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CID R42: Tontura e instabilidade
R42
Tontura e instabilidade
Mais informações sobre o tema:
Definição
A tontura e instabilidade (CID-10 R42) referem-se a sintomas subjetivos de desequilíbrio, vertigem, sensação de flutuação ou desmaio iminente, sem especificação de causa subjacente. Estes sintomas representam uma queixa comum na prática clínica, frequentemente associada a distúrbios do sistema vestibular, neurológico, cardiovascular ou metabólico. A tontura pode ser classificada em vertigem (ilusão de movimento), pré-síncope (sensação de desmaio), desequilíbrio (instabilidade postural) ou tontura inespecífica, cada uma com implicações diagnósticas distintas. A epidemiologia mostra alta prevalência, especialmente em idosos, com impacto significativo na qualidade de vida e risco aumentado de quedas. A abordagem clínica requer uma avaliação sistemática para diferenciar causas benignas de condições potencialmente graves, como acidente vascular cerebral ou arritmias cardíacas.
Descrição clínica
A tontura e instabilidade manifestam-se como sensações desagradáveis de desorientação espacial, perda de equilíbrio ou vertigem, podendo ser acompanhadas de náuseas, vômitos, sudorese ou palidez. A apresentação clínica varia conforme a etiologia: vertigem periférica (ex.: vertigem posicional paroxística benigna) tipicamente apresenta episódios breves desencadeados por movimentos da cabeça, enquanto causas centrais (ex.: esclerose múltipla) podem cursar com sintomas contínuos e achados neurológicos associados. A instabilidade refere-se à dificuldade em manter a postura ereta, muitas vezes descrita como 'andar cambaleante' ou sensação de queda. A avaliação deve incluir história detalhada do caráter, duração, fatores desencadeantes e sintomas associados, além de exame físico com testes vestibulares e neurológicos.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui tontura (descrita como vertigem, sensação de flutuação ou cabeça leve), instabilidade postural, náuseas, vômitos, sudorese, palidez e, em casos graves, quedas. A vertigem periférica geralmente é episódica, intensa, com nistagmo horizontal-torsional e melhora com fixação visual; a central tende a ser contínua, menos intensa, com nistagmo vertical ou puro e piora com fixação. Sintomas associados como perda auditiva, zumbido ou plenitude auricular sugerem envolvimento cocleovestibular (ex.: doença de Ménière). Sinais de alerta incluem déficits neurológicos focais (ex.: diplopia, disartria), cefaleia intensa ou sincope, indicando causas graves como acidente vascular cerebral.
Complicações possíveis
Quedas e traumas
A instabilidade postural aumenta o risco de quedas, podendo resultar em fraturas, especialmente em idosos.
Restrição de atividades
Tontura crônica pode levar a limitações funcionais, afetando mobilidade, trabalho e qualidade de vida.
Ansiedade e depressão
Sintomas persistentes podem desencadear ou exacerbar transtornos psiquiátricos.
Iatrogenia
Uso inadequado de medicamentos para tontura pode causar efeitos adversos ou mascarar causas subjacentes.
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A tontura é uma queixa comum, com prevalência estimada em 20-30% na população geral, aumentando para mais de 50% em idosos. É mais frequente em mulheres e associada a comorbidades como hipertensão, diabetes e transtornos de ansiedade. Causas periféricas, como VPPB, representam cerca de 50% dos casos em serviços especializados. A incidência de causas graves, como AVC, é baixa (cerca de 3-5% em serviços de emergência), mas requer alta suspeição. Dados brasileiros mostram similaridade com padrões internacionais, com impacto significativo no sistema de saúde.
Prognóstico
O prognóstico varia conforme a etiologia: condições benignas como VPPB têm excelente resposta a manobras de reposicionamento, com resolução em semanas. Doenças crônicas como Ménière ou enxaqueca vestibular podem cursar com recidivas e requerem manejo a longo prazo. Causas centrais, como AVC, têm prognóstico dependente da extensão da lesão e intervenção precoce. Em idosos, a tontura persistente associa-se a maior risco de quedas e declínio funcional. A abordagem multidisciplinar, incluindo reabilitação vestibular, pode melhorar os desfechos.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, incluindo história detalhada e exame físico. Para vertigem posicional paroxística benigna, utiliza-se o teste de Dix-Hallpike positivo com nistagmo característico. Na doença de Ménière, aplicam-se critérios da American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery: episódios recorrentes de vertigem espontânea, perda auditiva flutuante, zumbido e plenitude auricular. Para causas centrais, a presença de sinais neurológicos focais ou nistagmo atípico no exame sugere necessidade de neuroimagem. Em casos inespecíficos, a exclusão de causas graves através de avaliação cardiovascular e neurológica é essencial.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB)
Causa comum de vertigem episódica desencadeada por movimentos da cabeça, com nistagmo característico no teste de Dix-Hallpike.
Bhattacharyya et al., Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo, Otolaryngology–Head and Neck Surgery, 2017.
Doença de Ménière
Distúrbio do ouvido interno caracterizado por episódios de vertigem, perda auditiva flutuante, zumbido e plenitude auricular.
Lopez-Escamez et al., Diagnostic criteria for Menière's disease, Journal of Vestibular Research, 2015.
Neurite vestibular
Inflamação aguda do nervo vestibular, causando vertigem súbita, náuseas, vômitos e nistagmo espontâneo, sem perda auditiva.
Strupp et al., Vestibular neuritis, The Lancet Neurology, 2007.
Acidente vascular cerebral (AVC) vertebrobasilar
Causa central de tontura, frequentemente associada a déficits neurológicos focais como diplopia, disartria ou ataxia.
Kerber et al., HINTS to diagnose stroke in the acute vestibular syndrome, Stroke, 2014.
Hipotensão ortostática
Queda da pressão arterial ao levantar, resultando em pré-síncope ou tontura, comum em idosos ou com uso de medicamentos.
Freeman et al., Consensus statement on the definition of orthostatic hypotension, Clinical Autonomic Research, 2011.
Exames recomendados
Teste de Dix-Hallpike
Maneobra para diagnóstico de vertigem posicional paroxística benigna, observando nistagmo e sintomas.
Identificar VPPB como causa de vertigem posicional.
Audiometria
Avaliação da audição para detectar perda auditiva associada a distúrbios cocleovestibulares.
Auxiliar no diagnóstico de doença de Ménière ou outras causas periféricas.
Ressonância magnética de encéfalo
Neuroimagem para avaliar estruturas do tronco cerebral, cerebelo e nervos vestibulococleares.
Excluir causas centrais como AVC, esclerose múltipla ou tumores.
Eletrocardiograma e monitoramento Holter
Avaliação do ritmo cardíaco para detectar arritmias que possam causar pré-síncope.
Identificar causas cardiovasculares de tontura.
Testes vestibulares (ex.: videonistagmografia)
Avaliação objetiva da função vestibular periférica e central.
Diferenciar entre causas periféricas e centrais de vertigem.
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Manejo de hipertensão, diabetes e dislipidemia para reduzir risco de AVC e outras causas centrais.
Revisão medicamentosa
Avaliar e ajustar medicamentos que possam causar tontura como efeito adverso (ex.: antihipertensivos, psicotrópicos).
Prevenção de quedas
Adaptações ambientais (ex.: iluminação adequada, barras de apoio) e uso de calçados adequados.
Vigilância e notificação
A tontura e instabilidade não são condições de notificação compulsória no Brasil, exceto quando associadas a doenças de notificação obrigatória (ex.: meningite, intoxicações). A vigilância em saúde pública foca em fatores de risco como uso de medicamentos, quedas em idosos e doenças cardiovasculares. Recomenda-se monitoramento em serviços de atenção primária para identificar casos recorrentes e implementar medidas preventivas. Em surtos ou clusters, investigação epidemiológica pode ser necessária para excluir causas infecciosas ou ambientais.
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Vertigem refere-se a uma ilusão de movimento (ex.: rotação ou flutuação), geralmente associada a disfunção vestibular, enquanto tontura inespecífica descreve sensações como cabeça leve ou desequilíbrio sem ilusão de movimento, podendo ter causas cardiovasculares, metabólicas ou psiquiátricas. A distinção é crucial para direcionar a investigação diagnóstica.
Suspeitar de causa central na presença de sinais de alerta como déficits neurológicos focais (ex.: diplopia, disartria, fraqueza unilateral), cefaleia intensa, nistagmo vertical ou puro, ou sintomas que não melhoram com fixação visual. O acrônimo HINTS (Head Impulse, Nystagmus, Test of Skew) auxilia na diferenciação entre causas periféricas e centrais em síndromes vestibulares agudas.
O manejo envolve avaliação multifatorial: revisão medicamentosa para excluir iatrogenia, controle de comorbidades cardiovasculares, reabilitação vestibular para melhorar equilíbrio, e medidas ambientais para prevenir quedas. A abordagem multidisciplinar com fisioterapia e suporte psicológico pode otimizar os desfechos funcionais.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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