Hemorragias Intracranianas
As hemorragias intracranianas são comuns e têm como principais causas: hipertensão, angiopatia amiloide em idosos, malformações vasculares, neoplasias primárias de SNC, metástases cerebrais, trauma e transformação hemorrágica de acidente vascular cerebral isquêmico.
HEMATOMAS CRANIANOS
Sangramento dentro do crânio, mas fora do tecido cerebral
- Sangramento dentro do crânio, mas fora do tecido cerebral
O cérebro tem três camadas de membranas, as meninges, que ficam entre o crânio ósseo e o tecido cerebral real. O objetivo delas é cobrir e proteger o cérebro. O sangramento pode ocorrer em qualquer lugar entre essas três membranas. As três membranas são chamadas dura-máter, aracnoide e pia-máter. Os sangramentos cerebrais podem ocorrer dentro das meninges, que é a área dentro do crânio, mas fora do tecido cerebral real:
- Sangramento ou hemorragia epidural: o sangramento ocorre entre o osso do crânio e a dura-máter.
- Sangramento ou hemorragia subdural: o sangramento ocorre entre a dura-máter e a aracnoide.
- Sangramento ou hemorragia subaracnoide: o sangramento ocorre entre a membrana da aracnoide e a pia-máter.
Sangramento no tecido cerebral
Dois tipos de sangramento cerebral podem ocorrer dentro do próprio tecido cerebral: a hemorragia intracerebral (também chamada de hemorragia cerebral e derrame hemorrágico) e a hemorragia intraventricular.
- Hemorragia intracerebral: sangramento nos lobos, ponte e cerebelo do cérebro (sangramento em qualquer parte do próprio tecido cerebral, incluindo o tronco cerebral).
- Hemorragia intraventricular: sangramento ocorre nos ventrículos do cérebro, que são áreas específicas do cérebro (cavidades) onde o líquido cefalorraquidiano é produzido.
As causas para a ocorrência das hemorragias intracranianas são: as causas do Acidente Vascular Cerebral (AVC), que será discutido posteriormente, e os traumatismos cranianos.
Acidente Vascular Cerebral (AVC)
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma síndrome neurológica com grande prevalência em adultos e idosos, sendo a principal causa de mortalidade no mundo. Ele acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro obstruem ou se rompem, provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea.
Existem dois tipos de AVC:
- AVC Isquêmico: é o mais comum. Ocorre quando um vaso que irriga o cérebro é bloqueado.
- AVC Hemorrágico: ocorre devido à ruptura de um vaso sanguíneo, causando sangramento dentro ou ao redor do cérebro.
O Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCH) se caracteriza pelo sangramento em uma parte do cérebro, em consequência do rompimento de um vaso sanguíneo. Pode ocorrer para dentro do cérebro ou tronco cerebral (acidente vascular cerebral hemorrágico intraparenquimatoso) ou para dentro das meninges (hemorragia subaracnóidea). A hemorragia intraparenquimatosa (HIP), é o subtipo mais comum de hemorragia cerebral, acometendo cerca de 15% de todos os casos de AVC.
A causa principal é em decorrência da hipertensão arterial, de ruptura de aneurismas ou de uma doença chamada angiopatia amiloide. Entretanto, outras causas podem levar ao rompimento dos vasos sanguíneos, como: hemofilia e outros distúrbios de coagulação, ferimentos na cabeça e/ou pescoço, vasculites, Insuficiência Cardíaca (IC), Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), arritmias cardíacas entre outros.
Avaliação e Diagnóstico
O diagnóstico da hemorragia geralmente é feito com base nos resultados de:
- Uma avaliação de seus sintomas físicos;
- Tomografia computadorizada (TC), imagem por ressonância magnética (MRI) ou angiografia por ressonância magnética (MRA) do cérebro. Esses exames de imagem determinam a localização, extensão e, às vezes, a causa do sangramento.
Outros testes podem incluir: eletroencefalograma, radiografia de tórax e/ou urinálise; estudo vascular completo, hemograma completo (CBC) e / ou estudos sanguíneos; punção lombar para avalição do líquido cefalorraquidiano e, em alguns casos, a angiografia convencional pode ser feita para identificar um aneurisma ou malformação arteriovenosa.
Escala de Fisher
A escala de Fisher (FRS) foi projetada em 1980 e tem a atribuição de correlacionar a quantidade de sangue vista pós hemorragia subaracnóidea (HSA) na tomografia computadorizada (TC) e predizer o risco de desenvolver vasoespasmos e atraso no déficit neurológico.
A escala é dividida em graus que vão de 1 a 4, apresentada na tabela abaixo:

A escala revisada de Fisher (FRS) apresenta uma alternativa para avaliar pacientes com hemorragia subaracnoide (HSA).

PALAVRAS CHAVES: Acidente Vascular Cerebral (AVC); Acidente Vascular Encefálico (AVE); Hemorragia Subaracnóide (HSA); Escala de Fisher.
AUTOR: Vitória Vieira Oliveira
INSTAGRAM @vitoria.vvo
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Referências:
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