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Repercussões no crescimento facial e transtorno de atenção em crianças com hipertrofia adenoideana |Colunistas

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As adenoides ou tonsilas faríngeas são um dos
componentes do conjunto de estruturas linfáticas do anel de Waldeyer, e tem
importância no processo de memória imunológica. Elas agem como sentinelas para
proteger o corpo contra microrganismos, fornecendo imunidade local e mecanismo
de vigilância para que todo o corpo seja preparado para a defesa por meio das
imunidades humoral e celular. Seu crescimento adenoideano segue um padrão definido
e rápido durante os 3 primeiros anos, atingindo seu maior volume entre os 4 e 5
anos. Em torno dos 7 anos, inicia-se o processo de atrofia, que se completa
entre os 10 e 12 anos de idade. (DHINGRA e DHINGRA, 2014, p.255,)

A hipertrofia da tonsila faríngea (HTF) é uma
afecção comum que acomete principalmente crianças entre 4 e 10 anos de idade,
sendo mais prevalente no sexo masculino. Os mecanismos exatos subjacentes à
proliferação linfoide folicular e à hiperplasia das tonsilas faríngeas são mal
compreendidos. No entanto, atualmente, considera-se que a inflamação recorrente
ou crônica da amigdala contribui para a ativação crônica de respostas imunes
mediadas por células e humorais, culminando na HTF. As citocinas, que atuam em
respostas imunológicas, podem afetar o processo de inflamação. Além disso,
acredita-se que certos polimorfismos de nucleotídeos únicos em citocinas
contribuem para uma predisposição à HTF. (ATILLA et al., 2017)

A hipertrofia adenoideana, a longo prazo,
interfere no padrão respiratório, e consequentemente, altera o crescimento
orofacial e o desenvolvimento neuropsicomotor das crianças. Em diversos casos,
esses pacientes são encaminhados para a psiquiatria com suspeita de déficit de
atenção e transtorno de hiperatividade (TDAH).

Segundo Della (2018 apud REIS; QUAGLIA, 2005),
o ar que entra pela boca sem a ação das narinas (filtragem, aquecimento,
umidificação e ação microbicida) é de baixa qualidade e compromete a hematose. Os
pacientes portadores de HTF apresentam características como respiração oral;
lábio superior curto e inferior evertido; alongamento do terço inferior da face
(fácies de respirador bucal); incompetência labial; hipotonia lingual;
alterações da postura de língua em repouso, na deglutição e na fala; alterações
da mastigação (mastiga de boca aberta) e emissões das vogais (projeta a língua
à emissão de fonemas L, T, TR, CL); alterações da fala e da voz (“voz de
batata”); alterações da postura corporal (ombros e pescoço projetados para
frente, aumento da lordose lombar); infecções do aparelho respiratório; cáries;
gengivites; e outros.

Quando a criança assume o padrão oral
respiratório, várias alterações sistêmicas são desencadeadas, acarretando a
Síndrome do Respirador Oral e suas manifestações clínicas, como: astenia
frequente, roncos noturnos (com ou sem apneia), retrognatismo facial, dorme de
boca aberta e baba no travesseiro, sonolência diurna, adinamia, hiporexia,
enurese noturna, déficit de aprendizado, irritabilidade,  má oxigenação cerebral (com alterações no
traçado do EEG), inquietude, agitação, ansiedade, medo, depressão,
impulsividade, acarretando dificuldade de atenção e concentração, levando a
baixos rendimentos escolar e intelectual, alterações do sono e Cor Pulmonale.
O desequilíbrio muscular desses pacientes, devido ao recondicionamento
anatômico, pode levar à hiperextensão crânio-cervical e cifose postural.
(ROCHA; DOMÍNGUEZ; REYES, 2017)

Todas essas alterações ocorrem em decorrência
da passagem aérea anormal pela cavidade oral, repercutindo na oxigenação
cerebral, mudança do padrão de liberação do hormônio do crescimento, e
desenvolvimento neuropsicomotor dessas crianças. Vários desses pacientes são
erroneamente diagnosticadas com Transtorno de Déficit e Atenção e
Hiperatividade (TDAH) e, às vezes, medicados de forma equivocada. (ROCHA;
DOMÍNGUEZ; REYES, 2017)

O “Insulin-like growth factor” I (IGF-I),
principal mediador das ações do GH, e o “Insulin growth factor binding protein”
(IGFBP-3) vêm sendo usados frequentemente entre os pesquisadores que estudam o
crescimento infantil. Segundo Filho et al. (2019, capud, Yilmaz et al.), o
estudo investigativo realizado por Yilmaz verificou os níveis séricos de IGF-I
e IGFBP3 em 32 crianças com hipertrofia adenoamigdaliana com coleta de amostras
sanguíneas no pré e pós-operatório, a fim de mensurar os efeitos da
adenoamigdalectomia nessas variáveis. Os autores constataram que das 32
crianças, sete tinham valores pré-operatório de IGF-I e IGFBP-3 abaixo do
normal. Quando comparados pré e pós-cirúrgicos, os níveis séricos de IGF-I e
IGFBP-3 aumentaram significativamente. Sugere-se que a hipertrofia obstrutiva
de adenoamigdaliana podem provocar diminuição dos níveis séricos de IGF-I por
afetarem o eixo GH- IGF-I e a adenoamigdalectomia é uma terapêutica efetiva
nestes pacientes.

Segundo Dhingra
e Dhingra (2014) déficits cognitivos leves a moderados, problemas
comportamentais e emocionais em pacientes com síndrome do respirador bucal
podem ser revertidos de maneira significativa após o tratamento cirúrgico de
adenoamigdalectomia em grande parte dos pacientes. No entanto, os benefícios do tratamento
cirúrgico em crianças após os 8 anos de idade têm se mostrado menos eficiente
em reverter as consequências neuropsicomotoras da respiração bucal.

A hipertrofia adenoideana que resulta em respiração
bucal é um problema de saúde pública que pode acarretar diversos problemas a
curto e longo prazo, principalmente às crianças, levando a déficits cognitivos,
problemas psiquiátricos, alterações no sistema estomatognático, alterações
posturais e faciais. Todas essas consequências impactam fortemente o
desenvolvimento dessas crianças, gerando adultos com uma grande variedade de
comorbidades.

O propósito desse texto é evidenciar todos
esses impactos negativos em crianças com padrão respiratório bucal, e alertar
os profissionais da saúde quanto à necessidade de diagnóstico e tratamento
precoce, para que assim, seja possível evitar as complicações dessa afecção. O
diagnóstico precoce da respiração bucal permite que o paciente seja encaminhado
para uma avaliação integral de uma equipe interdisciplinar e intervindo nas
causas, minimizando os danos e as repercussões da respiração bucal na infância,
proporcionando melhor qualidade de vida e funcional desses indivíduos.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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