Comunicar-se é se relacionar com o outro de modo a realizar habilidades e técnicas relacionadas à comunicação verbal e não verbal. E, quando ligada a notícias difíceis, engloba qualquer informação com capacidade de modificar, de forma negativa, a vida e/ou o cotidiano do paciente e/ou familiares.
Atributos do bom comunicador
Para que o processo de comunicação de notícias difíceis se dê de forma adequada, é necessário que o comunicador possua a plena empatia com o paciente, demonstrando uma relação de confiança e de capacidade de escutar o que o outro diz. Nesse processo, a habilidade de compreender as dores e as aflições, tanto do paciente quanto dos familiares é de fundamental importância. Para isso, lança-se mão do trabalho em equipe e da construção da comunicação que transpassa a aceitação da informação, compreendendo que tempo de escuta é tempo de cura.
Características do comportamento empático
- Contato com os olhos;
- Ouvir atentamente;
- Permanecer em silêncio para ouvir;
- Sorrir;
- Manter suavidade na voz;
- Corpo na direção de quem fala.
Aspectos emocionais
Sobre as emoções observadas em quem recebe a notícia difícil, sentimentos de tristeza, de autoimagem e de autoestima alteradas, o medo de incapacidade e de deterioração física devem ser notados pelo comunicador e, desse modo, acatados da forma mais sensível possível. Além disso, deve-se estar atento, também, ao medo que o paciente pode apresentar relacionado à dor, ao receio de estar sozinho no momento da morte, e ao luto pelas perdas antecipadas.
Comunicação ao final da vida
Torna-se extremamente válido que o comunicador conheça os problemas ligados ao indivíduo. Assim como, os anseios, os temores e as expectativas do paciente. Isso ajuda a aliviar os sintomas de maneira a melhorar a autoestima deste. Além disso, oferecer informações verídicas, por conduta delicada e progressiva, conforme as necessidades de quem recebe a notícia. Outro ponto primordial é identificar o que pode possibilitar o bem-estar, tendo conhecimento sobre fatores culturais e, inclusive, espirituais.
Ao se respeitar a autonomia do paciente, a relação entre este e o profissional comunicante melhora as relações com os entes queridos. Assim, ajuda nesse processo, identificar as necessidades familiares, dando tempo e possibilidade para a resolução de assuntos pendentes. O paciente precisa se sentir cuidado e acompanhado até o fim, tendo suas incertezas sanadas ao máximo, ao enfrentar a vivência do processo de morte.
Protocolo SPIKES
O protocolo SPIKES é um método utilizado para a comunicação de notícias ruins tanto aos pacientes, quanto aos familiares. Ele descreve, didaticamente, seis etapas que devem ser seguidas pelo comunicante. De forma geral:
- S= Setting up (preparando você e o ambiente);
- P= Perception (percebendo o paciente);
- I= Invitation (convidando para o diálogo);
- K= Knowledge (transmitindo as informações);
- E= Emotions (expressando emoções);
- S= Strategy and Summary (resumo e organização de estratégias).
Esse protocolo apresenta-se demasiadamente útil, por ser completo e de fácil compreensão. Relacionando, ainda, pontos fundamentais para a transmissão de notícias difíceis.
Comunicação progressiva
Ao comunicador, cabe a preparação antes de se transmitir notícias ruins. Investigando o grau de conhecimento do paciente sobre seu estado de saúde, o quanto ele quer e/ou aguenta saber. Assim, compartilha-se a informação, acolhe-se os sentimentos, e planeja-se o seguimento adequadamente.
Necessidades espirituais e estratégias de comunicação
Aspectos espirituais: Reflexões ou questionamentos sobre o significado da vida, as preocupações com o legado, o resgate de relacionamentos. Questionamentos sobre a morte e o pós-morte, e a redefinição de dor e sofrimento;
Necessidades relacionadas: Construir um sentido para a vida e a própria existência. Agradecer e demonstrar amor a pessoas importantes, e praticar o perdão. Despedir-se, e estreitar as relações com o Ser Supremo reafirmando crenças;
Estratégias de comunicação: Ouvir atenciosamente, estimulando reflexões e a expressão de sentimento. Se possível, permitir reencontros, a conversa com familiares, em ambiente agradável. Utilizar toques afetivos para demonstração e compreensão, respeitar.
O papel de comunicar notícias ruins é tarefa complexa, porém, de extrema importância. O principal impasse é, justamente, a falta de informação e de preparo no qual o profissional de saúde, juntamente com a equipe multiprofissional, pode apresentar. Algumas técnicas, como o protocolo SPIKES pode ser utilizado para facilitar e organizar a comunicação de notícias difíceis. Assim, o comunicante pode fazer a busca de habilidades e ferramentas que auxiliem no andamento da comunicação. Para, com isso, permitir ao paciente e/ou familiares o compartilhamento de medos, das dúvidas, e dos sofrimentos. Desse modo, a figura do comunicante torna-se capaz de minimizar o estresse psicológico, garantido a autonomia do sujeito comunicado.

Autor: Luciano Guimarães
@luciano_guifer
Acadêmico de Medicina