A contenção física de paciente psiquiátricos, quando agitados e/ou agressivos, é uma estratégia válida no manejo do paciente. No entanto, deve ser aplicada segundo a técnica correta, seguindo-se rigorosamente protocolos bem delineados para garantir a segurança do paciente e o respeito à sua dignidade.
O uso da contenção física, embora ainda seja considerado um tabu por muitos profissionais da saúde, pode ser feito de maneira humanizada, respeitando a dignidade do paciente, ao mesmo tempo que facilita o diagnóstico e o tratamento e previne que o paciente cause danos a si mesmo ou à equipe médica.
É importante lembrar que a contenção física tem indicações precisas e jamais deve ser utilizada por conveniência ou como método de punição. Ademais, deve ser desfeita tão logo seja possível, o que costuma ocorrer após o manejo farmacológico adequado dos sintomas de agitação e/ou agressividade.
Quando utilizar a contenção física?
Como dito anteriormente, a contenção física tem indicações precisas, e incluem situações de perigo iminente para o paciente ou para outros ou quando o paciente pode prejudicar ou atrasar uma intervenção médica importante.
Na prática clínica, pode ser útil dividir os pacientes em três grupos:
Pacientes com transtornos orgânicos, situação em que a contenção pode facilitar a adequada avaliação do paciente;
Pacientes psicóticos, uma vez que as técnicas de desescalonamento verbal são menos eficazes com essa população de paciente e a contenção pode facilitar a terapêutica medicamentosa com agentes antipsicóticos;
Paciente com transtorno de personalidade, pois tampouco respondem bem às técnicas de desescalonamento verbal.
Como fazer a contenção física
A contenção física é, de fato, um procedimento e deve ser tratado como tal. A técnica de contenção deve ser usada de modo sistemático, obedecendo protocolos institucionais específicos para essa situação.
O procedimento começa com a saída do médico examinador da sala após a falha das técnicas de desescalonamento verbal, momento em que deve solicitar ajuda da equipe que irá realizar o procedimento de contenção física, a qual deve contar com ao menos cinco pessoas e ter um líder de equipe definido.
É de suma importância que o líder da equipe seja o único profissional a dar ordens e a se comunicar com o paciente. A equipe, então, deve remover todos os objetos pessoais que possam ser utilizados como meio de agressão pelo paciente.
Uma vez que a equipe tenha se preparado, deve entrar no ambiente de forma profissional, e nunca com uma atitude ameaçadora. Nesse ponto, muitos dos pacientes agitados e/ou agressivos podem desescalonar por um mecanismo de defesa do ego, mas esse não é o momento adequado para negociar com o paciente e a contenção deve ser aplicada mesmo assim.
O líder da equipe então comunica o paciente sobre o procedimento que será realizado, sua necessidade e o modo como se procederá a contenção. Alguns pacientes se mostram cooperativos nessa etapa, mas na hipótese de o paciente resistir ao procedimento, um membro da equipe deve iniciar pela imobilização de um dos membros (que deve ser pré-determinado pelo protocolo de contenção), através do controle das articulações do membro.
Aplicam-se contenções em cada extremidade, ancorando-as ao leito.
Ademais, uma restrição torácica pode ser utilizada, desde que se preserve a expansão natural do tórax nos movimentos respiratórios. A contenção em decúbito lateral é mais eficaz em prevenir broncoaspiração, mas o decúbito dorsal horizontal com cabeça levemente elevada costuma ser mais confortável para o paciente.
A imobilização dos membros superiores não deve impedir o acesso venoso, sendo necessário, às vezes, para a administração de fluídos ou medicamentos que podem ser usados mesmo após a contenção física. Após a contenção, o paciente deve ser revistado em busca de armas ou drogas.
Durante todo o procedimento, o médico assistente não deve aplicar a contenção diretamente, a fim de se preservar a relação médico-paciente. Uma ressalva para as pacientes do sexo feminino é que a equipe deve sempre ter ao menos uma profissional também do sexo feminino.
Monitoramento do paciente contido
Uma vez contido, o paciente deve ser monitorado e ter sua posição alterada com frequência a fim de evitar úlceras de pressão e outros danos neurovasculares. O nível de consciência e os sinais vitais devem ser frequentemente monitorados.
Ademais, deve-se assegurar que necessidades básicas, como hidratação, sejam preservadas. A equipe deve revisar o procedimento e avaliar modos de melhorar sua efetividade. Por fim, uma vez que se alcance o controle comportamental do paciente, deve-se remover as faixas de imobilização.