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Como praticar a empatia em conversas | Colunistas

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Imagine a
seguinte situação:
Você está entrando
em seu horário de almoço em uma Unidade Básica de Saúde, e chega uma paciente
não agendada queixando-se de “problemas emocionais e insônia”, alegando
precisar de imediato de uma consulta médica. Durante o início da conversa, a
ela já demonstra estar chorosa e inicialmente hesita ao responder algumas de
suas perguntas. Como manejaria esse atendimento? O que isso tem a ver com
demonstrar empatia?

Este
artigo tem por objetivos: descrever o que é empatia, demonstrar como fazer para
desenvolvê-la e aprimorá-la, e mostrar como essa qualidade pode servir para seu
crescimento e desenvolvimento pessoal.

O QUE É EMPATIA?

A
relação médico-paciente (RMP) é um dos eventos centrais da arte médica. Antigamente,
devido à escassez de recursos para detectar as diversas patologias, a medicina
era bastante centrada no bom desenvolvimento dessa relação e a entrevista
possuía papel central. Porém, com a evolução dos métodos diagnósticos e a
informatização da medicina, essa relação tendeu a fragilizar-se cada vez mais.
Nesse viés, para manter esse fator chave para o diagnóstico de doenças, a empatiase torna um dos componentes principais
que auxiliam em seu fortalecimento (AGUIAR et al., 2009; NOGUEIRA, 2019).

A
própria definição do que é empatia é muito discutida e diversos autores
apresentam diferentes conceitos. Por exemplo, Rogers (1992) define a empatia
como sendo um sentimento de sensibilização pelas mudanças
enfrentadas pela pessoa. Já Davis (1994) define a empatia como sendo um
processo influenciado por fatores afetivos, cognitivos e comportamentais,
envolvendo a experiência vivida por parte do médico e do paciente.

Portanto,
em termos simples, pode-se chegar ao consenso de que a empatia não envolve
apenas entender a situaçãoenfrentada
durante o ato de adoecer, mas também compartilhar o sentimento por trás
disso, como se este lhe pertencesse. Logo, não é tão simples assim nos tornamos
médicos empáticos, é necessário um esforço constante em prol disso (COSTA et al.,
2017).

SINAIS INDIRETOS DE EMPATIA

A
anamnese é um dos momentos que o médico pode utilizar para quebrar muitos
paradigmas em relação à postura e ao papel desempenhado por médico e paciente.
Como isso pode ser feito logo ao início da consulta? Ao cumprimentar o paciente
de modo cordial, por utilizar o olhar e o sorriso, os sentimentos de medo,
ansiedade e angústia sentidos por ele poderão ser deixados de lado (COSTA;
AZEVEDO, 2010). As emoções não são transmitidas apenas por palavras, mas também
por expressões faciais, gestos e pelo tom de voz utilizado. Portanto, atentar-se
ao modo como expressa esses sinais indiretos é de suma importância.

SER, ANTES DE
TUDO, UM BOM OUVINTE

Ouvir
é uma arte e envolve muito mais do que prestarmos atenção no que os outros
falam. Envolve nos esforçarmos para entender
o que o outro relata.

Mas
como fazer isso, na prática? Ao ouvirmos o paciente, podemos demonstrar atenção
por falarmos frases como: “Sinto muito que tenha tido que passar por isso!”, ou
“Deve ser muito ruim ter que lidar com essa situação”. Perguntas também podem
fazê-lo sentir que você está se esforçando para ouvir: “Pelo que entendi, você
sente…. Certo?”, “Você pode me explicar como você lida com isso?”, “Como você
tem conseguido superar os efeitos causados por essa doença?”.

Outro
método eficaz é fazermos uma revisão
ao final da anamnese. A isso, o método clínico chama de “Lista de Problemas e
definição do estímulo iatrotrópico”, uma ocasião em que o médico revisa os
questionamentos feitos durante a entrevista, confirma as suas reais intenções ao
adentrar a consulta e garante que todas as suas queixas foram ouvidas. Isso
auxilia a garantir ao paciente que ele está sendo ouvido, e que suas queixas
são preocupação do médico responsável.

Essas
simples perguntas e comentários feitos durante a consulta com o objetivo de
entender a situação do paciente podem abrir portas para ele expressar sintomas
que somente por meio de questionários dirigidos não seria possível.

SER UM BOM OBSERVADOR

Nem
todas as pessoas se sentem à vontade para expressar abertamente seus
sentimentos, ainda mais quando se trata de uma conversa com alguém que não
possui convivência. Por isso, quem é um observador atento consegue notar quando
o paciente está ferido emocionalmente, quando ele está sofrendo alguma agressão
de ordem física/psicológica e quando outros sinais indiretos de sua doença se
apresentam. Isso também faz parte da demonstração de empatia.

USAR A IMAGINAÇÃO

Uma
das maneiras mais práticas de estimular o desenvolvimento da empatia é por
imaginar como seria estar naquela situação. Por isso, é apropriado se
perguntar: “Como eu me sentiria se estive no lugar desse paciente? Será que
agiria de forma diferente? O que esperaria do atendimento prestado pelo
médico?”. Ao analisarmos esses questionamentos, podemos mudar o nosso modo de
agir frente a diversas situações.

PRÁTICAS QUE PODEM COMPROMETER A EMPATIA

Por
outro lado, caso a RMP tenha uma base ruim, até mesmo a aderência terapêutica
será comprometida. Uma das práticas que podem afetar diretamente a empatia é o
ato de “cortar” a fala do paciente ao perceber que este se desviou do assunto
principal da consulta. Ao fazer a primeira pergunta propiciatória (que pode ser
“Qual o motivo de sua visita hoje?”), é recomendado que seja lhe dada fala
livre para se expressar e, logo após, o médico direcione as perguntas em prol de
suas queixas. Cortar esse momento inicial pode acanhá-lo e dificultar o
andamento das anamnese.

Outras
atitudes que devem ser evitadas: despreparo na comunicação de más notícias,
apatia e descaso ao ouvir relatos de sofrimento, não realizar contato visual
durante a consulta, prescrever terapêuticas ou exames complementares que
estejam fora de sua realidade, não informar o paciente sobre aspectos
importantes de sua doença, entre outras.

PENSAMENTO EMPREENDEDOR

Com
uma simples demonstração de empatia, ao usar perguntas apropriadas, escutar e
observar ações indiretas, você pode se tornar um médico empático. Que
benefícios isso traz?

Para
os médicos com pensamento empreendedor, formar um vínculo com os pacientes é um
ação de suma importância para desenvolver relacionamentos duradouros. Um bom
atendimento pode abrir as portas para o sucesso profissional. Por isso, os
diversos fatores devem ser pesados: a competitividade cada vez mais crescente entre
profissionais, a desconfiança por parte dos pacientes que buscam atendimento em
médicos que os trate bem, além da tendência à impessoalidade crescente por
parte dos médicos, haja vista a crescente demanda por atendimentos e o
decréscimo na qualidade destes.

O
Dr. Fábio Zanatta citou a importância do feedback
por parte dos pacientes e também de diversas outras práticas que contribuem
para uma boa gestão financeira no meio médico. Para acessar seu texto na
íntegra, clique aqui (https://www.sanarmed.com/gestao-e-gerenciamento-financeiro-para-medicos-colunistas).

CONCLUSÃO

Pode
ser que não sejamos pessoas empáticas por natureza. Mas, se nos esforçarmos em
sermos bons ouvintes, observadores e usarmos a imaginação, poderemos “ganhar” nosso
paciente e desenvolver com ele uma sólida RMP.

Como demonstrar empatia no caso do início do texto?

ESCUTA ATIVA E SER OBSERVADOR: Ao questionar o motivo da consulta ela diz: “Vim para não ser expulsa de casa”. Você então questiona: “Sua situação emocional vem piorando?”. A sua mãe então afirma: “Ela só fica presa no quarto, com as luzes apagadas, cortina fechada, quase não sai para comer ou para banhar e está sempre abatida”. Você pergunta à sua paciente: “Como se sente ouvindo tudo isso?”. Ela responde: “Eu sou assim desde sempre, é o meu jeito”. Você questiona: “Desde sempre quando?”. A mãe então lhe diz: “Doutor, ela é assim desde pequena. Seu pai era um bêbado, batia nela, levava ela para os bares e se embriagava, e ela via tudo aquilo. Para piorar, antes de morrer, ele disse que a culpa era dela por ele estar morrendo. Aos 12 anos ela tentou o suicídio.”.

OBSERVAR SINAIS INDIRETOS E SE COLOCAR NO LUGAR DA PACIENTE: No início da consulta, a paciente estava apática, não demonstrava muito sentimentalismo para com a mãe, mas ao você questionar sobre o início de suas atitudes atuais, e sua mãe discorrer sobre sua infância dolorosa e seu péssimo relacionamento com seu falecido pai, ela enche os olhos de lágrimas, não chegando a chorar. Você então diz à paciente: “Será que esse é mesmo seu jeito, ou esse foi o modo que aprendeu a usar para se proteger de tudo o que passou? Como gostaria que eu a ajudasse?”. Ela responde: “Uns exames?”. Você diz: “O que acha de iniciarmos um tratamento com remédios? Vou deixar também um dever: Como você mora perto da praia, você vai sair pelo menos uma vez na semana para limpar a mente, por no mínimo uns quinze minutos. O que acha?”. “Seria ótimo”. “Vamos marcar também uma consulta ao psiquiatra, pode ser?”. “Pode sim, e que dia marco o retorno com você?”. (ROCHA, 2017, adaptado)

Felipe
Vanderley Nogueira – Estudante de Medicina

INSTAGRAM: @fel.vand

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