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Complicações pós traumatismo cranioencefálico (TCE)

complicações pós TCE

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As complicações pós traumatismo cranioencefálico (TCE) ocorrem quando um trauma repentino danifica e interrompe o funcionamento normal do cérebro. O TCE pode gerar profundos efeitos físicos, psicológicos, cognitivos, emocionais e sociais.

Convulsões pós-traumáticas

As convulsões pós-traumáticas ocorrem geralmente após TCE moderado ou grave. As convulsões são gerais ou parciais, as de ausência são incomuns.

  • Crises imediatas ocorrem nas primeiras 24 horas pós trauma.
  • Convulsões iniciais ocorrem nos primeiros 2 a 7 dias.
  • Convulsões tardias ocorrem após 7 dias.

Os fatores de risco são:

  • Alcoolismo crônico
  • Idade avançada
  • Histórico de convulsões

Aproximadamente 50% dos pacientes com esses fatores de risco desenvolvem convulsões pós-traumáticas tardias no primeiro ano após a lesão.

Embora alguns estudos afirmem que a fenitoína é uma droga eficaz na prevenção de convulsões na primeira semana após um TCE, cerca de 50% dos pacientes com TCE têm convulsão tardia independente do uso de fenitoína.

Hidrocefalia

A hidrocefalia comunicante é a forma mais comum após o TCE e ocorre quando a obstrução é no espaço subaracnóideo.

Pacientes com hidrocefalia podem apresentar náuseas, vômitos, cefaleia, papiledema, demência, ataxia e/ou incontinência urinária. O diagnóstico é baseado na suspeita clínica, diagnóstico por imagem e cisternografia radioisotópica. O tratamento geralmente consiste em punção lombar ou colocação de derivação ventricular.

Trombose venosa profunda

A trombose venosa profunda (TVP) tem uma incidência de até 54% em pessoas com TCE.

Os fatores de risco para TVP em pacientes com TCE são:

  • imobilidade
  • fratura de membros inferiores
  • paralisia
  • interrupção da coagulação
  • fibrinólise

A ultrassonografia Doppler é o exame de imagem mais utilizado para auxilio diagnóstico da TVP, devido ao baixo risco de efeitos adversos em relação à venografia.

A profilaxia para TVP deve ser iniciada o mais breve possível. As medidas incluem meias de compressão elástica, compressão pneumática intermitente, filtros de veia cava, varfarina, heparina não fracionada e/ou heparina de baixo peso molecular (HBPM).

O tratamento para TVP e/ou embolia pulmonar em pacientes com TCE é semelhante ao tratamento para a população geral. O tratamento geralmente consiste na administração de um anticoagulante de ação imediata (HNF ou HBPM), seguido de anticoagulação crônica com varfarina (INR 2-3). A heparina ou HBPM devem ser continuados até que o INR desejado seja alcançado e estável. 

O uso de anticoagulação no paciente com TCE pode aumentar o risco de hemorragia intracerebral, por isso, cada paciente deve ser avaliado quanto ao risco de hemorragia intracerebral e de queda.

Ossificação heterotópica

A ossificação heterotrópica é definida como uma formação óssea ectópica no tecido mole ao redor das articulações.

Geralmente a ossificação heterotópica causa dor nas articulações e reduz a amplitude do movimento. Pode estar associada a febre, edema, calor e eritema peri-articular.

Ocorre nos quadris, joelhos, cotovelos, ombros, mãos e coluna vertebral.

Os fatores de risco relacionados à ossificação heterotópica em pacientes com passado de TCE são:

  • coma pós-traumático com duração superior a 2 semanas
  • espasticidade dos membros
  • diminuição da mobilidade

O risco é maior nos 3 a 4 meses após o TCE.

Três modos radiológicos são úteis para diagnosticar ossificação heterotópica: radiografia simples, ultrassonografia e varredura óssea em três fases.

A fosfatase alcalina e as taxas de hemossedimentação podem estar elevados nessa condição, mas são marcadores inespecíficos.

Os AINEs e o etidronato podem ajudar no controle da dor. 

A ossificação heterotópica pode resultar em prejuízo funcional e os pacientes podem necessitar de excisão cirúrgica.

Espasticidade

A espasticidade é mais frequentemente encontrada em lesões dos neurônios motores superiores, já a rigidez é mais comum em distúrbios dos gânglios da base. A morbidade associada à espasticidade é variável. Em algumas pessoas, a espasticidade pode auxiliar na extensão da perna para caminhar ou na flexão do dedo para agarrar.

O tratamento de primeira linha para espasticidade envolve o posicionamento correto do segmento corporal acometido e exercícios de amplitude de movimento. Os de segunda linha incluem imobilização, gesso e outras modalidades.

Complicações gastrointestinal e do trato urinário

São as complicações pós TCE mais comuns.

As complicações gastrointestinais mais encontradas são: úlcera de estresse, disfagia, incontinência intestinal e níveis elevados em testes de função hepática. A constipação e mobilidade prejudicadas são frequentemente as causas da incontinência intestinal. O uso de amaciantes de fezes orais, laxantes e supositórios retais pode facilitar a evacuação intestinal completa e melhorar a incontinência.

As complicações do trato urinário incluem estenoses uretrais, infecções do trato urinário e incontinência urinária. Uma avaliação apropriada para avaliar os sintomas do trato urinário e descartar infecção é indicada.

A micção cronometrada (paciente ser levado ao banheiro a cada 2 horas durante o dia) é uma tentativa para auxiliar a controlar a incontinência por transbordamento.

Na incapacidade de urinar ou evacuar completamente, o uso de cateter intermitente pode ser necessário durante o período de recuperação aguda.

Outras complicações pós TCE

Deficiências físicas, cognitivas e comportamentais ao longo prazo são os fatores que mais comumente limitam a reintegração do paciente à comunidade.

A insônia, ansiedade e depressão são complicações presentes em alguns indivíduos pós TCE, assim como declínio cognitivo, cefaleia e abuso de substâncias.

Perguntas Frequentes:

1 – Quais são as principais complicações pós TCE?

Convulsões, hidrocefalia, TVP, ossificações heterotópicas, espasticidade muscular, complicações gastrointestinais e do TGI, além de insônia, ansiedade, depressão, declínio cognitivo e cefaleia.

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Referências

Taylor CA, Bell JM, Breiding MJ, Xu L. Visitas, Hospitalizações e Mortes ao Departamento de Emergência Relacionada a Lesões Cerebral Traumáticas – Estados Unidos, 2007 e 2013. MMWR Surveill Summ . 17 de março de 2017. 66 (9): 1-16.

Pangilinan P. Classificação e complicações de lesão cerebral traumática. Medscape 2020. Disponível em: https://emedicine.medscape.com/article/326643 Medscape. Acesso em 23 de julho de 2021.

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