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Colposcopia: passo a passo para conduzir o exame com excelência

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Colposcopia é um exame ginecológico realizado junto ao exame preventivo (também chamado de Papanicolau) e serve para nortear a realização de biópsias diante a identificação de alguma lesão.

Assim, compreendemos que a colposcopia é um teste diagnóstico para avaliação de lesões no colo do útero, da vagina e vulva, incluindo o câncer e outras tumorações, nódulos, eversões de endocérvice, entre outras.

Pela importância e sensibilidade que o exame apresenta na detecção de patologias do trato genital feminino, desenvolvemos esse artigo com o objetivo de explicar a relevância e os achados da colposcopia na saúde ginecológica da mulher.

Aproveite a leitura.

Breve revisão sobre a anatomia e fisiologia do colo do útero

O conhecimento da anatomia e da fisiologia do colo do útero é fundamental quando consideramos a colposcopia, visto que esse exame utiliza de instrumentos que entrarão em contato com estruturas delicadas e, para tanto, lesões devem ser evitadas.

Anatomia do colo do útero

O colo do útero é localizado na porção inferior do útero e possui um formato de cilindro, com comprimento entre 2,5cm e 3cm. O tamanho dessa estrutura pode variar conforme a idade da mulher, assim como o número de gestações.

Em sua região inferior, o colo do útero possui um aspecto cônico e uma protusão na parte superior que se relaciona com a vagina.

As regiões anatômicas do colo do útero são:

  • Ectocérvice;
  • Endocérvice;
  • Zona de transformação;
  • Junção escamosa colunar.

Os ligamentos cardianais e uterossacrais conferem a sustentação dessa estrutura e estão intimamente relacionados às paredes da pelve óssea.

Fisiologia do colo do útero

O colo uterino serve como uma barreira física entre o canal vaginal e o útero e essa estrutura desempenha um papel fundamental na gestação pelas alterações de textura em suas paredes, abertura e fechamento que ocorrem nesse processo, bem como na menstruação.

Colposcopia: como é feito o exame e o que ele detecta?

Instrumentos para realizar a Colposcopia

Para realizar o exame, é necessário possuir um colposcópio, que é um instrumento semelhante a um microscópio que permite a visualização da genitália feminina de forma detalhada e com amplo aumento.

Preparo para o exame

É recomendado que a paciente seja instruída a não ter relações sexuais, nem utilizar medicamentos, cremes vaginais ou duchas cerca de 48 horas antes do exame e que não esteja menstruada no dia.

Como fazer a colposcopia?

Esse é um exame relativamente rápido, com duração média de até 15 minutos.

Para realizá-lo, deve-se colocar a paciente em posição ginecológica para permitir o posicionamento adequado da região vaginal (inicialmente com soro fisiológico e gaze).

Após esse passo inicial, é preciso expor o colo uterino com a inserção do espéculo. Cabe ressaltar que o espéculo é introduzido fechado, em posição levemente oblíqua para evitar lesões, e deve ser rodado e aberto.

Com o colo do útero exposto e já realizado o Papanicolau, inicia-se a colposcopia com o colposcópio posicionado cerca de 30cm de distância da paciente.

O que a colposcopia detecta?

Esse exame possibilita a identificação do colo do útero como um todo, avaliando principalmente aspectos como:

  • Aspecto geral do colo do útero, geralmente puntiforme nas nulíparas e fenda transversa nas multíparas;
  • Presença de nódulos, eversões da endocérvice ou irregularidades de parede como lesões vegetantes.

Indicações para a Colposcopia

Indica-se a colposcopia quando o Papanicolau – isto é, a citologia oncótica – apresenta alterações, quando há sangramentos a esclarecer e diante de condições associadas a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como:

  • Parceiro(a) sexual do paciente possua câncer genital ou ISTs (diagnosticada ou suspeita)
  • Paciente com histórico recente de IST
  • Lesões vulvares ou vaginais sugestivas de HPV.

Além disso, indica-se, a partir de anormalidade citológica de alto grau, baixo grau persistente ou quando o teste DNA-HPV é positivo para alto risco oncogênico. 

Os contextos gerais da indicação da colposcopia, dessa forma, incluem:

  • Resultado alterado na triagem;
  • Resultado positivo na inspeção visual com aplicação de lugol;
  • Biologia molecular de DNA-HPV positivo.

Técnicas utilizadas na colposcopia

A colposcopia utiliza o teste de Schiller, que consiste na identificação de células anormais que indicam alguma patologia.

Como realizar o teste de Schiller?

Depois de limpar o colo uterino com ácido acético a 2%, deve-se pincelar todo colo uterino com solução saturada de iodo.

O uso do iodo auxilia na impregnação das células da exocérvice com coloração marrom-escuro. Essa reação ocorre pela presença de vacúolos de glicogênio no citoplasma normal das células na região.

Células neoplásicas ou que não são da exocérvice não possuem vacúolos de glicogênio e, por isso, não se coram. Elas são consideradas iodo-claras ou iodo negativas. Quando isso ocorre, dizemos que o teste de Schiller foi positivo.

O que fazer diante de secreção vaginal anormal?

Nesse contexto, o material deve ser coletado para identificação do agente presente na secreção. Para isso, um exame a fresco é realizado.

A coleta do material vaginal é posto numa lâmina e deve-se adicionar uma gota de soro fisiológico para auxiliar a visualização.

Parasitas móveis como o Trichomonas vaginalis e fungos do gênero Candida podem ser identificados por esse método.

Se for adicionada uma gota de hidróxido de sódio no mesmo material, é possível identificar a infecção por Gardnerella vaginalis quando ocorre um odor característico e forte pela reação dessa solução com as aminas do agente.

Casos especiais

Diante de dúvidas sobre o resultado do teste de Schiller, indica-se utilizar a solução de azul de toluidina a 1% por 1 ou 2 minutos e então realizar a lavagem da área com ácido acético a 1% ou 3%. 

A região mais pigmentada em tom azul-real é a que possui maior atividade nuclear – o que representa o local da lesão e da anormalidade celular.

Interpretação da Colposcopia

A interpretação da Colposcopia tem como objetivo a identificação de lesões precursoras do câncer o colo uterino a partir de métodos objetivos que permitem determinar a gravidade dessas lesões. 

Para isso, existem duas possíveis classificações para interpretações desses achados: o sistema Bethesda e o Índice Colposcópico de Reid (ICR).

Como classificar os achados da Colposcopia?

Sistema de Bethesda

O sistema de Bethesda permite o estabelecimento de critérios de qualidade do exame e a classificação dos achados para diagnóstico.

Por esse sistema, determina-se a qualidade das células encontradas, oferecendo um diagnóstico descritivo seguindo as seguintes nomenclaturas:

  • Anormalidades de células epiteliais
    • ASC – atipias de células escamosas
    • LSIL – lesão intraepitelial de baixo grau
    • HSIL – lesão intraepitelial de alto grau
  • Carcinoma escamoso invasor
  • Anormalidades de células glandulares
    • AGC – atipias de células glandulares
    • AIS – adenocarcinoma in situ, adenocarcinoma invasor

Índice Colposcópico de Reid (ICR)

Esse é um método objetivo que estabelece os padrões de gravidade das lesões detectadas pela colposcopia considerando os achados que se relacionam à margem da lesão, reação ao ácido acético, características dos vasos e impregnação com solução de lugol.

O ICR utiliza um sistema de pontuações que se relaciona a histologia das células colhidas e a possibilidade de neoplasia intraepitelial cervical (NIC).

  • 0 e 2 pontos representam provável NIC 1
  • 3 a 4 pontos representam lesão sobreposta – isto é, provável NIC 1 ou NIC 2
  • 5 a 8 pontos representam provável NIC 2 ou NIC 3

Identificação de áreas suspeitas e características

Conforme o ICR, alguns achados que aumentam a chance de neoplasia:

  • Ausência de vasos;
  • Captação parcial de iodo, aspecto moteado ou espiculado;
  • Cor branco nacarado, denso, opado ou cor cinza;
  • Margens deiscentes e enroladas ou áreas centrais de alterações de alto grau e área periférica de alterações de baixo grau.

Durante a colposcopia, necessita-se explorar todas as regiões do colo uterino, principalmente a zona de transformação, visto que essa é a região onde quase todas as manifestações das neoplasias dessa estrutura.

Complicações e limitações do exame

As complicações na colposcopia são raras, mas podem ocorrer durante o exame sobretudo por falha do operador. Nesse contexto, dor pélvica, sangramentos ou infecções são as complicações possíveis.

Indica-se que a paciente utilize um absorvente após finalização da colposcopia e deve-se orientar a abstenção sexual durante 3 dias a partir da data do procedimento, principalmente quando for realizada alguma biópsia.

Tratamentos associados à colposcopia

A colposcopia, como vimos, é um exame que serve para identificação de neoplasias do colo uterino e, pela sua facilidade e baixo custo, tem o papel de nortear o tratamento inicial diante dos achados.

Ainda no momento da colposcopia é possível realizar um tratamento ablativo como a crioterapia depois de realizar uma biópsia guiada pelo colposcópio. 

A cirurgia de alta frequência, um outro tratamento associado à colposcopia, consiste em um método excisional, realizado imediatamente após o exame.

Contudo, importante destacar que ambas as condições exigem obrigatoriamente o consentimento informado da paciente. E, para tanto, o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) deve ser obtido antes de prosseguir com o tratamento.

Veja também:

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Referências

  • TOWNSEND, C. et al. Sabiston – Tratado de Cirurgia. 20ª ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2019. 3278p.
  • GOLDMAN, L; AUSIELLO, D. Cecil Medicina. 23 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
  • Tratado de Ginecologia FEBRASGO – 1. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.
  • MOORE, Keith L et al. Anatomia orientada para a clínica. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. 
  • ROBIAL, R. et al. O desempenho da colposcopia através do índice de Reid. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-473724. Acesso em Mar 2024.
  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Colposcopia e tratamento da neoplasia intra-epitelial cervical: manual para iniciantes. Disponível em: https://screening.iarc.fr/colpoappendix5.php?lang=4. Acesso em Mar 2024.

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