O acesso à saúde no Brasil ocorre de maneira extremamente desigual. Segundo o IBGE, cerca de 70% da população brasileira depende do SUS. Apesar de ser um sistema que salva muitas vidas, ainda temos uma grande defasagem no atendimento ao público.
Talvez por esse motivo, e por estarmos em plena revolução técnico Revolução Técnico-Científico-Informacional, sempre que sentimos alguma alteração no bem-estar físico ou emocional, ou algum sintoma diferente do que estamos habituados, recorremos de cara à internet para conseguir uma interpretação para aquilo que estamos sentindo. Hoje, ela é o meio mais fácil e rápido de se obter os mais variados tipos de informações.
Dados do Google Brasil apontam que uma em cada 20 pesquisas no buscador tem relação com o assunto de descobrir ou dar interpretação a sinais e sintomas. Isso em si não é um grande problema.
Mas, a partir do momento em que isso se torna uma obsessão, ou se utiliza a internet como principal meio informativo para tomar decisões terapêuticas, esse tipo de busca deve ser observado com cuidado.
Existem pessoas que são extremamente angustiadas ou bastante preocupadas com a sua saúde e, dessa forma, realizam pesquisas de forma incessante, tornando-as ainda mais ansiosas e angustiadas, temendo pelo pior.
Esse tipo de comportamento é chamado hoje de cibercondria, um neologismo dos termos ciber e hipocondria que surgiu em meados dos anos 2000.
O internauta realiza uma busca a partir dos seus sintomas e de posse dos primeiros resultados, que indicam a possibilidade de um determinado problema de saúde, ele já se convence disso.
Não observa pela ótica de que há sintomas parecidos para vários tipos de doenças. Dessa forma, já procura algum médico, geralmente especialista, desesperado achando que a doença é fatal, quando o caso pode ser uma simples virose.
Assim, quando se inicia a constante busca, ela não faz com que o indivíduo se sinta aliviado, pois ele nunca chegará a uma resposta conclusiva e que o satisfaça.
Ao pesquisar um sintoma, isso leva a outro, que leva a outro, que leva a outro… Por exemplo, o paciente pesquisa que está sentindo falta de ar (dispneia).
Vai lá, procura o assunto no Google, lê sobre dispneia ligado a tontura, aí começa a ficar tonto; logo depois, acha uma publicação que faz conexão entre dispneia e câncer; só mais alguns cliques para concluir que está com uma doença gravíssima, começando a criar paranoias.
A internet ampliou as possibilidades de exploração – antes, existiam as consultas médicas em série, as enciclopédias, as leituras de bulas. Agora, basta um clique.
Um estudo que corrobora com o que foi anteriormente citado é o da Pew Internet Project. Eles relatam que 72% dos usuários da rede nos EUA pesquisam informações relacionadas à saúde na web.
Esse estudo sugere que a autodiagnosticação baseada única e exclusivamente em resultados de pesquisas online faz com que os internautas cheguem às piores conclusões possíveis sobre seu estado de saúde.
Outro tipo de atitude observada por provedores de pesquisa online é que um grande número de pessoas pode interpretar exames de forma errada, também com base em pesquisas na internet.
O indivíduo pega o resultado de um laudo de exame de imagem ou laboratorial e, em vez de levar ao profissional médico, vai primeiro aos buscadores online.
Todos os exames, na maioria das vezes, têm termos médicos que um leigo dificilmente consegue interpretar. Ao se basear no que lê na internet, você pode ser levado ao erro.
Dessa forma, outra
complicação que pode ocorrer é o paciente ficar confuso e mudar o tratamento
por conta própria. Enquanto se trata de um problema de saúde e recorre-se ao
Google para sanar uma dúvida e, por um motivo ou outro, mudar as dosagens e
forma de tratamento por conta própria, o risco é grande de você comprometer
todo o seu tratamento ou até piorar suas condições.
E, por fim, o que pode ocorrer é o oposto do que geralmente ocorre. Pode acontecer de o indivíduo ignorar uma doença de média ou alta gravidade com base nos resultados que receber do buscador.
Ao realizar a pesquisa, pode ocorrer de o conteúdo ser tranquilizador e mostrar que se trata de uma gripe simples, que não há necessidade de ir ao médico. Daí existe a possibilidade de que você possa ter algo grave, o que só um médico poderia diagnosticar.
Gostou do artigo? Quer ter o seu artigo no Sanarmed também? Clique aqui e saiba mais