Confira como são as questões da prova de residência médica do SUS-BA e prepare-se melhor para seu processo seletivo.
A residência médica do SUS-BA é um processo seletivo unificado, que envolve as principais instituições das cidades do estado da Bahia.
O último processo seletivo contou com 850 vagas e mais de 30 instituições participantes. Continue a leitura e saiba tudo sobre a prova de residência.
Como é a prova de residência médica do SUS-BA?
A prova do SUS-BA é uma prova organizada pela Strix – Educação, Avaliação e Projetos Ltda. Por abranger instituições de todo o estado da Bahia, o candidato pode realizá-la em cinco cidades ( Salvador, Juazeiro, Barreiras, Vitória da Conquista e Teixeira de Freitas), sendo a escolha feita no momento da inscrição.
Para conhecer como são as provas realizadas pela Strix, acesse nosso artigo completo: Banca Strix na residência médica: formato de prova, assuntos mais cobrados e questões
A prova para as especialidades de acesso direto será composta por 25 situações-problema com três questões cada. Dessas, 15 situações-problema com questões objetivas de múltipla escolha e 10 situações-problema com questões discursivas de resposta curta.
No caso das especialidades que necessitam de pré-requisitos, serão 15 situações-problema com três questões objetivas de múltipla escolha cada.
Para saber mais sobre a residência médica e o processo seletivo do SUS-BA, confira nosso artigo completo: Residência médica do SUS-BA: edital, vagas e mais
Questões comentadas da prova do SUS-BA
Para se preparar para a residência médica e aumentar suas chances de aprovação, estudar por questões comentadas é uma estratégia bastante eficaz.
Encontre questões de provas anteriores da residência médica da sua especialidade e resolva-as. Isso lhe dará uma ideia do tipo de questões que podem ser esperadas na prova, além de permitir que você identifique áreas em que precisa se aprofundar. Ao revisar as respostas comentadas, você entenderá os conceitos e raciocínios envolvidos em cada questão.
Vem com a gente e confira as provas do R1 da prova do SUS-BA.
Questões comentadas de clínica médica da prova do SUS-BA
(SUS – BA – SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – BAHIA, 2023)
Mulher, 19 anos de idade, é atendida na UPA com queixa de disúria, há 2 dias, associada a polaciúria. Refere que a urina está avermelhada. Nega dor lombar ou febre. Nega comorbidades e uso recente de antibióticos. Faz uso de anticoncepcional oral de forma regular. Ao exame físico, sinais vitais estáveis, afebril. Leve dor à palpação em região suprapúbica, sinal de Giordano negativo, sem outras alterações no exame segmentar. Indique os fatores de risco para desenvolvimento de complicações do quadro clínico:
(A) Baixa ingesta hídrica e atividade sexual.
(B) Incontinência urinária e menopausa.
(C) Gestação e diabetes mellitus.
(D) Sexo feminino e litíase renal.
Resposta comentada
Dica do autor: Questão supostamente simples, porém maliciosa, já que temos elencados diversos fatores de risco para o desenvolvimento da infecção urinária em si. Porém, o que a questão pergunta é: uma vez que o paciente tem uma infecção urinária, quais os fatores de risco para uma infecção urinária complicada? São eles:
- Cateteres de demora no trato urinário;
- Sexo masculino; – Idade;
- Diabetes Mellitus;
- Insuficiência Renal;
- Imunossupressão;
- Litíase;
- Manipulação cirúrgica do trato urinário;
- Refluxo vesicoureteral e disfunções miccionais;
- Gravidez;
- ITU nosocomial.
Os fatores de risco em sua maioria estão relacionados com fatores anatômicos que contribuem para a ascensão da bactéria, ou deixam o indivíduo menos eficaz no combate a ela. Ressaltamos que o sexo feminino é fator de risco para ITU em geral, porém o sexo masculino, uma vez com ITU, é fator de risco para ITU complicada, já que é extremamente difícil, por questões anatômicas, que o homem desenvolva ITU, e a presença desta frequente indica a presença de uma complicação subjacente.
Além disso, apesar da idade em si ser um fator de risco pelo risco aumentado da própria imunossupressão, a menopausa por si só não é fator de risco para complicação (mulheres jovens com menopausa precoce não apresentam esse risco, por exemplo). Portanto, a única alternativa que contempla dois fatores de risco para ITU complicada é a alternativa C.
Resposta: Alternativa C.
Questões comentadas de cirurgia do SUS-BA
(SUS – BA – SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – BAHIA, 2023)
Paciente, sexo feminino, 65 anos de idade, procura o Pronto Socorro por empachamento e distensão abdominal há cinco dias. A paciente apresentou náuseas e alguns episódios de vômitos nas últimas 24 horas. Relata, também, hiporexia, perda de peso e obstipação progressiva, há três meses, não sendo investigada previamente. A paciente realizou artroplastia total de quadril esquerdo há 5 anos.
Ao exame físico, regular estado geral, corada, desidratada, T axilar: 36ºC, FC: 88bpm, PA: 128x78mmHg, FR: 24imp; ausculta cardíaca e respiratória sem alterações; abdome distendido, tenso, com dor à palpação difusa e com descompressão brusca negativa; toque retal sem alterações. Foi realizada radiografia de abdome. Indique a conduta cirúrgica mais adequada, caso a paciente não apresente melhora com o tratamento clínico instituído no Pronto Socorro
(A) Lavagem intestinal no centro cirúrgico
(B) Peritoneostomia descompressiva.
(C) Videolaparoscopia para reversão do volvo.
(D) Retossigmoidectomia com colostomia.
Resposta comentada
Dica do autor: paciente idosa, com quadro de abdome agudo obstrutivo clássico, distensão importante de cólon na radiografia e perda ponderal recente. A principal hipótese diagnóstica deve ser obstrução por tumor de cólon, certo? E qual o tratamento?
- A: INCORRETA. A lavagem fica reservada para casos de fecaloma, quadro em que esperaríamos encontrar alterações no exame físico (como palpação de massa abdominal ou toque retal com fezes em ampola), ou até mesmo radiografia com imagem radiopaca em trajeto retal.
- B: INCORRETA. A peritoneostomia descompressiva é utilizada em último caso, quando há síndrome compartimental abdominal.
- C: INCORRETA. Não há volvo em raio-x, nem história de cirurgia abdominal, que falaria a favor de bridas e consequente formação de volvo.
- D: CORRETA. Precisamos ressecar o cólon com o tumor.
Resposta: alternativa D.
Questões comentadas de pediatria da prova do SUS-BA
(SUS – BA – SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – BAHIA, 2023)
Menino, 2 anos de idade, é levado à UPA com relato de sonolência, náuseas e vômitos há 50 minutos. Após início do quadro, foi constatado que o menor ingeriu bolinhas de naftalina. A genitora informa ter colocado o produto, há dois dias, na gaveta que se encontrava aberta; que as bolinhas estavam em um pacote com 5 unidades, de menos de 1 cm de diâmetro, e que 3 delas foram encontradas. Ao exame, criança hipoativa, hidratada, eupneica, corada, afebril. Observa-se hipersalivação. Sem outros achados anormais no momento. O paciente, em questão, pode apresentar complicação decorrente de:
(A) Lesões cáusticas pela acidez.
(B) Lesões cáusticas pela alcalinidade.
(C) Síndrome hipercolinérgica.
(D) Metahemoglobinemia com cianose.
Resposta comentada
Dica do autor: Estamos diante de uma criança de 2 anos que evoluiu com sonolência, náuseas e vômitos após 50 minutos da ingestão de bolinhas de naftalina. As pastilhas de naftalina são utilizadas como desodorizantes sanitários ou repelentes contra insetos e podem ser compostas por naftaleno, paradiclorobenzeno e ou cânfora.
A absorção dessas substâncias pode ocorrer por via oral, inalatória e até cutânea. A intoxicação aguda está mais associada ao naftaleno, que gera um metabólito tóxico, o alfa-naftol.
Os sintomas mais comuns são náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia, cefaleia e febre, mas a intoxicação por naftaleno também pode cursar com anemia hemolítica aguda, principalmente em portadores de deficiência da glicose-6-fosfato-desidrogenase (G6PD).
Outra possível complicação da intoxicação por naftaleno é a síndrome metemoglobinêmica, que decorre de um aumento dos níveis de metemoglobina, forma oxidada da hemoglobina que apresenta o ferro da porção heme oxidado no estado férrico (Fe3+), tornando-se incapaz de se ligar ao oxigênio e de liberar o oxigênio aos tecidos periféricos.
Como consequência, aparecem sintomas decorrentes da hipóxia tecidual, como cianose cinza-acastanhada resistente à administração de oxigênio, taquicardia, irritabilidade, convulsões, cefaleia, confusão mental, dispneia e depressão neurológica.
O diagnóstico é feito pela dosagem dos níveis de metemoglobina, sendo que níveis superiores a 15% são os mais associados a ocorrência de sintomas tóxicos. Além da ingestão inadvertida de naftalina, outros medicamentos também podem estar associados como as sulfonas, dapsona, nitratos e nitritos, sulfonamidas, metoclopramida, anestésicos locais, nitrofurantoína e óxido nítrico.
Resposta: alternativa D.
Questões comentadas de ginecologia e obstetrícia do SUS-BA
(SUS – BA – SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – BAHIA, 2023)
Jovem, de 30 anos de idade, esteve em viagem na Índia há 2 meses. Refere aparecimento de 2 úlceras na região inguinal direita há 4 semanas. Tais úlceras não são acompanhadas de dor local. Relata que, antes das úlceras, apresentou no mesmo local nodulações. Não apresenta comorbidades nem possui outras queixas. Ao exame físico, visualizada a presença de 2 ulcerações em espelho, de borda plana, bem delimitadas e com fundo granuloso vermelho vivo e sangramento fácil. Diante do quadro, indique a principal hipótese diagnóstica:
(A) Cancro mole.
(B) Sífilis.
(C) Lesão herpética.
(D) Donovanose.
Resposta comentada
Dica do autor: Questão bem difícil sobre úlceras genitais. Sempre lembramos das 2 mais comuns: cancro duro e herpes. E o quadro da paciente não é compatível com nenhuma das duas. Então a dúvida está entre Donovanose e Cancro Mole. Vamos analisar as características esperadas para cada lesão.
- A: INCORRETA. A clínica do cancro mole geralmente aparece como múltiplas lesões (autoinoculação), dolorosas, com borda irregular, base amolecida, contornos eritematoedematosos, fundo irregular, recoberto por exsudato necrótico, amarelado, fétido. Pode iniciar como uma pápula e depois sofrer um processo de ulceração.
- B: INCORRETA. A lesão da sífilis primária (cancro duro) é uma úlcera única, indolor com bordas bem delimitadas, base endurecida, fundo limpo e cor rosa-avermelhada.
- C: INCORRETA. A lesão da herpes começa com vesículas agrupadas sobre base eritematosa, evoluindo para pequenas úlceras arredondadas, dolorosas, com bordas lisas. Depois, são recobertas por crostas sero-hemáticas até a cicatrização.
- D: CORRETA. A Donovanose é causada pela Klebsiella granulomatis. Acomete preferencialmente pele e mucosas das regiões genitais, perianais e inguinais. Sua lesão característica é em úlcera múltipla, indolor, com borda plana, bem delimitada, fundo granuloso, vermelho vivo, friável. Evolui para extensa destruição tecidual, com cicatrizes retráteis, deformidades cutâneas e estase linfática.
Resposta: alternativa D.
Questões comentadas de preventiva da prova do SUS-BA
(SUS – BA – SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – BAHIA, 2023)
A Regulação de pacientes é uma ferramenta de democratização do acesso que possibilita, por exemplo, a um paciente do município de Barreiras, oeste da Bahia, ter o mesmo direito de ser internado no Hospital Geral do Estado, localizado em Salvador, na capital do Estado, que um paciente que está na emergência do hospital. A decisão de internação será pautada na gravidade do caso e não pela proximidade do paciente. É um sistema criado para gerir vagas hospitalares e outras necessidades de pacientes dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), utilizando critérios internacionalmente estabelecidos. O critério de Manchester, utilizado universalmente para priorizar os pacientes, considera:
(A) O tempo de espera para internação, ordenando com números.
(B) A gravidade geral do caso, classificando com cores.
(C) As necessidades de cuidados especiais, estadiando em letras.
(D) O número de comorbidades associadas, classificando com cores.
Resposta comentada
Dica do autor: o Protocolo de Manchester é um sistema de triagem de pacientes que os classifica em cores distintas a partir da gravidade do quadro. Um paciente vermelho significa uma emergência que precisa receber atendimento de imediato. O paciente amarelo representa uma urgência, que deve receber atendimento em menos de uma hora. Há outras cores, mas o conceito envolve a gravidade e o tempo máximo permitido de espera a que esse paciente pode ser submetido.
Resposta: alternativa B.
Alcance sua aprovação no SUS-BA
Se você deseja ter acesso à todas as questões da prova do SUS-BA, separada por anos, área do conhecimento, assunto e mais, acesse nossa plafatorma da Sanar Residência Médica. Lá você encontra tudo isso e ainda vídeos aulas, resumos e materiais gratuitos. Não perca tempo!
Clique no imagem abaixo e fique por dentro:
Sugestão de leitura complementar
- Como estudar por questões para residência médica da forma correta?
- Confira questões comentadas da prova da UNICAMP
- Edital de residência médica: quais são os pontos mais importantes?
- Confira questões comentadas da prova do SUS-SP
- Confira questões comentadas da prova do ENARE





