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Colangiorressonância Magnética: o que o médico generalista precisa saber | Colunistas

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Também chamada de colangio-RM, a colangiorressonância magnética (CRM) é um exame de imagem que tem por objetivo avaliar as vias biliares de forma não invasiva, diferentemente do atual padrão ouro – colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) – utilizado para a investigação das condições do trato biliar. 

O que é a colangio-RM?

De modo geral, a investigação das condições que acometem o trato biliopancreático é iniciada com métodos usuais não invasivos da prática médica, como a ultrassonografia (US) e a tomografia computadorizada (TC). Entretanto, tais métodos possuem limitações – especialmente no que tange sua sensibilidade – o que torna primordial o conhecimento de métodos mais precisos como a colangio-RM elucidada a seguir.   

Como dito anteriormente, trata-se de um método diagnóstico a partir do qual é possível obter imagens – através de um campo magnético e ondas de radiofrequência – detalhadas e em sequência da anatomia da árvore biliar que podem ser obtidas em diferentes ponderações. Isso acontece porque a bile presente no trato avaliado possui elevado teor de água e relativa estase em relação ao fluxo de sangue, o que produz uma diferença expressiva de sinal em relação aos vasos sanguíneos do seu entorno.

Quando falamos da ponderação de T2 esta possibilita a caracterização de estenoses e dilatações, mas é limitada quanto as informações acerca do fluxo biliar. Como contraponto, a CRM em T1 com contraste hepato-específico, também chamada de CRM funcional, além da possibilidade de caracterizar patologias biliares como litíase, fístula e cistos biliares, também é eficaz no que tange a dinâmica funcional do fluxo biliar.

O ideal é que o exame seja realizado em diferentes ponderações e planos para que as limitações de uma determinada técnica sejam complementadas por outra e, diante de uma possível necessidade, a utilização de meios de contrastes específicos para as vias biliares podem se fazerem presentes. 

Agente de contraste hepato-específico 

Para uma melhor visualização das estruturas, por vezes, é necessária a utilização de um meio de contraste hepato-específico chamado de ácido gadoxético (Gd-EOB-DTPA). De meia vida em torno de 2h, este contraste, devido a sua propriedade lipofílica, tem cerca de 50% da sua concentração captada pelos hepatócitos ao longo do tempo de exame. Sua progressão acontece da seguinte maneira após a administração do contraste:

  • 10 minutos: início da fase hepatobiliar
  • 10 a 20 minutos: excreção nos ductos biliares, contrastando a árvore biliar em T1
  • 20 a 40 minutos: pico de acúmulo de contraste nos hepatócitos

Algumas condições como a insuficiência hepática podem retardar e interferir na excreção biliar, o que pode tornar necessário a captura de imagens com tempo mais tardio para uma adequada contrastação do meio. 

Figura 1 – Representação do tempo normal de excreção de contraste (Gd-EOB-DTPA) pela via biliar na CRM funcional: 10, 20 e 40 minutos após a injeção. (RIBEIRO, B. et al, 2018.) 

Quando o exame é realizado com o uso de contraste, algumas condições podem ser observadas como defeito de enchimento da via biliar como, por exemplo, cálculos biliares, neoplasias, parasitas, coágulos sanguíneos e bolhas de ar.

Características gerais da CRM 

Indicações

  • Avaliação e caracterização de condições biliares 
  • Detecção precoce de complicações biliares pós transplante hepático (TH)
  • Planejamento de procedimentos cirúrgicos e endoscópicos  
  •  Investigação de icterícia obstrutiva 

 Caso se faça necessário, a CRM pode ser conjugada com a ressonância do fígado para que o exame obtenha uma margem de análise mais abrangente, especialmente no estadiamento de tumores.  

Contraindicações 

  • Indivíduo portador de marcapasso 
  • Gestantes no primeiro trimestre de gravidez 
  • Determinados clips de aneurisma
  • Insuficiência renal (se necessário o uso de contraste)
  • Alergia conhecida ao agente de contraste (se necessário o uso de contraste)

Vantagens

  • Não é obrigatória a injeção de contraste para a sua realização;
  • Não utiliza radiação ionizante;
  • Não necessita de endoscópio, tornando o método não invasivo.

CRM X CPRE 

Sabe-se que que a CPRE é o método diagnóstico considerado padrão ouro para a avaliação de patologias pancreáticas devido, entre outros fatores, à sua acurácia e capacidade de intervenção terapêutica. Além disso, é considerada como o exame que oferece a melhor resolução espacial para das imagens obtidas, o que permite um diagnóstico mais preciso. Entretanto, por se tratar de um método invasivo devido ao uso do endoscópio, podem surgir complicações inerentes ao exame.

A CRM, por sua vez, além da capacidade de avaliar as mesmas estruturas que a CPRE com boa sensibilidade e especificidade, possui a importância de ser um método não invasivo, superando essa limitação encontrada na CPRE.

As vantagens e praticidade da CRM têm sido responsáveis por uma maior difusão desse método diagnóstico e perspectivas futuras prometem incluí-lo como um exame equivalente a CPRE quanto a precisão diagnóstica, especialmente devido aos avanços tecnológicos quanto ao tempo das sequências e melhorias da imagem. A CPRE, por sua vez, começa a fazer parte de um panorama futuro no qual sua utilização ficará melhor indicada apenas para os casos em que a intervenção terapêutica se faz necessária. 

F(1) a(2)

a(3) d(4) s(5)

Autora: Lara Brito

Instagram: @britolara 

Referências:

  • Oliveira RS De, Velloni F. O papel da colangiorressonância com ácido gadoxético na avaliação de complicações pós-cirúrgicas da via biliar : ensaio iconográfico. 2019;403–7. 
  • Goldman SM, Linhares MM, Gonzalez AM, Darahem R, Coelho DS, Matos C. A colangiorressonância magnética como método de avaliação das complicações biliares pós-transplante ortotópico de fígado. 2008;959–61. 
  • Torrisso C, Alves K. a Importância Do Exame De Colangioressonância Para a Investigação De Litíase Biliar. Rev UNILUS Ensino e Pesqui [Internet]. 2016;13(32):52–7. Available from: http://revista.unilus.edu.br/index.php/ruep/article/view/755/u2016v13n32e755
  • Chen MYM, Pope TL, Ott DJ. Radiologia básica. 2nd ed. 2012. 
  • Brant WE, Helms CA. Fundamentos de Radiologia: Diagnóstico por Imagem. 4th ed. 2015. 

Rede D’or São Luiz: https://www.rededorsaoluiz.com.br/exames-e-procedimentos/ressonancia-magnetica/hidro-rm-colangioressonancia


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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