CID R18: Ascite
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Definição
A ascite é definida como o acúmulo patológico de líquido na cavidade peritoneal, caracterizando-se como um sinal clínico e não uma doença primária. Este acúmulo resulta de um desequilíbrio entre a formação e a reabsorção de líquido peritoneal, frequentemente associado a hipertensão portal, hipoalbuminemia, ou processos inflamatórios ou neoplásicos peritoneais. A ascite pode ser classificada quanto ao gradiente de albumina soro-ascite (SAAG) em alta (≥1,1 g/dL, tipicamente relacionada à hipertensão portal) ou baixa (<1,1 g/dL, associada a causas não-portais como peritonite ou neoplasias). Sua presença indica gravidade subjacente, com impacto significativo na morbimortalidade, especialmente em doenças hepáticas crônicas, onde está associada a pior prognóstico e aumento do risco de complicações como peritonite bacteriana espontânea. Epidemiologicamente, a cirrose hepática é a causa mais comum em até 85% dos casos, refletindo a carga global de doenças hepáticas crônicas.
Descrição clínica
A ascite manifesta-se clinicamente como aumento progressivo do volume abdominal, frequentemente acompanhado de desconforto, dor abdominal, dispneia por restrição diafragmática, e sinais de hipertensão portal como circulação colateral abdominal. Na inspeção, observa-se abdome distendido, com flacidez de flancos e deslocamento do umbigo. A percussão revela macicez móvel com a mudança de decúbito, e a palpação pode detectar ondas fluidas. Em casos avançados, pode haver edema de membros inferiores e sinais de desnutrição. A avaliação deve incluir história clínica detalhada, exame físico completo e investigação etiológica para direcionar o manejo adequado.
Quadro clínico
O quadro clínico da ascite varia desde assintomático em casos leves até grave com complicações. Sintomas comuns incluem aumento abdominal progressivo, peso ou desconforto abdominal, anorexia, náuseas e dispneia por compressão diafragmática. Sinais físicos característicos são macicez móvel à percussão, sinal do piparote positivo, flacidez de flancos e ondas fluidas à palpação. Em ascite maciça, pode haver hérnia umbilical, edema de membros inferiores e sinais de desnutrição. Complicações agudas como peritonite bacteriana espontânea manifestam-se com dor abdominal, febre e alteração do estado mental. A presença de sinais de hipertensão portal (como circulação colateral, esplenomegalia) sugere etiologia hepática, enquanto achados como derrame pleural associado podem indicar causas cardíacas ou pancreáticas.
Complicações possíveis
Peritonite bacteriana espontânea
Infecção do líquido ascítico sem fonte intra-abdominal evidente, com risco de sepse e mortalidade elevada se não tratada.
Síndrome hepatorrenal
Insuficiência renal funcional em pacientes com cirrose e ascite refratária, associada a mau prognóstico.
Hidrotórax hepático
Derrame pleural por passagem de líquido ascítico através de defeitos diafragmáticos, podendo causar dispneia grave.
Hérnia umbilical
Protusão do umbigo devido à pressão intra-abdominal elevada, com risco de encarceramento ou estrangulamento.
Desnutrição e caquexia
Perda de massa muscular e proteica agravada pela doença de base e restrição dietética, impactando a recuperação.
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Epidemiologia
A ascite é um problema clínico comum, com incidência global estimada em 10% dos pacientes com cirrose hepática, refletindo a prevalência de doenças hepáticas crônicas (ex.: hepatite viral, esteatohepatite alcoólica). No Brasil, a cirrose é causa frequente, associada a fatores como alcoolismo e hepatite C. Em países desenvolvidos, a ascite por causas não-cirróticas (ex.: neoplasias, insuficiência cardíaca) representa 15-20% dos casos. A mortalidade relacionada à ascite é elevada, com taxas de até 40% em 2 anos após o diagnóstico em pacientes cirróticos, destacando a necessidade de vigilância e manejo adequado. Fatores de risco incluem hipertensão portal, hipoalbuminemia e história de doença hepática ou cardíaca.
Prognóstico
O prognóstico da ascite depende da etiologia subjacente e da resposta ao tratamento. Na cirrose, a ascite marca a transição para doença hepática descompensada, com taxa de sobrevida em 1 ano de aproximadamente 50% se não tratada adequadamente. Complicações como peritonite bacteriana espontânea ou síndrome hepatorrenal pioram significativamente o prognóstico. Em causas não-cirróticas, como insuficiência cardíaca, o prognóstico está ligado ao controle da doença primária. O manejo eficaz, incluindo restrição de sódio, diuréticos e paracentese, pode melhorar a qualidade de vida e sobrevida, mas a recorrência é comum. Transplante hepático é opção curativa em casos selecionados de cirrose avançada.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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