Prolapso de órgãos pélvicos (POP) é termo utilizado para designar a herniação de órgãos pélvicos através da vagina. É uma condição frequente de baixa morbimortalidade, mas que compromete o funcionamento normal desses órgãos e redução da qualidade de vida por prejudicar as atividades diárias, a função sexual e o exercício.
A classificação, descrição e estadiamento do Prolapso de Órgãos Pélvicos (POP) se dá através de um teste objetivo chamado POP-Q. Essa classificação propõe medidas e pontos pré-definidos em relação à estática pélvica feminina. A posição de cada estrutura é avaliada de acordo com a sua distância do hímen, que serve como parâmetro, por ser fixo e de fácil identificação. A partir dele, as posições são positivas, quando abaixo do hímen; e negativas, quando acima do hímen. Caso a localização seja ao nível do hímen, denomina-se como zero.
No total são nove locais a serem observados, destes, seis são pontos que têm como referência o hímen. Dois deles estão na parede anterior da vagina, dois na parte vaginal superior e dois na parede vaginal posterior. O demais são segmentos: o hiato vaginal (a distância do ponto médio do meato uretral até o ponto posterior da fúrcula vaginal), o corpo perineal (medida da margem posterior do hiato genital até a metade da abertura anal). E, por fim, o comprimento total da vagina (distância que vai do hímen até o ponto mais profundo da vagina, no fundo do saco posterior, quando há colo do útero, ou na cicatriz da cúpula vaginal, quando em paciente histerectomizada).

Ponto Aa: Localizado três centímetros para dentro do hímen, na linha média da parede vaginal anterior.
Ponto Ba: Ponto de maior prolapso na parede anterior. Se há prolapso total, ele equivale ao comprimento vaginal total.
Ponto C: Ponto mais distal do colo uterino ou da cúpula vaginal pós-histerectomia. Ponto D: Localizado no fórnice vaginal posterior, no nível de inserção dos ligamentos útero-sacrais. Na ausência do útero, este ponto é ignorado.
Ponto Ap: Localizado na linha média da parede vaginal posterior, correspondente do ponto Aa na parede posterior.
Ponto Bp: Representa o ponto de maior prolapso da parede vaginal posterior, correspondente do ponto Ba na parede posterior.
Gh: Hiato genital.
Pb: Medida do corpo perineal.
TVL: Comprimento total da vagina (em repouso).
Deve-se identificar o ponto de maior distopia, através da manobra de Valsalva, podendo-se utilizar de artifícios como a tração ou solicitar que a paciente fique de pé. Tendo como referência o hímen, com o auxílio de uma régua graduada em centímetros, o prolapso é quantificado com números positivos (+1 +2, + 3 centímetros) quando exteriorizado e números negativos (-1, – 2 , -3 centímetros) quando internos com relação ao ponto fixo.
O examinador deve observar qual o ponto de maior prolapso, através de manobra de valsalva ou leve tração. Determinados os pontos, os prolapsos são classificados em:
| ESTÁGIO | GRAU DE PROLAPSO |
| 0 | Ausência de prolapso. |
| I | Prolapso > 1 cm acima do hímen. |
| II | Prolapso entre 1 cm acima e 1 centímetros abaixo do hímen. |
| III | Prolapso < 1 cm abaixo do hímen. |
| IV | Prolapso total. |

Veja um exemplo!
Paciente foi encaminhada a ginecologia apresentando o seguinte POP-Q: Aa -3; Ba -3; Ap +3; Bp +5; C -6; D -2. Interprete-o.
Resposta:
Aa e Ba que representam a parede anterior, estão em -3, ou seja, 3 cm acima do hímen. Logo, normais. Não há prolapso de parede anterior. Já Ap, e Bp que representam a parede posterior,estão positivas, +3 e +5 respectivamente, o que indica um prolapso de parede posterior. Por fim, o colo uterino apresenta-se 6cm acima do hímen, D-6, local ideal, e o fundo de saco apresenta-se levemente descido por apresentar D -2, mas ainda assim está a 2 cm acima do hímen. Conclui-se, portanto, que como os achados de Ap e Bp positivados, há nitidamente um prolapso de parede posterior.
Referências
- Hoffman, Schorge, Schaffer, Halvorson, Bradshaw, e Cunningham. Ginecologia de Williams. 2ª edição. New York: Copyright, 2014.
- HORST, Wagner; SILVA, Jean Carl. Prolapsos de órgãos pélvicos: revisando a literatura. Arquivos Catarinenses de Medicina, v. 45, n. 2, p. 91-101, 2016.
- Tola B Fashokun, Rebecca G Rogers. Prolapso de órgãos pélvicos em mulheres: avaliação diagnóstica. Publicado no UpToDate em Dezembro, 2019.
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