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CID R13: Disfagia
R13
Disfagia
Mais informações sobre o tema:
Definição
A disfagia é um sintoma caracterizado pela dificuldade ou desconforto na deglutição, abrangendo desde a sensação de alimento 'preso' na garganta ou no esôfago até a incapacidade completa de engolir. Pode ser classificada em orofaríngea (ou de transferência), envolvendo a fase oral e faríngea da deglutição, e esofágica, relacionada à fase esofágica. A disfagia não é uma doença em si, mas um sinal clínico de diversas condições subjacentes, que variam de distúrbios neuromusculares e estruturais a processos inflamatórios ou neoplásicos. Sua presença pode levar a complicações graves, como desnutrição, desidratação, aspiração pulmonar e pneumonia, impactando significativamente a qualidade de vida e a morbimortalidade, especialmente em populações vulneráveis como idosos e pacientes com doenças neurológicas. A epidemiologia é ampla, com prevalência estimada em até 22% em adultos acima de 50 anos e até 68% em idosos institucionalizados, sendo mais comum em condições como acidente vascular cerebral, doença de Parkinson e esclerose lateral amiotrófica.
Descrição clínica
A disfagia manifesta-se como dificuldade na deglutição de sólidos, líquidos ou ambos, podendo ser acompanhada de dor (odinofagia), regurgitação, tosse durante ou após a alimentação, sensação de corpo estranho na garganta, perda de peso não intencional e alterações na voz. A avaliação clínica deve incluir história detalhada do início, duração, progressão e fatores agravantes ou aliviadores, além de exame físico com foco em sinais neurológicos, musculares e da cavidade oral. A disfagia orofaríngea frequentemente apresenta-se com dificuldade em iniciar a deglutição, tosse ou engasgo, voz úmida e regurgitação nasal, enquanto a esofágica é mais associada à sensação de alimento impactado no esôfago e regurgitação tardia.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a etiologia e o tipo de disfagia. Pacientes com disfagia orofaríngea frequentemente relatam dificuldade em iniciar a deglutição, tosse ou engasgo durante as refeições, regurgitação nasal, voz úmida ou rouca após alimentação, e perda de peso. Na disfagia esofágica, os sintomas incluem sensação de alimento impactado no esôfago (geralmente retroesternal), regurgitação de alimentos não digeridos, dor torácica não cardíaca e pirose. A progressão dos sintomas (ex.: de sólidos para líquidos) pode sugerir causas neuromusculares, enquanto a disfagia apenas para sólidos é mais sugestiva de obstrução mecânica. Sinais de alarme como disfagia progressiva, odinofagia intensa, perda de peso significativa ou história de tabagismo/alcoolismo exigem investigação urgente para neoplasias.
Complicações possíveis
Aspiração pulmonar
Entrada de alimento ou secreções nas vias aéreas inferiores, podendo levar a pneumonia aspirativa, abscesso pulmonar ou síndrome do desconforto respiratório agudo.
Desnutrição e desidratação
Redução da ingestão oral devido à dificuldade de deglutição, resultando em perda de peso, deficiências nutricionais e comprometimento do estado geral.
Pneumonia por aspiração
Infecção pulmonar bacteriana secundária à aspiração de conteúdo orofaríngeo, comum em pacientes com disfagia orofaríngea e fatores de risco como idade avançada ou doenças neurológicas.
Impactação esofágica
Obstrução completa do esôfago por alimento, requerendo intervenção endoscópica urgente para remoção e alívio dos sintomas.
Ansiedade e depressão
Impacto psicossocial devido ao medo de engasgar, isolamento social durante refeições e redução da qualidade de vida.
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A disfagia é um sintoma comum, com prevalência variável conforme a população. Estima-se que afete até 22% dos adultos acima de 50 anos na população geral, e até 68% em idosos institucionalizados. É mais frequente em indivíduos com doenças neurológicas, como acidente vascular cerebral (onde ocorre em 37-78% dos casos), doença de Parkinson (até 82%), e esclerose lateral amiotrófica (até 100% em estágios avançados). A disfagia esofágica tem prevalência de cerca de 7-10% em adultos, com causas como doença do refluxo gastroesofágico e acalasia sendo comuns. Fatores de risco incluem idade avançada, tabagismo, alcoolismo, história de radioterapia cervical/torácica e presença de doenças autoimunes. A subnotificação é comum devido à variação na percepção dos sintomas.
Prognóstico
O prognóstico da disfagia depende da etiologia subjacente, da gravidade dos sintomas e da resposta ao tratamento. Em causas reversíveis (ex.: esofagite por refluxo), o prognóstico é bom com manejo adequado. Em condições crônicas ou progressivas (ex.: doenças neurodegenerativas como ELA), a disfagia tende a piorar, necessitando de intervenções contínuas e podendo levar a complicações graves como pneumonia aspirativa, que aumentam a morbimortalidade. A identificação precoce e o manejo multidisciplinar (envolvendo médico, fonoaudiólogo e nutricionista) podem melhorar os desfechos, reduzindo riscos de aspiração e mantendo o estado nutricional. Em casos de neoplasias esofágicas, o prognóstico está relacionado ao estágio da doença e à resposta ao tratamento oncológico.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico da disfagia é clínico, baseado na história e exame físico, mas requer confirmação e caracterização etiológica através de exames complementares. Critérios incluem: (1) relato consistente de dificuldade na deglutição de sólidos, líquidos ou ambos; (2) presença de sinais associados como tosse durante alimentação, regurgitação ou perda de peso; (3) identificação de fatores de risco ou condições subjacentes (ex.: doenças neurológicas). A avaliação deve diferenciar entre disfagia orofaríngea e esofágica, utilizando ferramentas como o questionário EAT-10 (Eating Assessment Tool) para triagem e exames como videofluoroscopia da deglutição ou endoscopia digestiva alta para confirmação. Diretrizes como as da American Gastroenterological Association recomendam abordagem escalonada baseada na suspeita clínica.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Globo faríngeo
Sensação de nódulo ou corpo estranho na garganta sem dificuldade objetiva na deglutição, frequentemente associada a ansiedade ou refluxo laringofaríngeo, sem evidência de obstrução em exames.
Diretrizes da American Gastroenterological Association para avaliação de disfagia, 2020.
Odynophagia
Dor durante a deglutição, que pode coexistir com disfagia, mas é primariamente um sintoma distinto, comum em esofagites infecciosas (ex.: candidíase, herpes) ou inflamatórias.
UpToDate: 'Approach to the evaluation of dysphagia in adults', 2023.
Aerofagia
Deglutição excessiva de ar, levando a distensão abdominal e eructações, sem dificuldade real na passagem do alimento, diferenciada pela ausência de impactação ou regurgitação alimentar.
Rome IV Criteria for Functional Gastrointestinal Disorders, 2016.
Faringite aguda
Inflamação da faringe causando dor e desconforto na deglutição, mas sem obstrução mecânica ou alteração neurológica, geralmente de origem infecciosa e autolimitada.
Guidelines for the management of pharyngitis from the Infectious Diseases Society of America, 2012.
Espasmo esofágico difuso
Distúrbio motor do esôfago que pode simular disfagia com dor torácica, mas caracterizado por contrações esofágicas não propulsivas e descoordenadas, diferenciado por manometria esofágica.
American College of Gastroenterology guidelines on esophageal motility disorders, 2020.
Exames recomendados
Videofluoroscopia da deglutição (VFSS)
Exame de imagem dinâmico que avalia as fases oral, faríngea e esofágica da deglutição usando contraste, identificando aspiração, retenção e alterações motoras.
Padrão-ouro para diagnóstico de disfagia orofaríngea, auxiliando na avaliação da segurança da deglutição e planejamento terapêutico.
Endoscopia digestiva alta (EDA)
Exame endoscópico que visualiza diretamente a mucosa esofágica, gástrica e duodenal, permitindo biópsias e intervenções.
Indicada para investigar causas esofágicas de disfagia, como estenoses, tumores ou esofagite, e para diagnóstico diferencial com condições inflamatórias.
Manometria esofágica
Exame que mede a pressão e a coordenação das contrações esofágicas, avaliando a motilidade esofágica.
Essencial para diagnóstico de distúrbios motores esofágicos como acalasia ou espasmo esofágico difuso, complementando a avaliação da disfagia esofágica.
Tomografia computadorizada (TC) de pescoço/tórax
Exame de imagem que avalia estruturas anatômicas e detecta massas, estenoses ou alterações extraluminais.
Útil em casos de suspeita de causas estruturais ou neoplásicas de disfagia, especialmente quando a endoscopia é inconclusiva ou contraindicada.
Avaliação clínica por fonoaudiólogo
Avaliação funcional da deglutição através de testes clínicos (ex.: teste de deglutição com água) e observação do comportamento alimentar.
Triagem inicial e monitoramento da disfagia orofaríngea, auxiliando na identificação de riscos de aspiração e na prescrição de estratégias compensatórias.
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Avaliação sistemática da deglutição em populações de risco (ex.: pós-AVC, idosos) usando ferramentas como o EAT-10 para identificar disfagia antes do surgimento de complicações.
Controle de fatores de risco
Manejo de condições como doença do refluxo gastroesofágico com modificações dietéticas e medicamentosas, e evitar tabagismo/alcoolismo para reduzir risco de neoplasias esofágicas.
Educação do paciente e cuidadores
Orientação sobre técnicas seguras de alimentação, sinais de alarme e quando buscar ajuda médica, para prevenir episódios de aspiração ou impactação.
Vigilância e notificação
A disfagia não é uma doença de notificação compulsória em sistemas de vigilância epidemiológica padrão, como no Brasil. No entanto, em contextos específicos, como surtos de doenças que causam disfagia (ex.: difteria ou botulismo), a notificação é obrigatória. Em ambientes hospitalares, a disfagia deve ser monitorada como parte da avaliação de pacientes de risco (ex.: pós-AVC, idosos), com uso de protocolos de triagem (ex.: teste de deglutição com água) para prevenir complicações como aspiração. Programas de saúde pública podem incluir a disfagia em estratégias de cuidado geriátrico ou neurológico, mas sem sistemas formais de vigilância. A notificação de condições subjacentes (ex.: câncer de esôfago) segue as diretrizes de registros oncológicos.
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A disfagia orofaríngea envolve dificuldade nas fases oral e faríngea da deglutição, frequentemente associada a doenças neurológicas ou musculares, com sintomas como tosse durante alimentação e regurgitação nasal. A disfagia esofágica ocorre na fase esofágica, relacionada a distúrbios motores ou obstruções, com sensação de alimento impactado no esôfago e regurgitação tardia. A diferenciação é crucial para direcionar a investigação e o tratamento.
A disfagia é um sinal de alarme para câncer de esôfago quando é progressiva (piora ao longo de semanas a meses), ocorre principalmente para sólidos, está associada a perda de peso não intencional, odinofagia intensa ou história de tabagismo/alcoolismo. Nesses casos, investigação urgente com endoscopia digestiva alta é recomendada para excluir neoplasia.
O manejo da disfagia pós-AVC envolve triagem precoce com testes como o de deglutição com água, avaliação por fonoaudiólogo para terapia de deglutição, modificações dietéticas (ex.: espessamento de líquidos) e, se necessário, nutrição enteral temporária. O objetivo é prevenir aspiração e garantir nutrição adequada, com reavaliação regular devido à potencial recuperação neurológica.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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