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CID R64: Caquexia

R64
Caquexia

Mais informações sobre o tema:

Definição

A caquexia é uma síndrome metabólica complexa e multifatorial caracterizada por perda de peso involuntária, atrofia muscular progressiva, astenia e fadiga, frequentemente associada a doenças crônicas subjacentes. Representa um estado de desnutrição severa e hipercatabolismo, resultando em redução da massa muscular esquelética, com ou sem perda de gordura, que não é totalmente reversível apenas com suporte nutricional convencional. A fisiopatologia envolve desregulação inflamatória, com aumento de citocinas pró-inflamatórias (como TNF-α, IL-1, IL-6), ativação do sistema ubiquitina-proteassoma, resistência anabólica e alterações neuroendócrinas, levando a um balanço energético negativo e degradação proteica. Clinicamente, impacta significativamente a qualidade de vida, aumenta a morbimortalidade e reduz a resposta a tratamentos, sendo um marcador prognóstico adverso em diversas condições, como câncer, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e infecções crônicas. Sua epidemiologia é ampla, com prevalência variável dependendo da doença de base, sendo particularmente comum em pacientes oncológicos avançados, onde pode afetar até 80% dos casos.

Descrição clínica

A caquexia se manifesta como um estado de emaciação extrema, com perda de peso involuntária (geralmente >5% do peso corporal em 6 meses), atrofia muscular evidente (especialmente em grupos proximais), fraqueza muscular, fadiga incapacitante e redução da performance física. Pode ser acompanhada de anorexia, saciedade precoce, alterações do paladar, anemia, hipoalbuminemia e edema em casos avançados. A avaliação clínica inclui história detalhada de perda de peso, exame físico com ênfase em composição corporal (como circunferência muscular do braço) e avaliação de doenças subjacentes. A síndrome é distinta da simples desnutrição, pois envolve componentes inflamatórios e metabólicos que perpetuam a perda de massa magra.

Quadro clínico

O quadro clínico é dominado por emagrecimento progressivo e involuntário, com perda de massa muscular (evidenciada por fraqueza, dificuldade para deambular e redução da força de preensão), astenia profunda e fadiga que limita atividades diárias. Sinais adicionais incluem anorexia, saciedade precoce, alterações cutâneas (pele seca, cabelos quebradiços), edema periférico em casos de hipoalbuminemia, e sinais da doença subjacente (ex.: dispneia na insuficiência cardíaca, dor em câncer). A avaliação deve incluir história de perda de peso, ingestão alimentar, sintomas sistêmicos e exame físico com antropometria.

Complicações possíveis

Insuficiência respiratória

Fraqueza dos músculos respiratórios levando a hipoventilação e infecções.

Infecções recorrentes

Imunossupressão por desnutrição e inflamação crônica.

Disfunção cardiovascular

Redução da massa muscular cardíaca e alterações hemodinâmicas.

Quedas e fraturas

Fraqueza muscular e osteoporose secundária.

Redução da resposta terapêutica

Tolerância diminuída a quimioterapia, cirurgia e outros tratamentos.

Epidemiologia

A caquexia tem prevalência variável, afetando 5-15% de pacientes com insuficiência cardíaca crônica, 20-40% com DPOC, 30-50% com doença renal crônica e até 80% com câncer avançado (especialmente pâncreas, pulmão e gastrointestinal). Em idosos, a prevalência pode chegar a 10% na comunidade e 30% em instituições. A incidência aumenta com a gravidade da doença subjacente, idade avançada e presença de multimorbidades. Dados brasileiros são escassos, mas seguem tendências globais, com impacto significativo na saúde pública devido aos custos hospitalares e perda de produtividade.

Prognóstico

O prognóstico da caquexia é geralmente reservado, com alta morbimortalidade, especialmente quando associada a doenças avançadas como câncer metastático ou insuficiência cardíaca refratária. A síndrome reduz a sobrevida, a qualidade de vida e a resposta a intervenções. Fatores prognósticos negativos incluem perda de peso rápida, IMC muito baixo, inflamação sistêmica marcada (PCR elevado) e presença de múltiplas comorbidades. Intervenções precoces com suporte nutricional, exercício e manejo da doença de base podem atenuar a progressão, mas a reversão completa é rara em estágios avançados.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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