O Dispositivo Intrauterino (DIU) é um método contraceptivo altamente eficaz e amplamente utilizado, sendo preferido por muitas mulheres devido à sua durabilidade e eficiência. Contudo, a inserção e o uso prolongado do DIU podem levar a complicações que requerem atenção médica.
Para conduzir esses casos no consultório, é essencial que os profissionais de saúde estejam bem preparados para identificar, avaliar e tratar essas complicações adequadamente.
Tipos de DIU
Inicialmente, é importante reconhecer os tipos de DIU disponíveis, já que isso pode influenciar nas complicações observadas. O DIU de cobre, por exemplo, é um dispositivo não hormonal que atua criando um ambiente hostil para os espermatozoides.
Por outro lado, o DIU hormonal, que libera levonorgestrel, além de criar uma barreira física, também espessa o muco cervical e afina o endométrio. Essa diferenciação é crucial, pois algumas complicações estão mais associadas a um tipo específico de DIU.
Leia mais sobre os tipos de DIU
Expulsão do DIU
A expulsão do DIU é mais comum nos primeiros meses após a inserção, com uma incidência que varia entre 2% a 10%. Fatores de risco incluem idade jovem, menorragia, nuliparidade, inserção pós-parto recente e inserção durante o período menstrual.
Identificação e manejo
Os sintomas de expulsão incluem dor abdominal, sangramento anormal e percepção do DIU na vagina. A confirmação é feita através de exame físico e ultrassonografia. Se a expulsão for parcial, o DIU deve ser removido.
Em casos de expulsão completa, a reinserção de um novo DIU pode ser considerada após avaliação das condições uterinas e do risco de nova expulsão.
Perfuração uterina
A perfuração uterina ocorre em aproximadamente 1 a 2 em cada 1000 inserções. Ela pode ser assintomática ou manifestar-se por:
- Dor intensa
- Sangramento anormal
- E, ocasionalmente, sintomas de abdome agudo.
A confirmação diagnóstica geralmente requer ultrassonografia transvaginal ou histeroscopia, e em alguns casos, laparoscopia.
Tratamento
A remoção do DIU é mandatória em casos de perfuração. Em casos complexos, a intervenção cirúrgica pode ser necessária para reparar danos uterinos ou remover o DIU de locais adjacentes.
Infecções pélvicas
Infecções pélvicas após a inserção do DIU são raras, mas podem ocorrer, especialmente nas primeiras semanas. Os sintomas incluem febre, dor pélvica, secreção vaginal purulenta e mau odor.
Diagnóstico e tratamento
A avaliação deve incluir exame clínico, cultura de secreções cervicais e ultrassonografia, se necessário. O tratamento inicial inclui antibioticoterapia empírica cobrindo os patógenos mais comuns. Em casos severos ou abscessos, pode ser necessária a remoção do DIU.
Sangramento irregular e dor pélvica
Sangramento irregular e dor pélvica são mais comuns com o DIU de cobre. Estes sintomas geralmente ocorrem nos primeiros meses após a inserção e podem incluir menorragia e dismenorreia.
Manejo
A orientação sobre os efeitos colaterais esperados é essencial. Dessa forma, o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) pode ajudar a controlar a dor e o sangramento excessivo. Além disso, em casos persistentes ou severos, a substituição do DIU por um modelo hormonal pode ser considerada.
Translocação ou perda do DIU
A translocação do DIU, onde o dispositivo se move para fora do útero, é rara, mas pode ter consequências sérias. Os sintomas incluem dor abdominal severa e sinais de obstrução intestinal. Realiza-se a confirmação através de radiografia abdominal ou tomografia computadorizada.
Tratamento
A remoção cirúrgica do DIU é necessária. Frequentemente utiliza-sea laparoscopia para localizar e remover o dispositivo.
Prevenção de complicações do DIU
Para prevenir complicações associadas ao uso do DIU, a seleção criteriosa das pacientes é essencial. É necessário avaliar fatores de risco para complicações e informar as pacientes de forma detalhada sobre os riscos e benefícios do DIU. Além disso, a inserção adequada do DIU também minimiza complicações. Dessa forma, este procedimento deve ser realizado por profissionais capacitados, que sigam técnicas estéreis rigorosas para garantir a segurança da paciente.
O acompanhamento regular das pacientes é igualmente importante. A monitoração da posição do DIU e a detecção precoce de complicações são fundamentais para o sucesso do método contraceptivo. Deve-se orientar as pacientes a relatar imediatamente qualquer sintoma anormal que possam experienciar.
Por fim, a educação das pacientes sobre os sinais e sintomas de possíveis complicações é fundamental. Elas devem estar bem informadas sobre quando procurar atendimento médico e como proceder em caso de expulsão parcial ou completa do DIU.
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Esteja apto para manejar paciente com DIU
Como profissional de saúde, você sabe que a prática da ginecologia exige uma atualização constante e um profundo conhecimento dos métodos contraceptivos mais utilizados. O Dispositivo Intrauterino (DIU) é uma escolha popular entre as pacientes devido à sua eficácia e durabilidade. No entanto, as complicações associadas ao seu uso podem representar desafios significativos no consultório.
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Referências bibliográficas
- SILVA, Ana Carolina Japur de Sá Rosa e. Conceito, epidemiologia e fisiopatologia aplicada à prática clínica. Femina, vol. 47, n. 9, p. 519-523, 2019.
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