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Como dar más notícias? – Protocolo SPIKES | Colunistas

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Mais um dia comum
na enfermaria e hoje subiu do Pronto Socorro um paciente para investigação de
uma queixa que te deixa sempre com muito receio: uma perda ponderal… Chegam
os resultados dos exames já pedidos no PS e você precisará ter uma conversa
sobre um possível tumor. Qual médico ou interno nunca passou por essa situação?
Muitas dúvidas passam na nossa cabeça. Por onde começar? Como o paciente vai
reagir? Como eu vou ter que lidar?

Por muito tempo a medicina definiu como danosa e desumana a revelação de más notícias sobre o diagnóstico e provável prognóstico do paciente. Por meados dos anos 1970, essa cultura começou a mudar concomitante com o avanço do tratamento do câncer, que era uma das doenças mais temidas, e passaram a oferecer esperança aos pacientes. Isso ainda se reflete no nosso dia a dia, é muito comum ouvirmos: “dr. me conte a verdade! Quero saber tudo”. Essa frase clássica demonstra o quanto alguns pacientes ainda acreditam que temos a tendência de poupar algumas informações pensando ser para o bem dele. Por outro lado, temos pacientes que também preferem não saber o quanto seu prognóstico é reservado. No meio dessa arte que é lidar com seres humanos em condições de fragilidades, está o médico ou o interno tentando fazer o seu melhor quando é sabido que a notícia certamente trará tristeza. Esse processo também é conhecido como efeito MUM.

Para auxiliar os
profissionais a melhorarem sua habilidade em conduzir uma conversa muitas vezes
pouco abordadas durante a formação, foi reunido em um protocolo as necessidades
definidas pelos estudos publicados sobre este assunto. Inicialmente foi
ensinado aos oncologistas e estudantes de medicina que relataram aumento da sua
confiança em sua habilidade para transmitir as informações médicas
desfavoráveis. O chamado Protocolo SPIKES possui seis etapas e o principal
objetivo é habilitar o médico ou interno a recolher informações dos pacientes,
seguido de fornecer informação médica na linguagem que o paciente entenda mas
de acordo com os desejos e necessidades do paciente, além de dar suporte
emocional ao paciente ou familiar e, por último, conseguir com que o paciente
colabore com o seu plano de tratamento para o futuro.

Vamos às etapas:

ETAPA 01: S – Setting
Up the Interview
– Planejando a entrevista

Ensaiar mentalmente
é uma técnica para qualquer momento de estresse, aqui não seria diferente.
Primeiro busque alguma privacidade, se não tiver uma sala, feche as cortinas,
tenha lenços de papel caso o paciente chore. Envolva pessoas importantes, peça
ao paciente para escolher um ou dois representantes da família. Sente-se, isso demonstra
que você não vai sair correndo da conversa. Conecte-se com o paciente mantendo contato
visual, se for necessário toque no braço, segure sua mão, enfim, procure uma
maneira de se conectar e se assegure de que não será interrompido nem mesmo
pelo celular.

ETAPA 02: P – Perception
– Avaliando a percepção do paciente

Pergunte antes de
contar. Faça perguntas como “o que já lhe foi dito sobre seu quadro clínico até
agora?”. Nesse momento você terá a oportunidade de corrigir desinformações e
moldar a má notícia para a compreensão do paciente.

ETAPA 03: I – Invitation
– Obtendo o convite do paciente

Enquanto a maioria
dos pacientes demonstra o desejo de obter informações detalhadas sobre a sua
doença, evolução e tratamento, outros preferem nem saber especialmente que tem
doenças mais graves. Nesse caso, você deve se colocar à disposição para sanar
qualquer dúvida futura ou para conversar com um familiar, quando for a vontade
do paciente.

ETAPA 04: K – Knowlege
Dando conhecimento e informação ao paciente

É necessário usar
uma linguagem acessível ao paciente, evitando ser muito duro ou frio com frases
como “não há mais nada que possamos fazer por você”. Até porque sempre tem algo
que possamos fazer, como o controle da dor ou outros sintomas, e melhorar assim
a qualidade de vida desse paciente. As informações podem ser passadas aos
poucos, certificando-se periodicamente de que o paciente ou familiar estejam
entendendo.

ETAPA 05: E – Emotions
– Abordar as emoções dos pacientes com respostas afetivas

As reações
emocionais dos pacientes podem variar desde o silêncio até a incredulidade,
choro, negação ou raiva. O médico pode oferecer apoio e solidariedade ao
paciente com uma resposta afetiva. “Posso ver como isso lhe entristece” ou “sinto
ter que lhe dizer isso” ou “isso também é muito difícil para mim”, entre outras.
É imprescindível dar apoio até que o paciente se recomponha, dê o tempo
necessário para que isso ocorra.

ETAPA 06: S – Strategy
And Summary
– Estratégia e resumo

Antes de discutir
um plano de tratamento, é importante perguntar ao paciente se eles está pronto
para essa discussão e se aquele é o momento ideal. Quando a conduta é paliativa,
é importante que o paciente entenda cada parte do manejo e não superestime sua
eficácia. Para isso, envolva-o nas decisões e garanta a total compreensão.

Em oncologia clínica a habilidade para se comunicar efetivamente com pacientes e suas famílias não pode mais ser considerada como uma habilidade opcional. No entanto, todas as áreas da medicina passam por esse momento crítico que é a comunicação de más notícias. Ao utilizar uma abordagem flexível através do protocolo SPIKES, é mais provável que consiga se dirigir adequadamente às diferenças inevitáveis que existem entre pacientes, pois certamente será mais eficaz do que uma receita rígida que seja aplicada a todos. Já dizia William Osler: “o bom médico trata as doenças, mas o grande médico trata o paciente”.

Autoria: Talita Bigoli

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