A cirurgia plástica enfrenta um grande impasse no que diz respeito a relação médico paciente. A expectativa fantasiosa do paciente, a influência das mídias e redes sociais e até as propagandas sensacionalistas dos próprios profissionais faz com que toda a relação precise ser vista com cautela.
O paciente na cirurgia plástica
Um paciente pode ser bem desafiador para um médico e na cirurgia plástica não é diferente.
É necessário já na abordagem inicial e na anamnese entender não só o quadro, mas também os anseios, outras possíveis motivações e quais as dificuldades que podem aparecer.
Nesse momento você pode se deparar com pacientes que demandem maior cautela e com red flags que deve prestar atenção. Infelizmente, é comum ter pacientes que criam uma expectativa ilusória, ou mesmo intangível, sobre suas cirurgias.
Também é comum encontrar pacientes com depressão ou problemas pessoais, que demandam um cuidado maior na abordagem ao lado emocional. Assim como pacientes agressivos e os chamados sedutores, que acabam caindo na transferência na relação médico-paciente.
E, pensando nisso, você deve expor de forma clara qual o resultado mais provável. Fuja de respostas rápidas e tirando um tempo para explicar toda a situação e fazer todas as ressalvas necessárias.
Assim como o risco de complicações, a responsabilidade do paciente e/ou de uma possível rede de apoio durante o pós operatório, entre outros fatores.
O papel do médico
A capacidade de lidar com o paciente evolui ao longo da carreira, então não precisa se assustar se você acabou de se formar ou ainda está na faculdade e não tem confiança nesses momentos.
Também é comum que médicos tenham e desenvolvam sua próprias personalidades e relações com o paciente, que é algo que vai se fortalecendo ao longo do tempo.
O fundamental para se ter em mente é respeitar a autonomia e os direitos do paciente, assim como enxergá-lo de forma completa e não só o problema ou enfermidade que o levou a busca pela cirurgia.
Para um médico cirurgião, o respeito pela individualidade e a capacidade de ouvir são essenciais para o sucesso. Assim, você pode assumir particularidades e uma forma própria de trabalhar, mas precisa buscar favorecer o paciente e fazer isso de uma forma humanística. Dessa forma, entendendo a importância do físico e do psicológico.
Vemos na prática situações em que o profissional assume uma postura paternalista, insegura, pessimista, autoritária ou até mesmo agressiva, que obviamente deteriora a relação com o paciente.
Ao passo que também vemos pacientes agressivos ou sedutores, o que também afeta essa relação. Afinal, toda relação é uma vida de mão dupla.
E assim como pacientes podem e devem decidir não operar com um cirurgião que não sinta confiança, você como médico pode não se sentir à vontade para operar um determinado paciente, sendo mais responsável se resguardar a abster de operar.
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