Como atender melhor na pediatria
Segundo
a Sociedade Brasileira de Pediatria, a área de atuação do Pediatra é desde o último trimestre da gravidez até 20 anos incompletos,
englobando então uma extensa faixa etária, com diversas modificações durante
fase. Por isso, o pediatra precisa estar a par e conhecer os interesses e
habilidades das diferentes faixas etárias. O
atendimento dado a essa população deve ser diferenciado do que é fornecido
aos adultos. A explicação para essa distinção aparece nos seguintes itens:
| Dependência de um responsável. |
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A consulta, apesar de direcionada a criança, muitas vezes, a conversa do médico acontece apenas com os seus responsáveis. |
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Dificuldade de compreensão, pelo paciente, sobre o motivo e importância daquela consulta ou da indicação de procedimentos. |
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Epidemiologia e história natural das doenças. |
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Indicações, modo de utilização e a necessidade de cálculos individualizados, para a determinação da dosagem de drogas. |
Detalhando
os exemplos acima, podemos pensar nas situações de que o médico deve ter
habilidade para trabalhar tanto com a angústia e dúvidas dos responsáveis pelas
crianças, como, também, incluir aquele paciente, principalmente, os mais
velhos, no seu plano de tratamento e nas demais explicações pertinentes. Além
disso, muitos pacientes dessa faixa etária não compreendem o motivo de estarem
em um médico ou o motivo de necessitarem de um procedimento, invasivo, por
exemplo, seja um simples acesso venoso periférico ou uma sutura.
Dicas para ter um atendimento melhor
1. Utilize uma calculadora
Sabemos
que, na pediatria, as doses das drogas
são diferentes daquelas preconizadas para o adulto.
Estudos
realizados em dois hospitais pediátricos de referência e prestígio nos USA, por
meio da revisão de prescrições, mostraram que a maior ocorrência de erros aconteceram em Unidades de Cuidados
Intensivos (UCIP),
sendo a prescrição errônea de drogas, o mais frequente erro, correspondendo até
a 82%.(FOLLI e col. 1987)
Ademais,
estudos demonstram a dificuldade de profissionais de saúde em realizar os
diversos cálculos matemáticos, ocasionando
erro relacionado à dosagem de medicamentos.
Portanto,
para evitar falhas, é recomendável sempre ter uma calculadora em mão e revisar
sua técnica de cálculo, seja via aplicativo do celular ou a máquina física.
2. Tenha paciência com os pais e seja menos sério com crianças
O
psicólogo americano Carl Rogers, preconizava que profissionais de
saúde deveriam desenvolver a técnica da abordagem centrada na pessoa. No entanto, na
pediatria, essa atenção precisa ser
dividida entre os responsáveis e o próprio paciente. Por
esse motivo, o médico que esteja atendendo crianças deve desenvolver habilidades de sensibilidade e dedicação
para realizar uma comunicação adequada com os pacientes e com os seus
familiares.
O
profissional deve ajudar a diminuir a ansiedade e anseios dos pais,
explicando-lhes sobre eventuais dúvidas e, concomitantemente, ser menos sério com as crianças,
mas sem excluí-las da conversa.
3. Use abaixador de língua com aroma e sabor
O
abaixador de língua pode ter apresentações em diversos sabores e, com isso,
ajudar a criança, na aceitação melhor do exame físico, devido à ativação do
paladar e a distração.
4. Distraia as crianças
Além do exame físico, muitas vezes, é necessário distrair as crianças, enquanto se realiza algum procedimento, como sutura. Por exemplo, quando estagiei na emergência pediátrica, nas situações que, precisávamos realizar sutura em crianças, o fato de distraí-las, com vídeos, contribuía com a realização do procedimento de forma tranquila e segura.
5. Conheça o ciclo de vida, traumas e estratégias de enfrentamento.
Principalmente,
quando a criança vai ficando mais velha e entra na adolescência, fase, ainda,
de competência do atendimento da pediatria, pode haver desenvolvimento de
ansiedade, medos e traumas relacionados com o novo período, que ela está
experimentando.
Portanto,
o médico deve conhecer esses problemas, assim como a sexualidade, as estratégias de defrontação, as questões
religiosas e culturais, eventualmente envolvidas, e a sua rede de apoio,
que pode incluir amigos e familiares, pois, também cabe ao profissional
orientar os pacientes em busca de uma vida saudável, estimular a autoestima e o
enfrentamento de dificuldades sociais e sexuais.
Conclusão
Por fim, de grande
valia, além dos itens citados acima, vê-se como importante e imprescindível a
contribuição dos médicos para estimular
a adesão dos pacientes a campanhas de vacinação, na prevenção de lesões
e na defesa de políticas e ações do
Governo com foco nessa população.