Não sabe como fazer a comunicação de más notícias à pacientes e familiares? Preparamos um artigo completo para te ajudar!
Boa leitura.
Comunicação de más notícias
Existem quatro pilares que norteiam os cuidados paliativos: a boa comunicação entre equipe e paciente e familiares; o controle apropriado dos sintomas; trabalho em equipe multiprofissional; e apoio a família no processo de morte e durante o luto.

Sendo a comunicação uma das bases que possibilita a boa prática dos cuidados paliativos, é necessário que a equipe multiprofissional desenvolva uma boa comunicação de más notícias com o paciente e sua família, bem como que se permita conhecer as preocupações do paciente e conversar com ele sobre sua condição de saúde.
A falta de conhecimento técnico sobre sua doença, possibilidades de tratamento e evolução causam angustia no paciente e nos cuidadores e geram expectativas falsas que, quando não alcançadas, levam a frustração.
Para evitar isto, os profissionais de saúde precisam saber fazer uma boa comunicação de más notícias, informar sobre a doença, seus sintomas, sua gravidade, as possíveis formas de manejo e o prognóstico, para que o paciente tenha a possibilidade de planejar seu futuro.
A comunicação estabelecida entre equipe-paciente-família é de grande importância para um melhor estabelecimento das ações terapêuticas e permite que o paciente exerça sua autonomia e, consequentemente, reduza sua ansiedade e melhore a adesão ao tratamento, gerando melhor qualidade de vida.
Neste âmbito, a comunicação de más notícias se torna um desafio dentro dos cuidados paliativos, que precisa ser vivenciado pela equipe multiprofissional de forma a diminuir a dor e o sofrimento do paciente e seus acompanhantes.
Conceito de Comunicação
A comunicação é o ato que envolve a transmissão e recepção de uma mensagem. É um processo complexo e subjetivo que envolve a codificação da mensagem pelo emissor e decodificação pelo receptor.
O objetivo da comunicação é estabelecer uma boa compreensão entre as pessoas. Porém, em alguns casos esse entendimento não acontece, por fatores como nível de cognição e instrução que interferem na qualidade do entendimento.
Muitos fatores interferem na forma e na qualidade da comunicação com o paciente, como as abordagens escolhidas pelo serviço, a idade, o ambiente cultural, o nível de cansaço, a religiosidade, a expectativa, o nível de compreensão e o treinamento recebido pelo cuidador.
Alguns estudos mostram que a forma como a informação é passada é mais lembrada pelo paciente do que a notícia em si. Assim, a comunicação da má notícia precisa ser feita de forma cautelosa. O profissional deve ser honesto, mas não pode deixar o paciente desesperançoso. Precisa ser solidário, mas ao mesmo tempo, profissional.
Quando é necessário comunicar uma má notícia, o médico se encontra em uma situação complicada. A família e o paciente estão aguardando uma possibilidade de cura e melhoria e o sentimento de frustração é comum quando isto não acontece.
Os profissionais de saúde também apresentam dificuldades para lidar com os sentimentos vivenciados pela família, quando precisam dar uma notícia desagradável e geralmente vivenciam desconforto, medo e ansiedade.
Os médicos também apresentam certa dificuldade em lidar com seus próprios sentimentos. Existe uma confusão entre empatia e a falta de limite profissional, fazendo com que os sentimentos sejam vistos como erros cometidos, dificultando a comunicação. Demonstrar os sentimentos não é errado e muitos pacientes consideram que é o mais adequado a ser feito nesse tipo de situação. Além das dificuldades já citadas, a informação deve ser transmitida baseada nos princípios fundamentais da bioética: beneficência, autonomia, justiça e não maleficência.
Existem duas dimensões da comunicação: a linguagem verbal e a linguagem não verbal. Na verbal, a mensagem é transmitida de forma nítida, utilizando códigos que o receptor possa entender. As palavras utilizadas devem estar adequadas para o nível escolar e cognitivo de receptor. A mensagem deve ser específica, dando os detalhes necessários para compreensão, e não pode ser punitiva, evitando transpassar censura, sarcasmo ou raiva ao falar.