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Corrimento branco: causas, quando investigar e condutas atuais

Ginecologista conversando com paciente feminina durante consulta médica, com foco em abordagem acolhedora e profissional.

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O corrimento vaginal representa uma das queixas ginecológicas mais frequentes na prática clínica diária. Embora muitas pacientes associem automaticamente o corrimento branco a processos infecciosos, nem toda secreção vaginal indica doença. Portanto, o médico precisa diferenciar, de forma sistemática e criteriosa, o corrimento fisiológico das condições patológicas, evitando tanto o subdiagnóstico quanto o tratamento inadequado. Além disso, uma abordagem estruturada reduz recorrências, melhora a adesão terapêutica e qualifica o cuidado.

Conceito e fisiologia do corrimento vaginal

Inicialmente, é fundamental compreender que a vagina saudável produz secreção de forma contínua. Essa secreção resulta da descamação celular do epitélio vaginal, do muco cervical e do transudato plasmático. Além disso, variações hormonais ao longo do ciclo menstrual influenciam diretamente volume, consistência e aspecto do corrimento.

Durante a fase estrogênica, por exemplo, ocorre aumento da produção de glicogênio no epitélio vaginal. Como consequência, os lactobacilos metabolizam esse glicogênio e produzem ácido lático, mantendo o pH vaginal ácido, geralmente entre 3,8 e 4,5. Esse ambiente ácido, por sua vez, protege contra a proliferação de microrganismos patogênicos. Assim, o corrimento fisiológico tende a ser branco ou translúcido, inodoro e não associado a sintomas.

Entretanto, quando fatores internos ou externos alteram esse equilíbrio, surgem condições favoráveis ao desenvolvimento de vaginites e vaginoses. Portanto, compreender a fisiologia vaginal é essencial para interpretar corretamente a queixa de corrimento branco.

Corrimento branco: quando considerar patológico

Apesar de o aspecto branco não definir, isoladamente, a presença de patologia, alguns elementos clínicos orientam a investigação. Em geral, o médico deve considerar o corrimento branco como potencialmente patológico quando há:

  • Prurido vulvar ou vaginal
  • Ardor local ou disúria externa
  • Dispareunia
  • Alteração do odor vaginal
  • Mudança recente do padrão habitual de secreção
  • Recorrência frequente após tratamentos empíricos

Além disso, o contexto clínico importa. Gestantes, pacientes imunossuprimidas, mulheres com diabetes mal controlado e usuárias recentes de antibióticos apresentam maior risco para determinados diagnósticos, especialmente vulvovaginal candidíase.

Portanto, a avaliação não deve se limitar à cor do corrimento. Pelo contrário, o médico precisa integrar sintomas, história clínica, exame físico e, quando necessário, exames complementares.

Principais causas de corrimento branco patológico

Entre as etiologias mais frequentes associadas ao corrimento branco, destacam-se a vulvovaginal candidíase, a vaginose bacteriana e, menos frequentemente, a tricomoníase com apresentação atípica. Além disso, condições não infecciosas também entram no diagnóstico diferencial.

Vulvovaginal candidíase

A vulvovaginal candidíase representa uma das causas mais comuns de corrimento branco na prática clínica. Na maioria dos casos, Candida albicans está envolvida, embora espécies não albicans também possam causar quadros recorrentes ou refratários.

Clinicamente, a paciente costuma relatar corrimento branco espesso, grumoso, frequentemente descrito como “leite coalhado”. Além disso, prurido intenso, ardor vulvar e dispareunia superficial aparecem com frequência. Ao exame ginecológico, o médico observa hiperemia vulvar, edema e placas esbranquiçadas aderidas à mucosa vaginal.

Apesar disso, o diagnóstico não deve se basear apenas no aspecto clínico. Muitas mulheres com candidíase não apresentam corrimento típico, enquanto outras condições podem mimetizar esse padrão. Portanto, sempre que possível, o médico deve confirmar o diagnóstico por meio de exame microscópico ou testes laboratoriais.

Fonte: UpToDate, 2025.

Vaginose bacteriana

Embora a vaginose bacteriana costume se manifestar com corrimento acinzentado e odor fétido, alguns casos apresentam secreção esbranquiçada, especialmente nas fases iniciais ou após tentativas de tratamento inadequado. Por esse motivo, a vaginose bacteriana também deve integrar o diagnóstico diferencial do corrimento branco.

Nesse quadro, ocorre redução dos lactobacilos e proliferação de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis. Consequentemente, o pH vaginal se eleva acima de 4,5. Em geral, a paciente não apresenta sinais inflamatórios intensos, o que diferencia a vaginose da candidíase.

Além disso, a vaginose bacteriana associa-se a complicações obstétricas e ginecológicas, como parto prematuro e maior risco de infecções sexualmente transmissíveis. Portanto, identificar corretamente essa condição impacta diretamente o prognóstico.

Abaixo observa-se o colo uterino com achado de conteúdo homogêneo, bolhoso e acizentado.

Fonte: WHO

Tricomoníase com apresentação atípica

Embora a tricomoníase costume cursar com corrimento amarelo-esverdeado e espumoso, apresentações atípicas ocorrem. Em algumas pacientes, o corrimento pode ser branco ou levemente acinzentado, sem odor marcante.

Além disso, o quadro clínico varia amplamente. Algumas mulheres permanecem assintomáticas, enquanto outras apresentam prurido, ardor e dispareunia. Por isso, o médico deve manter suspeição clínica, especialmente em pacientes com risco para infecções sexualmente transmissíveis.

Causas não infecciosas

Além das etiologias infecciosas, condições não infecciosas também podem gerar corrimento branco. Entre elas, destacam-se:

  • Vaginites irritativas ou alérgicas
  • Atrofia vaginal, especialmente no climatério
  • Uso de duchas vaginais ou produtos íntimos irritantes
  • Corpo estranho vaginal

Nesses casos, o corrimento costuma acompanhar sinais locais de irritação, ressecamento ou inflamação leve. Portanto, a anamnese detalhada assume papel central na identificação da causa.

Quando investigar: critérios clínicos e laboratoriais

Nem toda paciente com corrimento branco exige investigação laboratorial imediata. No entanto, algumas situações indicam avaliação mais aprofundada. O médico deve investigar quando houver:

  • Falha terapêutica após tratamento empírico
  • Recorrência frequente dos sintomas
  • Sintomas intensos ou atípicos
  • Gestação
  • Imunossupressão
  • Suspeita de infecção sexualmente transmissível

Além disso, o exame ginecológico completo é indispensável. Durante a avaliação, o médico deve observar aspecto do corrimento, coloração da mucosa, presença de lesões e sinais inflamatórios. A medição do pH vaginal também auxilia na diferenciação etiológica.

Sempre que disponível, a microscopia a fresco, a coloração de Gram e os testes rápidos oferecem informações valiosas. Embora a prática clínica permita, em muitos casos, o tratamento empírico, a confirmação diagnóstica reduz tratamentos desnecessários e recorrências.

Condutas atuais baseadas em evidência

A escolha terapêutica deve considerar a etiologia identificada, a gravidade dos sintomas e o perfil da paciente. Além disso, o médico deve orientar adequadamente sobre adesão, uso correto da medicação e prevenção de recidivas.

Tratamento da vulvovaginal candidíase

Para candidíase não complicada, antifúngicos azólicos tópicos ou sistêmicos apresentam alta taxa de sucesso. O tratamento oral com fluconazol em dose única é amplamente utilizado, assim como esquemas tópicos de curta duração.

Entretanto, em casos recorrentes ou causados por espécies não albicans, o manejo exige esquemas prolongados ou alternativas terapêuticas. Além disso, o controle de fatores predisponentes, como hiperglicemia e uso indiscriminado de antibióticos, reduz recorrências.

Tratamento da vaginose bacteriana

O tratamento da vaginose bacteriana baseia-se no uso de antibióticos, como metronidazol ou clindamicina. A escolha do esquema depende do perfil da paciente e da via de administração preferida.

Além disso, o médico deve orientar sobre a possibilidade de recorrência e reforçar a importância do seguimento. Embora o tratamento do parceiro não seja rotineiramente indicado, a orientação sexual adequada faz parte do cuidado integral.

Abordagem da tricomoníase

A tricomoníase exige tratamento sistêmico com metronidazol ou tinidazol. Nesse caso, o tratamento simultâneo do parceiro sexual é indispensável para evitar reinfecção. Além disso, o médico deve rastrear outras infecções sexualmente transmissíveis.

Condutas nas causas não infecciosas

Quando o corrimento branco decorre de causas não infecciosas, o tratamento foca na remoção do fator desencadeante. Suspender produtos irritantes, orientar higiene adequada e, quando necessário, instituir terapia hormonal local são medidas eficazes.

Referências bibliográficas

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Corrimento vaginal: aspectos epidemiológicos, clínicos e laboratoriais. Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ress/a/X9WkLLZRBbcW3mFwbRYBHXD/?format=html&lang=pt
  2. Sobel JD, et al. Vaginitis in adults and adolescents: Initial evaluation. UpToDate. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/vaginitis-in-adults-and-adolescents-initial-evaluation

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