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Carvão ativado na prática médica: indicações, contraindicações e estratégias para uso eficaz

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Historicamente conhecido como antídoto universal, o carvão ativado permanece como uma das principais ferramentas terapêuticas no manejo de intoxicações agudas. Entretanto, apesar de sua ampla aplicação, seu uso eficaz depende de critérios clínicos bem definidos e de conhecimento técnico específico sobre sua farmacodinâmica e indicações.

O que é e como atua o carvão ativado?

O carvão ativado é obtido por meio da carbonização de polpa vegetal e outros compostos, submetidos a temperaturas elevadas entre 800°C e 1000°C. Esse processo altera significativamente sua estrutura, aumentando sua porosidade e, consequentemente, sua área de superfície – podendo chegar a uma ampliação de até 400 vezes. Tal característica é responsável pela sua elevada capacidade de adsorção, que se dá principalmente por interações eletrostáticas entre sua superfície eletronegativa e substâncias com carga positiva no lúmen gastrointestinal.

Além de seu uso consolidado na medicina, o carvão ativado também é empregado como filtro de impurezas, em procedimentos estéticos (como clareamento dental e limpeza de pele) e até mesmo como suplemento para controle lipídico ou suporte em pacientes com insuficiência renal crônica. No entanto, seu papel clínico mais relevante continua sendo o de adsorvente gastrointestinal em cenários de intoxicação exógena.

Indicações clínicas do carvão ativado

As principais indicações envolvem a tentativa de impedir a absorção gastrointestinal de substâncias tóxicas. Em determinadas situações, seu uso isolado pode apresentar eficácia superior à êmese induzida ou à lavagem gástrica. Além disso, doses múltiplas podem ser empregadas para acelerar a eliminação de toxinas, sobretudo quando métodos invasivos como a hemodiálise estão contraindicados ou indisponíveis.

Diversos fatores devem ser considerados antes da administração:

  • Tempo desde a ingestão: a eficácia máxima ocorre quando o carvão é administrado até 1 hora após a exposição tóxica. Ainda assim, em casos de fármacos de absorção lenta ou com retardo no esvaziamento gástrico (como o paracetamol), seu uso pode ser útil mesmo após esse período.
  • Relação carvão-substância: a proporção ideal é de 10:1 (carvão:substância). Contudo, em intoxicações com compostos menos adsorvíveis, como o cianeto, pode ser necessário alcançar proporções de até 100:1.
  • Presença de alimentos ou variação do pH gástrico: a ingestão simultânea de leite ou sorvetes pode reduzir a eficácia do carvão, assim como a presença de substâncias com pH extremo (ácidos fortes ou bases cáusticas).

De forma importante, o carvão ativado não é eficaz na adsorção de algumas classes de compostos, como:

  • metais pesados (ferro, chumbo, lítio),
  • derivados do petróleo,
  • solventes orgânicos (etanol, metanol),
  • cáusticos (ácidos e álcalis).

Contraindicações e precauções

O uso é contraindicado nos seguintes contextos:

  • Suspeita de íleo paralítico ou obstrução/perfuração intestinal;
  • Intoxicação por substâncias não adsorvíveis, como metais pesados e álcoois;
  • Pacientes com risco aumentado de broncoaspiração, exceto se houver proteção adequada da via aérea.

Entre os efeitos adversos mais comuns estão náuseas, vômitos, constipação, formação de bezoares intestinais e, quando associado a catárticos, distúrbios hidroeletrolíticos como desidratação, hipermagnesemia e hipernatremia. Há ainda o risco de interferência na absorção de antídotos orais (como a acetilcisteína) e na farmacocinética de fármacos terapêuticos, notadamente anticonvulsivantes (ex: fenitoína, carbamazepina, fenobarbital).

Como prescrever e administrar corretamente?

A dose padrão é de 1g/kg, administrada por via oral ou sonda oro/nasogástrica. Quando se conhece a quantidade exata da toxina ingerida, recomenda-se seguir a proporção 10:1. Em adultos, a dose máxima recomendada varia entre 50g e 100g, enquanto em crianças com menos de 5 anos deve-se limitar entre 10g e 25g.

Nos casos que requerem múltiplas doses, como intoxicações com fármacos que sofrem recirculação entero-hepática (por exemplo, digoxina), utiliza-se de 15g a 30g a cada 2–4 horas, ou de hora em hora, com base na gravidade clínica. Em adultos, a média é de 12,5g/h; em crianças, 0,2g/kg/h.

Não há consenso absoluto sobre o regime mais eficaz, mas a infusão contínua gástrica ou esquemas com intervalos menores parecem mais promissores. O uso concomitante de catárticos como sorbitol deve ser evitado, já que não há comprovação de benefício e há riscos significativos.

Por fim, é imprescindível que o paciente esteja alerta e colaborativo durante a administração. Em casos de rebaixamento de nível de consciência, deve-se proteger a via aérea antes de iniciar o tratamento. O sabor desagradável e a textura arenosa frequentemente desencadeiam vômitos, sendo, por isso, preferíveis formulações líquidas ou a mistura com bebidas aromatizadas para facilitar a aceitação.

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Referências bibliográficas

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