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Combate ao COVID-19: Os Países e Políticas mais Eficientes

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Mesmo após mais de um ano de pandemia, sabe-se que o novo coronavírus, Sars-CoV-2 ou a COVID-19, continua infectando milhares e ainda matando outros tantos ao redor do globo. Muitos no mundo continuam lutando contra esse mesmo coronavírus, mas a qualidade de vida e o controle da disseminação do patógeno parecem muito diferentes quando comparamos algumas partes do globo. Hodiernamente já vemos no Facebook ou Instagram fotos de festivais de música em alguns países da Ásia e Europa, quando comparamos isso que vemos nas telas com nossa realidade parece inverídico a atualidade desses eventos.

O simples fato de nos questionarmos sobre esse cenário, já nos mostra o impacto que a pandemia por esse novo coronavírus deixou – e vai marcar – a história da humanidade e mudar os caminhos que ela seguirá de agora em diante. Com uma progressão histórica iniciada há mais de 15 anos, traçando um histórico acerca da evolução de tal vírus, vemos que as primeiras informações sobre ele vieram da China ainda em 2002. De forma a estarrecer todos os pesquisadores da área, o SARS-CoV se espalhou pela América, Europa e Ásia em proporção alarmante e atingindo rapidamente a marca de 8000 pessoas infectadas e entre essas 800 mortes até 2003, quando se atingiu certo controle dessa disseminação, posteriormente caracterizada como uma epidemia global.

Continuando esse traçado histórico, em 2012 foi descoberta outra variante dessa família de vírus na Arábia Saudita. E novamente, espalhou-se – agora pelo Oriente Médio, Europa e África – de forma assustadora, sendo nomeada como “Síndrome respiratória do Oriente Médio” (MERS-CoV). Hodiernamente, essa família cruza novamente com a espécie humana. Dessa vez, encontrado em Wuhan na China, causando uma série assustadora de casos de pneumonia em dezembro de 2019. Desde então, espalhou-se pelo globo atingindo nosso país e até hoje deixando um cenário estarrecedor e permeado de incertezas. Cursando, por fim, com a declaração da OMS em março de 2020 de uma pandemia.

Índice de Desempenho Contra a COVID

            Sabendo dessa importância sanitária, socioeconômica e mesmo política que a pandemia e a disseminação do novo coronavírus trouxe e as diferentes reações dos países pelo mundo frente a contínua progressão de infecções, o Instituto Lowy – um ‘think tank’ independente e não partidário de políticas internacionais australiano, conhecido como ‘centro de estudos líder da Austrália’ –  abordou a tarefa de medir a eficácia comparativa do tratamento da pandemia COVID-19 pelos países, utilizando  critérios considerados relevantes.

Para avaliar o desempenho relativo dos diferentes países que se encontram em estágios diversos da disseminação e infecções pela COVID-19, o Índice de Desempenho Contra a COVID do Instituto Lowy rastreou seis medidas de prevalência de COVID-19 em países com dados disponíveis publicamente e comparáveis. Em sua totalidade, 116 países foram avaliados neste interativo durante as 43 semanas que se seguiram à confirmação do centésimo caso de COVID-19 nos respectivos, usando dados disponíveis até 13 de março de 2021.

Os seguintes dados foram extraídos da série ‘Our World in Data’, mantida por pesquisadores da Universidade de Oxford e o ‘Global Change Data Lab’ sem fins lucrativos, essas informações são calculadas dentro de catorze dias de novos valores diários para os seguintes indicadores:

  1. Casos confirmados;
  2. Mortes confirmadas;
  3. Casos confirmados por milhão de pessoas;
  4. Mortes confirmadas por milhão de pessoas;
  5. Casos confirmados como proporção de testes;
  6. Testes por mil pessoas.

De forma ampla, esses indicadores nos demonstram quão bem – ou mal – os países lidaram com a iminência da pandemia. Uma média das classificações entre os seis indicadores foi realizada para cada país e assim se produziu uma pontuação entre 0 (pior desempenho) e 100 (melhor desempenho) em qualquer dia nas 43 semanas que se seguiram ao centésimo caso confirmado de COVID-19. A pontuação de 100 indicou que o país obteve a melhor pontuação média nos seis indicadores em comparação com todos os outros países examinados e uma pontuação de 0 indica que o país teve a pior pontuação média em um determinado momento durante a pandemia.

            Avaliando-se a última pontuação presente no site do Instituto Lowy (13 de março de 2021) os países mais bem classificados foram (nessa ordem) Butão, Nova Zelândia e Taiwan – sendo esses últimos dois frequentes figurantes do top 3 desde o início do estudo – e os piores (nessa ordem) Colômbia, México e Peru – o último com um escore de 4,8. 

Fonte: Instituto Lowy

Butão

Figurando no top 3 somente nos últimos meses, o Butão mostrou-se um exemplo na vacinação contra a Covid-19, apresentando índices de imunização que outras nações demoraram meses para atingir ou mesmo ainda não atingiram.  Em proporção inigualável, em apenas 16 dias 93% da população adulta foi vacinada, o equivalente a 62% dos 800 mil habitantes. Contando com doações da Índia e de outros países vizinhos, o trabalho de voluntários, no país que possuía o número (gritante) de apenas 37 médicos e menos de 3 mil profissionais de saúde antes da pandemia, foi essencial para o país atingir o topo do índice do Instituto Lowy.

Nesse contexto, ressalta-se que o primeiro-ministro do Butão, Lotay Tshering, é médico, e o país aproveitou a logística já existente em campanhas anteriores e já bem conhecidas pelas instituições de saúde no país. As fronteiras do país foram fechadas em março de 2020, quando o primeiro caso Covid-19 foi detectado. Desde esse momento, todos aqueles que entram no país são encaminhados ao isolamento por 21 dias. Em aproximadamente um ano, o país registrou 910 casos e somente uma morte pela COVID-19.

Nova Zelândia

            Com um saldo total de infecções de 1569 e mortes de apenas 22 habitantes, a Nova Zelândia – com mortalidade relacionada à Covid na casa de 4 por 1 milhão – é a nação com índices mais baixos entre os 37 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. E isso se deve principalmente às medidas tomadas precocemente e de forma eficaz pelos líderes políticos do país na imagem principal da primeira-ministra Jacinda Ardern que se manteve empática e comunicou com eficácia as principais mensagens ao público – enquadrando o combate à pandemia como o trabalho de uma “equipe de 5 milhões” de pessoas unidas – o que resultou em alta confiança pública e adesão a um pacote de medidas de controle de pandemia relativamente onerosas.

            O primeiro caso de Covid-19 da Nova Zelândia foi diagnosticado em 26 de fevereiro e na mesma semana, contudo, o país já preparado para uma possível disseminação em massa já havia iniciado a implementação de um plano de gripe pandêmica no início daquele mesmo mês – mesmo tendo a vantagem de isolamento geográfico inerente ao país -, incluindo a preparação de hospitais para o infarto de pacientes e a instituição de políticas de controle de fronteira para atrasar a chegada da pandemia.  Em meados de março, estava claro que a transmissão comunitária estava ocorrendo na Nova Zelândia e que o país não tinha capacidade suficiente de teste e rastreamento de contatos para conter o vírus.

Munidos por uma defesa forte e baseada na ciência, os líderes do país mudaram decisivamente de uma estratégia de mitigação para uma estratégia de eliminação. Implementou-se um bloqueio rigoroso em todo o país (designado Alerta de Nível 4) em 26 de março. Durante esse período de aumento exponencial de casos locais, muitos se perguntaram se esses controles intensos iriam funcionar. E após 5 semanas, com o número de novos casos diminuindo rapidamente, a Nova Zelândia mudou para o Nível de Alerta 3 por mais 2 semanas. No início de maio, o último caso conhecido de COVID-19 foi identificado e a pessoa colocada em isolamento, o que marcou o fim da disseminação identificada pela comunidade. Em 8 de junho, o governo anunciou uma mudança para o Nível de Alerta 1, declarando efetivamente o fim da pandemia na Nova Zelândia, 103 dias após o primeiro caso identificado.

Taiwan

A ilha com cerca de 23 milhões de habitantes devido ao seu eficiente sistema de saúde pública combinada a aceitação pública das políticas de proteção implementadas (influenciada pelo surto de SARS de 2003) impulsionaram a adesão eficiente às políticas mais ferozmente restritivas nos primeiros 50 dias do surto de COVID-19.  E isso tudo se mostrou extremamente eficiente, atingindo apenas 998 casos e 10 mortos pela Covid-19 desde o início da pandemia, Taiwan se tornou um exemplo global.

            O país utilizou-se de medidas rápidas e mais incisivas no começo como: disseminação de informações em massa pela internet e redes sociais, bloqueio da imigração, acompanhamento e rastreamento dos casos da doença na população, e testagem dos moradores para impedir a transmissão infecciosa descontrolada, e estabelecimento de uma Central de Controle de Epidemias (CECC) exclusiva para o combate à doença. E através dessa abordagem integrada que incorpora saúde pública, serviços humanos e sistemas de saúde, aumentou a resiliência e preparo para a chegada do vírus em suas terras.

Conclusão

            Concluindo-se observa-se que em ambos os países que melhor responderam – e mais agilmente – a disseminação do COVID medidas mais restritivas no início e adesão da população foram pontos comuns. Quando se pensa em Butão – um país fora dos padrões que hoje figura como um exemplo na luta contra o novo coronavírus -, a vacinação em massa de toda a população se apresenta como uma estratégia ótima a ser implementada. 

Além do mais, a pandemia pode evidenciar a importância estratégica dos sistemas de saúde públicos no enfrentamento a condições que acometem a população em geral – e principalmente de forma infecciosa. Deixando claro que – como vem ocorrendo na última década – cortar os investimentos em saúde é um dos piores caminhos a se seguir. Espero que eu tenha conseguido te ajudar a compreender melhor sobre os principais países que obtiveram sucesso no enfrentamento a COVID e principalmente os fatores que levaram a isso! Se cuide, pois a pandemia ainda não acabou!  E bons estudos a você leitor(a)!

Autor: Claudio Afonso Caetano Pereira Peixoto

Instagram: @claudioafon


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

  1. LIN, Cheryl et al. Policy decisions and use of information technology to fight coronavirus disease, Taiwan. Emerging infectious diseases, v. 26, n. 7, p. 1506, 2020.
  2. BAKER, Michael G.; WILSON, Nick; ANGLEMYER, Andrew. Successful elimination of Covid-19 transmission in New Zealand. New England Journal of Medicine, v. 383, n. 8, p. e56, 2020.
  3. FORMAN, Rebecca et al. 12 Lessons learned from the management of the coronavirus pandemic. Health Policy, 2020.
  4. Índice de Desempenho COVID – Desconstruindo as Respostas à Pandemia. Lowy Intitute, 2021. Disponível em: . Acesso em: 21 de maio de 2021.
  5. CAMARGO, Zeca. Enquanto isso, no Butão.. Folha de São Paulo, 2021. Disponível em: . Acesso em: 21 de maio de 2021.

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