre, que tenham uma ligação epidemiológica com SARS-CoV-2 e sintomas clínicos sugestivos devem ser considerados “sob investigação” para MIS-C. É importante que todo médico esteja alerta e pronto para o reconhecimento destes casos, possibilitando o reconhecimento e o manejo adequado e oportuno, durante a hospitalização nos serviços de emergência, enfermarias e/ou unidades de terapia intensiva.

Referências

  1. Blumfield E, Levin T, Kurian J et al (2020) Imaging findings in multisystem inflammatory syndrome in children (MIS-C) associated with COVID-19. AJR Am J Roentgenol https://www.ajronline.org/doi/abs/10.2214/AJR.20.24032. Accessed 13 Nov 2020
  2. Hoste, L., Van Paemel, R. & Haerynck, F. Multisystem inflammatory syndrome in children related to COVID-19: a systematic review. Eur J Pediatr (2021). https://doi.org/10.1007/s00431-021-03993-5
  3. Sokolovsky S, Soni P, Hoffman T, Kahn P, Scheers-Masters J. COVID-19 associated Kawasaki-like multisystem inflammatory disease in an adult. Am J Emerg Med. 2021;39:253.e1-253.e2. doi:10.1016/j.ajem.2020.06.053
  4. Henderson LA, Canna SW, Friedman KG, et al. American College of Rheumatology clinical guidance for pediatric patients with multisystem inflammatory syndrome in children (MIS-C) associated with SARS-CoV-2 and hyperinflammation in COVID-19. version 1. Arthritis Rheumatol 2020. 10.1002/art.41454
  5. Sociedade Brasileira de Pediatria. Doença de Kawasaki. Disponível em: https://www.sbp. com.br/fileadmin/user_upload/_22196c-DocCient_-_Doenca_de_Kawasaki.pdf

Autora: Ana Clara Benites Ciani de Carvalho Oliveira

Instagram: @anaabenites



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

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