O termo Bi-RADS, acrônimo em inglês para Breast Image Reporting and Data System, consiste em uma classificação criada em 1993 pelo American College of Radiology (ACR), com a finalidade de padronizar mundialmente os relatórios mamográficos, minimizando os riscos da má interpretação dos laudos da mamografia e facilitando a comparação de resultados para futuros estudos clínicos.
Foi traduzido para diversos idiomas, sendo a primeira versão em português produzida pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) em 2005 e a última versão publicada em 2013, conforme atualizações do ACR.
O Bi-RADS é adotado pelo CRB, e também pelas
Sociedades de Mastologia e Ginecologia e Obstetrícia, como padrão descritivo,
análise e conduta das lesões mamárias.
A aplicação do Bi-RADS engloba a mamografia, a
ultrassonografia e a ressonância magnética das mamas. Neste material, focaremos
nos achados mamográficos.
Existem, sequencialmente, categorias de 0 a 6 para classificação do Bi-RADS. Através desta classificação, o médico poderá distinguir a probabilidade de a lesão ser maligna ou benigna e a partir daí seguir a conduta recomendada, conforme demonstrado no quadro a seguir.

Agora vamos para o detalhamento de cada
categoria.
Categoria 0
Nesta categoria, o exame é considerado inconclusivo ou incompleto. Isso pode ocorrer devido a fatores técnicos, tais como imagens de baixa qualidade, devido ao posicionamento inadequado da mama ou à movimentação da paciente durante o exame.
Pode ser atribuída esta categoria quando a lesão está obscurecida pelo parênquima mamário. Nestes casos, há necessidade de reconvocação da paciente para repetir o exame ou para realização de avaliação adicional, que inclui a comparação com exames anteriores, uso de compressão localizada (com ou sem ampliação), incidências mamográficas especiais ou ultrassonografia.
Quando a categoria 0 for usada no contexto de espera de exames para comparação, é necessário assegurar que uma avalição final seja feita dentro de 30 dias (preferivelmente antes disso).
Categoria 1
Nesta categoria, o exame é normal, ou seja,
nenhuma alteração, seja benigna ou maligna, é encontrada. A orientação aqui é
seguir o rastreamento de rotina.
Categoria 2
Assim como na categoria 1, esta é uma
avaliação normal, mas aqui o radiologista opta por descrever um achado benigno
no laudo mamográfico. Fibroadenomas calcificados em involução, calcificações
cutâneas, corpos metálicos estranhos (como marcadores de biópsia por agulha e
clipes cirúrgicos) e lesões contendo gordura (como cistos oleosos, lipomas, galactoceles
e hamartomas de densidade mista), linfonodos intramamários, calcificações vasculares,
implantes, distorção arquitetural claramente relacionada à cirurgia anterior,
todos tem aparência benigna e podem ser descritos com segurança nesta categoria.
A orientação é seguir o rastreamento de rotina.
Categoria 3
Um achado nesta categoria deve ter uma probabilidade ≤ 2% de malignidade e por isso são considerados provavelmente benignos. Três achados específicos são validados dessa forma: nódulo sólido circunscrito não calcificado, assimetria focal e agrupamento isolado de calcificações puntiformes.
Não se espera que haja alteração de um achado provavelmente benigno ao longo do período de seguimento sugerido. Dessa forma, orienta-se que seja realizado um seguimento inicial de curto prazo: a cada 6 meses no primeiro ano e anual nos demais, até completar 2 a 3 anos.
Caso a lesão permaneça estável, após esse período, ela deve ser classificada como categoria 2. Caso haja evolução com características de malignidade, recomenda-se classificar como categoria 4 e orientar a biópsia da lesão.
Categoria 4
Essa categoria é reservada para achados que tem
de 2 a 95% de chance de malignidade. Essa variação é bem ampla, sendo assim,
esta categoria é subdividida em três subcategorias. A apresentação dessas
subcategorias no laudo é opcional, visto que a orientação, independentemente da
sua subdivisão, é a realização de biópsia. Assim temos:
- Categoria 4A
– engloba achados em que resultado
maligno não é esperado, pois a possibilidade de malignidade é < 10%.
Exemplos de achados incluídos nessa categoria são: nódulo sólido parcialmente
circunscrito cujas características ultrassonográficas sugerem fibroadenoma, cisto
complicado palpável único e provável abscesso. O detalhe é que a biópsia nesta
subcategoria pode até ser dispensável, sendo realizado acompanhamento após seis
meses; - Categoria 4B – engloba achados cuja suspeita de malignidade é
intermediária e a possibilidade de malignidade é de 10 a 50%. Exemplos de achados
incluídos nessa categoria são: grupo de calcificações amorfas ou pleomórficas
finas e nódulos com margens indistintas; - Categoria 4C – engloba achados cujo resultado benigno não é
esperado, pois a possibilidade de malignidade é 50 a 95%. Exemplos de achados incluídos
nessa categoria são: nódulo sólido novo, indistinto e irregular, e um novo
agrupamento de calcificações finas lineares.
Categoria 5
Essa categoria é reservada para achados com ≥ 95% de chance de malignidade. Inicialmente, na categoria 5, estavam as lesões para as quais um tratamento cirúrgico num só tempo poderia ser considerado sem uma biópsia preliminar, numa época em que a localização pré-operatória com fio metálico era o principal procedimento intervencionista.
Atualmente, dada a ampla aceitação da biópsia percutânea guiada por imagem, proceder à cirurgia sem um diagnóstico tecidual raramente ocorre. Portanto, a razão para se classificar uma avaliação como categoria 5 é identificar lesões para as quais qualquer diagnóstico não maligno decorrente de biópsia por agulha seja automaticamente considerado discordante, resultando na recomendação de repetição da biópsia (geralmente cirúrgica).
Exemplos de achados incluídos nessa categoria são: nódulo de alta densidade irregular, espiculado, associado com microcalcificações e novas calcificações finas lineares e ramificadas com distribuição segmentar.
Categoria 6
Essa categoria é reservada para lesões identificadas no exame de imagem realizado após comprovação da malignidade por biópsia, mas antes da ressecção cirúrgica.
Após a terapêutica cirúrgica realizada, quando clinicamente for apropriado, se não houver nenhum achado mamográfico além daqueles indicativos de cicatriz pós-cirurgia, a avaliação benigna (categoria 2) deverá ser feita. Por outro lado, caso haja achados suspeitos residuais ou novos, a avaliação apropriada será categoria 4 ou 5, a depender do achado suspeito encontrado.