Saiba mais sobre médicos que se destacam no atendimento à população LGBTQIA+ e sobre como a medicina pode ser uma aliada nessa luta.
Como você tem prestado atendimento à população LGBTQIA+? Você conversa com seus pares sobre as questões específicas dessa comunidade? A diversidade é balizadora de sua atuação médica?
Em junho, mês do orgulho, essas conversas ganham mais forças em veículos midiáticos e na sociedade de forma geral. É importante lembrar que o mês serve como um lembrete de um debate que deve durar o ano inteiro.
Pensando nisso, listamos alguns médicos que, a partir da medicina, produziram e produzem conhecimento sobre a comunidade LGBTQIA+.
Antes de listá-los, vamos entender as razões pelas quais julho é considerado o mês do orgulho desta comunidade?
Por que julho é o mês do Orgulho LGBTQIA+?
O dia 28 de junho de 1968 entrou para a história da luta do movimento LGBTQIA+. O palco deste feito? Greenwich Village, bairro nova-iorquino que hoje é considerado um museu a céu aberto dos movimentos de contracultura do século XXI.
Nesta data, o Stonewall Inn, bar frequentado pela comunidade LGBTQIA+, sofreu mais uma das inúmeras represálias policiais.
A polícia de Nova Iorque dos anos 60 reprimia as relações entre pessoas do mesmo gênero. Dentro desse cenário, a vida noturna, com seus bares e boates, serviam como refúgio para este grupo social.
Na época, os estabelecimentos que vendiam bebidas alcoólicas para clientes gays eram considerados “casas desordenadas” pela Autoridade Estadual de Bebidas Alcoólicas (SLA, em inglês).
O que imortalizou o dia 28 de junho foi a reação do público aos ataques das autoridades.
Naquela noite, houve uma reação dos frequentadores do bar às constantes investidas policiais. Alguns chamam esta reação de “protesto” ou “rebelião”, mas o fato é que seu caráter revolucionário é único.
Figuras já conhecidas da luta LGBTQIA+ nova-iorquina, como as ativistas Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera se tornaram símbolos daquela noite, sendo reverenciadas até hoje.
O que significa a sigla LGBTQIA+?
Com os avanços que a pauta ganhou, novas formas de nomear a comunidade foram surgindo. Se, em um dado momento, o “ativismo gay” dava conta de todas as identidades que compõem esse universo, tensões surgiram e adaptações foram feitas.
Hoje, a população LGBTQIA+ é representada por essa sopa de letrinhas, robusta e relativamente nova, mas que deve ser conhecida por todos.
Vamos entender o que cada uma dessas letras representa?
- L – Lésbicas: É utilizado para as pessoas que se identifiquem como mulheres e sintam atração sexual por pessoas que se identifiquem como mulheres;
- G – Gays: Pessoas que se identificam como homens e sentem atração sexual por pessoas que se identifiquem como homens;
- B – Bissexuais: É utilizado para as pessoas que sentam atração sexual por mais de um gênero;
- T – Transgênero – Utilizado para pessoas que não se identificam com o gênero que lhe foi designado em seu nascimento;
- Q – Queer – Termo inglês que é comumente utilizado para os indíviduos que transitam entre as identidades masculinas e femininas, em não-conformidade aos padrões comportamentais e sexuais binários;
- I – Intersexo – A partir de variações cromossomáticas, essas pessoas não se enquadram no binarismo (homem/mulher);
- A – Assexual – Termo usado para categorizar aqueles que não se sentem atraídos por nenhum dos gêneros;
- + – Como o próprio sinal de soma indica, é utilizado para incorporar as outras identidades de gênero e sexualidades que integram o movimento.
3 médicos que são referência no atendimento à comunidade LGBTQIA+
Agora que já fizemos o movimento inicial de conhecimento básico da história desse movimento, vamos conhecer algumas figuras médicas, históricas e contemporâneas, que se destacam por suas contribuições à luta da população LGBTQIA+?
Magnus Hirschfeld
Um dos pioneiros dos estudos sobre gênero e sexualidade no fim do séc. XIX e do começo do séc. XX, Magnus Hirschfeld foi um médico alemão e judeu.
Entre suas inúmeras contribuições para a história, podemos destacar o Institut für Sexualwissenschaft (Instituto da Sexualidade).
Além de realizar pesquisas sobre performances dissidentes de gênero e sexualidade, o Instituto prestava atendimento qualificado a essas pessoas, ato revolucionário à época.
Magnus foi um dos primeiros médicos que defenderam a noção da transgeneridade, tendo realizado uma cirurgia de redesignação sexual no começo dos anos 1900.
Bruno Branquinho
Formado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de medicina da USP, Bruno Branquinho é psiquiatra e psicanalista de orientação lacaniana.
Tanto em pesquisas quanto em atendimento clínico, seu foco tem sido entender de que maneira as fronteiras entre saúde mental e população LGBTQIA+ se cruzam.
Em seus textos, temas como as pressões estéticas em homens gays e o papel desempenhado pela família na comunidade LGBTQIA+ são abordados com sua devida importância.
Vale seguir o perfil do médico no instagram para ficar por dentro de seus novos trabalhos!
Vinicius Borges (Doutor Maravilha)
As redes sociais são uma excelente ferramenta para os médicos que desejam entrar em contato com seus pacientes de uma maneira mais direta.
O Doutor Maravilha, como é popularmente conhecido o infectologista Vinicius Borges, é um exemplo de como usar as redes para disseminar conhecimento e lutar contra estereótipos.
Quer saber mais sobre as características dos médicos bem sucedidos nas redes sociais? Clique aqui.
Com suas postagens, ele faz diversas reflexões sobre a saúde sexual da população LGBTQIA+, tema que ainda é um tabu para muitos médicos.
Temas como a profilaxia pré-exposição (PrEP) e uso de preservativos são abordados por Vinicius em seu perfil do Instagram e do Twitter.
Esses são apenas alguns dos médicos que se destacam por suas contribuições à população LGBTQIA+. Para que nomes como esse se tornem cada vez mais comuns, é fundamental que tenhamos discussões sobre essas questões.
Falar sobre a saúde da população LGBTQIA+ é mais urgente do que nunca. Em 2021, cerca de 320 pessoas deste grupo social foram assassinadas violentamente no Brasil.
A medicina pode (e deve) ser uma das responsáveis pela transformação desta realidade.
Sugestão de leitura complementar
- O que o médico deve saber sobre o atendimento à comunidade LGBTQIA+?
- Quem foi a primeira médica negra do Brasil? Conheça essa e outras histórias inspiradoras
Fontes: PBS, Galileu, New York Times e CNN