As receitas caseiras para o cabelo ensinadas na internet são um verdadeiro terror na vida dos dermatologistas. Por promessas de acabar com a caspa de forma natural e ter cabelos sedosos, as pessoas podem acabam provocando ou piorando doenças capilares.
A Sanar convidou a dermatologista Gabriela Nöronha para falar sobre a temática em uma mini entrevista. Ela é coordenadora da pós em dermatologia Sanar.
A Dra. deu dicas valiosas de como os médicos devem orientar seus pacientes diante do uso de receitas caseiras.
Confira a entrevista sobre problemas capilares e o uso de receitas caseiras para o cabelo
1- Quais são os problemas capilares mais comuns?
Os problemas capilares mais comuns são:
- Eflúvio telógeno, que nada mais é do que a queda capilar sazonal. Ocorre devido a alguma estresse físico ou emocional ou secundário a uma deficiência nutricional ou alguma doença, seja aguda ou crônica.
- Calvície, que é a alopecia genética. Doença acomete tanto os homens como as mulheres.
- Dermatite seborreica, mais conhecida como caspa. É uma inflamação na pele que causa, principalmente, descamação e vermelhidão em algumas áreas da face, couro cabeludo, orelhas e tórax.
2- Quais são os impactos e/ou riscos de usar receitas caseiras para tratar problemas capilares?
Essas receitas podem acabar agredindo ainda mais o couro cabeludo.
O paciente pode, por exemplo, ter uma dermatite de contato no couro cabeludo e acabar achando que está com uma caspa, que é um quadro clínico semelhante, e acabar usando uma substância que ele tenha alergia ou seja irritativa neste período. Isso vai acabar piorando a doença de base e pode levar a uma queda capilar porque o couro cabeludo está irritado.

3- Qual a importância de um diagnóstico correto dos problemas capilares?
É importante explicar ao paciente que antes de tudo, de iniciar qualquer tratamento, é preciso um diagnóstico correto. Afinal, cada doença tem um tratamento completamente diferente.
Quando nosso couro cabeludo está sensível, com alguma enfermidade, não é muito interessante a gente aplicar qualquer substância aleatória sem uma avaliação médica. Isso pode acabar levando a uma piora da situação.
4- Como orientar os pacientes sobre prevenção e tratamento de problemas capilares sem cair em promessas de soluções milagrosas?
A melhor coisa que a gente pode fazer pelo nosso paciente é primeiro ter uma anamnese muito cuidadosa, fazer um exame físico muito minucioso e dar o diagnóstico adequado, porque cada doença vai ter um tratamento completamente diferente. E, claro, explicar “timtim por timtim” da doença para que o paciente siga o tratamento adequado.
É preciso deixar claro que o comportamento das doenças capilares são diferentes. Há doenças que vão ter respostas mais rápidas, porque é assim que elas funcionam e é do curso da doença ter uma resposta ao tratamento mais rápido.
Já outras doenças que vão ter uma resposta mais lenta. Isso, principalmente, porque elas têm um padrão genético, como a alopecia genética.
Conteúdos relacionados
- Qual a diferença entre psoríase e dermatite atópica? | Ligas
- PSORÍASE: o que a diferencia dentre as eritematodescamativas?
- Vitamina B12: Queda de cabelo relacionada à deficiência e o motivo de suplementá-la | Colunistas
