Nesse texto, iremos abordar sobre a classificação de DeBakey, que foi introduzida por um cirurgião cardiovascular estadunidense chamado Michael Ellis DeBakey, na década de 1950. A classificação de DeBakey tem por finalidade categorizar as dissecções de acordo com o segmento da aorta comprometido e sua extensão, ajudando a orientar o tratamento do paciente, sendo ele um tratamento imediato, cirúrgico ou medicamentoso.
Definição
A classificação de DeBakey é utilizada em situações como a dissecção da aorta, que pode ser estabelecida como a separação de sua camada média provocado pelo influxo de sangue através de uma abertura na camada íntima, criando uma luz falsa de extensão múltipla ao longo do vaso. Além disso, a dissecção é definida como aguda quando o período de início da dor for menor ou igual há 14 dias; e crônica quando o primeiro sintoma ocorreu há mais de 14 dias, sendo que as complicações fatais da doença ocorrem com mais frequência nas primeiras horas ou dias. Há diversos fatores que tem potencial de levar ao surgimento da dissecção e à degeneração da camada média, entre eles tabagismo, aterosclerose, hipertensão, entre outros.
Figura 1. Dissecção da artéria
Fonte: https://www.suprevida.com.br/fotos/disseccao-aortica-(1)794636-1580222776926.jpg
Sintomatologia:
Existem sintomas associados a essa dissecção, o mais observado é dor dorsal e dor torácica de forte intensidade, que é relatada como uma dor de caráter “cortante” por muitos pacientes, essa dor pode irradiar para o abdome, região lombar ou para cabeça. Uma quantidade muito baixa de pacientes pode ser assintomáticos.
Classificação de DeBakey:
A classificação de DeBakey se refere ao acometimento da aorta ascendente, essa é dividida em três tipos. São eles:
– Tipo I, é observado em 70% dos casos e acomete desde a aorta ascendente até a aorta descendente;
– Tipo II, é restrita à aorta ascendente e observada em 5% dos casos;
– Tipo III, acontece em 25% dos casos e acomete a aorta descendente.
Figura 2. Classificação de DeBakey
Fonte: https://www.sanarmed.com/dica-de-emergencia-disseccao-de-aorta
Diagnóstico:
Para um diagnóstico mais preciso é de extrema necessidade a realização de uma boa anamnese, um excelente exame físico e alguns exames complementares, como por exemplo, o exame de imagens.
Anamnese:
Uma boa anamnese faz com que outras patologias sejam descartadas, gerando ao médico informações sobre hábitos e problemas do paciente que possam interferir em seu estado de saúde. Nessa patologia o ideal é perguntar se o paciente apresenta:
– Hipertensão arterial;
– Diabetes;
– Dislipidemia;
– Se é tabagista.
Exame físico:
Alguns exames físicos podem ser realizados para um diagnóstico mais promissor, são eles:
– Alteração da pressão arterial (PA)- HAS ocorre quando há dissecção aórtica distal; enquanto a Hipotensão está associada à dissecção proximal, além de resultar de situações como insuficiência aórtica grave;
– Assimetria de pulsos- Aconselha realizar a compressão da luz vascular dessas artérias; a pressão arterial medida em ambos os braços pode apresentar uma diferença relevante;
– Sopro de insuficiência aórtica- sopro diastólico, audível no foco aórtico e aórtico acessório, com irradiação para o ictus. É possível ouvir sopro de regurgitação aórtica, podendo deparar com sinais de derrame plaural e derrame pleural.
Exames de imagens:
O exame de imagem vai servir como um exame complementar, para ter a certeza ou descartar tal prognóstico.
– Eletrocardiograma pode mostrar sinais de hipertrofia ventricular esquerda decorrente da HAS crônica;
– Tomografia computadorizada de tórax identifica o envolvimento ou não da aorta ascendente e a presença de derrame pericárdico;
–RX de tórax pode mostrar alargamento do mediastino e da silhueta aórtica e separação da calcificação intimal (sinal de cálcio) em mais de 1 cm do contorno externo do botão aórtico. Também é possível encontrar sinais de derrame pericárdico e pleural;
-Aortografia Identifica a localização do ponto de entrada, a avaliação da competência da valva aórtica e o diagnóstico da dupla luz.
Diagnósticos diferenciais:
– Pneumotórax hipertensivo;
– Infarto Agudo do Miocárdio (IAM);
– Síndrome isquêmica miocárdica ou cerebral aguda;
-Pericardites;
– Ruptura do esôfago.
Tratamento:
O tratamento clínico da dissecção da aorta é aprimorado no controle da dor, da pressão arterial e frequência cardíaca, essas medidas podem minimizar a velocidade da contração ventricular e o stress na parede da aorta, reduzindo a propensão de propagação da dissecção. Os betabloqueadores são as drogas mais determinantes no tratamento clínico. Já o tratamento cirúrgico consiste em uma excisão da ruptura intimal, destruição da entrada na falsa de luz e reconstituição da aorta pela interposição de enxerto sintético com ou sem restauração das coronárias ou reconstituição da valva aórtica. Esse procedimento é propício para casos classificados como DeBakey I e II e para o tipo III nos casos de complicações.
Autor: Mateus Julio Garcia
Instagram: @Mateusjulio___
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Referências bibliográficas:
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