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Consequências Psicológicas da Pandemia da COVID-19 | colunistas

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Índice

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Introdução

Em dezembro de 2019, em Wuhan, na China, após um surto de pneumonia de origem desconhecida, foi identificada a doença COVID-19, causada pelo Coronavírus  da  Síndrome  Respiratória  Aguda  Grave  2  (SARS-COV-2).

Logo, diante da alta taxa de transmissibilidade do vírus e propagação por todo território mundial, em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a COVID-19 como pandemia. No Brasil, o  primeiro  caso  foi  registrado em  25  de  fevereiro  de  2020,  pelo Ministério  da  Saúde.

Uma das estratégias adotadas, a fim de evitar aglomerações e, desta forma, conter a propagação do vírus, impedindo que mais indivíduos fossem acometidos pela doença, foi o distanciamento social. A partir do momento em que o patógeno é detectado na pessoa, há a necessidade de mantê-la em isolamento social por catorze dias, de forma que não ocorra a proliferação do vírus. Inicialmente, como tratava-se de uma doença desconhecida, inúmeras informações desencontradas surgiam, criando um cenário de incertezas e favorecendo o aparecimento de alterações comportamentais que podem gerar consequências severas na Saúde Mental da população.

A Saúde Mental é um importante componente da saúde do indivíduo. Conforme a OMS, tem-se como definição de Saúde Mental: é  um  estado  de  bem-estar, no  qual  um indivíduo  realiza  suas  próprias  habilidades,  pode  lidar  com  o  estresse  normal  da  vida, trabalhar  produtivamente  e  é  capaz  de  contribuir  com  sua  comunidade. Sendo assim, é imprescindível a promoção, proteção e restauração da Saúde Mental.

Indivíduos Acometidos

Cabe salientar que dentre os indivíduos com maior risco de prejuízo quanto à Saúde Mental estão os profissionais da saúde, os quais diariamente estão expostos à infecção, ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs) e vivenciam sucessivos óbitos (incluindo pacientes e colegas), por conta de uma doença que possuem escassas informações. Segundo a OMS (2020), os transtornos de ansiedade tornaram-se cada vez mais frequentes, sendo o Brasil o país com maior taxa de pessoas com esse tipo de transtorno no mundo, com uma prevalência de cerca de 10 a 20% na população em geral, frequentemente associados com sintomas como medo e mal-estar, fadiga, inquietação e palpitações.

Dentre as principais manifestações, estão quadros de ansiedade, sintomas depressivos, insônia e angústia. A razão para tal acometimentos envolve não apenas o desconhecimento sobre o vírus, mas também o aumento da jornada de trabalho, o distanciamento da família para salvaguardá-la do contágio e a falta de suporte psicológico.

Não obstante, pode-se verificar também, ao longo da pandemia, um aumento de estresse familiar, uma vez que as famílias passaram a conviver por mais tempo, muitas vezes em um ambiente com pouco espaço. Diante de um cenário onde as esferas governamentais, nacionais e internacionais, orientam de maneira controversa, fake news são transmitidas por meio das redes sociais e a instabilidade socioeconômica corroboram para que haja um desequilíbrio psíquico. Os estressores aumentaram a tensão no âmbito familiar, promovendo um aumento do risco de violência doméstica e consumo de drogas e álcool. Na relação conjugal, a depressão, a ansiedade e alguns transtornos de personalidade podem ser mal interpretados, o que pode desencadear um sentimento de rejeição no outro.

Além disso, com o fechamento das instituições de ensino, a comunidade escolar (professores, pais e alunos) precisou adaptar-se rapidamente a uma nova dinâmica de ensino/aprendizagem, baseada na tecnologia. A instalação súbita de um ensino digital representou um desafio para os professores, pois nem todos estavam familiarizados com os recursos tecnológicos; para os alunos, os quais repentinamente migraram da sala de aula para a sala de casa ou para o seu quarto e precisaram aprender meios de buscar o conhecimento além daquilo que a escola disponibiliza; e também para os pais, que precisaram ser mais ativos no processo pedagógico e adequar-se no âmbito digital. Ademais, os níveis socioeconômicos mais do que nunca evidenciam a discrepância da educação no Brasil, haja vista que milhares de alunos da rede pública ficaram sem aulas, pois não dispunham de um aparelho para assisti-las. Esse conjunto de fatores, sem dúvidas, são estressores que geram ansiedade, medo e insegurança para todos os envolvidos e requer planejamento de estratégias para que as mazelas sejam solucionadas, ou pelo menos minimizadas.

Transtornos de Ansiedade

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, em sua 5ª edição (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria, são definidos como Transtornos de Ansiedade, àqueles que possuem em comum: quadros de medo e ansiedade excessivos e perturbações comportamentais associados. Os sintomas podem ser divididos em subjetivos e físicos.

1.   Subjetivos:

  • angústia
  • inquietação
  • preocupações excessivas
  • medo

2.   Físicos

  • palpitação
  • dispneia
  • náusea
  • cólica abdominal
  • sudorese
  • tontura
  • tremores
  • calafrios

Transtornos Depressivos

A depressão é uma forma geral de se referir aos transtornos depressivos, dentre eles cabe destacar o Transtorno Depressivo Maior, que é a forma mais recorrente e a Distimia, a qual é a forma persistente.

1.   Transtorno Depressivo Maior

Segundo o DSM-5, o Transtorno Depressivo Maior pode ser caracterizado por episódios que duram no mínimo duas semanas, com ausência de episódio maníaco, misto ou hipomaníaco e, pelo menos, quatro dos seguintes sintomas:

  • alterações no apetite e no peso;
  • alterações no sono e na atividade;
  • falta de energia;
  • sentimento de culpa;
  • problemas para tomar decisões e pensar;
  • pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.

2.   Distimia

Já na Distimia, o indivíduo tende a ficar a maior parte do dia com o humor deprimido. Possui início insidioso e tem sua origem na infância ou adolescência, com um curso persistente ou intermitente.

Considerações Finais

A pandemia trouxe consequências que vão além da doença causada pelo vírus, os impactos psicológicos sérios em razão de todo esse contexto, podem se prolongar além do período pandêmico. Os efeitos da pandemia afetam todas as classes sociais e é de extrema importância estar atento ao aparecimento e às exacerbações dos sintomas, principalmente em pacientes que já possuem histórico psiquiátrico.

Porquanto, é primordial que seja dada maior atenção para a promoção da Saúde Mental da população em geral. Faz-se necessário a construção de uma rede de apoio que dê suporte psicológico e acompanhamento para minimizar os impactos negativos a curto, médio e longo prazo, tendo em vista que as pessoas precisarão se readaptar e lidar com as mudanças sofridas, como as perdas e as transformações emocionais e socioeconômicas.

Referências

Lima, Rossano Cabral. “Distanciamento e isolamento sociais pela Covid-19 no Brasil: impactos na saúde mental”. Physis: Revista de Saúde Coletiva , vol. 30, n o 2, 2020, p. e300214. DOI.org (Crossref) , doi: 10.1590 / s0103-73312020300214. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/physis/2020.v30n2/e300214/. Acesso em: 19 jun. 2021.

Manual de Diagnóstico e Estatísticas das Perturbações Mentais DSM-5 – http://www.niip.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Manual-Diagnosico-e-Estatistico-de-Transtornos-Mentais-DSM-5-1-pdf.pdf – Acesso em: 16 jun. 2021.

Pereira, Mara Dantas, et al. “A pandemia de COVID-19, o isolamento social, consequências na saúde mental e enfrentamento: uma revisão integrativa”. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento , vol. 9, no 7, junho de 2020, p. e652974548 – e652974548. rsdjournal.org , doi: 10.33448 / rsd-v9i7.4548 – Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/4548/4043. Acesso em: 15 jun. 2021.

Pereira, Ana Cláudia Costa, et al. “O agravamento dos transtornos de ansiedade em profissionais de saúde no contexto da pandemia da COVID-19 / O agravamento dos transtornos de ansiedade em profissionais de saúde no contexto da pandemia de COVID-19”. Revista Brasileira de Revisão de Saúde , vol. 4, n o 2, Março de 2021, p. 4094-110. www.brazilianjournals.com, doi: 10.34119 / bjhrv4n2-009 – Acesso em: 17 jun. 2021.

Prado, Amanda Dornelas, et al. “A saúde mental dos profissionais de saúde frente à pandemia do COVID-19: uma revisão integrativa”. Revista Eletrônica Acervo Saúde , n o 46, junho de 2020, p. e4128 – e4128. 34999938083, acervomais.com.br , doi: 10.25248 / reas.e4128.2020. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/4128/2188. Acesso em: 17 jun. 2021

Tassara, Izabela Gonzales, et al. “Prevalência de sintomas psicológicos em tempos de isolamento social / Prevalência de sintomas psicológicos em tempos de isolamento social”. Revista Brasileira de Revisão de Saúde , vol. 4, no 1, janeiro de 2021, p. 1295–309. www.brazilianjournals.com, doi: 10.34119 / bjhrv4n1-112. Acesso em: 18 jun. 2021

Silva, Isabela Machado da, et al. “As relações familiares da COVID-19: recursos, risco e pulso para a prática da terapia de casal e família”. Pensando famílias , vol. 24, n o 1, junho de 2020, p. 12–28. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-494X2020000100003. Acesso em: 18 jun. 2021

“Educação e pandemia: desafios e perspectivas”. Jornal da USP , 12 de agosto de 2020, https://jornal.usp.br/artigos/educacao-e-pandemia-desafios-e-perspectivas/. Acesso em: 15 jun. 2021



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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