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CID P77: Enterocolite necrotizante do feto e do recém-nascido

P77
Enterocolite necrotizante do feto e do recém-nascido

Mais informações sobre o tema:

Definição

A enterocolite necrotizante (ECN) é uma emergência gastrointestinal grave, caracterizada por inflamação, necrose e perfuração da mucosa intestinal, predominantemente em recém-nascidos prematuros ou de baixo peso ao nascer. A condição representa uma das principais causas de morbimortalidade neonatal, com incidência inversamente proporcional à idade gestacional e ao peso ao nascer. A fisiopatologia envolve uma interação complexa entre imaturidade intestinal, isquemia, colonização bacteriana anormal e resposta inflamatória exacerbada, frequentemente desencadeada por alimentação enteral. O impacto clínico inclui sepse, choque, síndrome do intestino curto e sequelas neurológicas, exigindo manejo multidisciplinar em unidades de terapia intensiva neonatal (UTIN). Epidemiologicamente, afeta 1-5% dos recém-nascidos internados em UTIN, com taxas de mortalidade variando de 20% a 30% em casos graves, sendo mais comum em prematuros extremos (<28 semanas).

Descrição clínica

A ECN é uma doença inflamatória intestinal aguda, tipicamente manifestando-se nos primeiros dias a semanas de vida, com pico de incidência entre a segunda e terceira semana em prematuros. Caracteriza-se por uma tríade clássica de distensão abdominal, intolerância alimentar (como vômitos, resíduos gástricos aumentados) e sangue nas fezes (hematochezia ou oculto). A progressão pode levar a sinais sistêmicos como letargia, instabilidade térmica, apneia, bradicardia e choque séptico. A apresentação varia desde formas leves (estágio I de Bell) até graves com perfuração intestinal e peritonite (estágio III). A doença frequentemente acomete o íleo terminal e cólon ascendente, mas pode ser multifocal ou extensa, com risco de necrose transmural e perfuração.

Quadro clínico

O quadro clínico da ECN varia conforme o estágio (classificação de Bell modificada). No estágio I (suspeita), observa-se distensão abdominal leve, intolerância alimentar (resíduos gástricos >50% do volume), vômitos biliosos ou não biliosos, e sangue oculto nas fezes. Sinais sistêmicos incluem letargia, apneia e instabilidade térmica. No estágio II (confirmado), há distensão abdominal significativa, sensibilidade à palpação, edema da parede abdominal, e sangue visível nas fezes; radiografia abdominal pode mostrar pneumatose intestinal ou gás na veia porta. No estágio III (avançado), ocorre deterioração clínica com choque, acidose, coagulopatia, e sinais de perfuração (ex.: pneumoperitônio na radiografia). A progressão pode ser rápida, exigindo monitorização intensiva.

Complicações possíveis

Perfuração intestinal e peritonite

Ruptura da parede intestinal necrótica, levando a contaminação peritoneal, sepse grave e necessidade de intervenção cirúrgica urgente.

Síndrome do intestino curto

Ressecção extensa de intestino necrosado resulta em má absorção, dependência de nutrição parenteral e risco de falência hepática.

Sepse e choque séptico

Disseminação bacteriana sistêmica devido à translocação intestinal, causando instabilidade hemodinâmica, falência de múltiplos órgãos e alta mortalidade.

Estenose intestinal

Fibrose pós-inflamatória em áreas de cicatrização, levando a obstrução intestinal tardia, que pode requerer reoperação.

Sequelas neurológicas

Hipóxia-isquemia cerebral associada à sepse ou choque, resultando em atraso do neurodesenvolvimento, paralisia cerebral ou déficits cognitivos.

Epidemiologia

A ECN afeta predominantemente recém-nascidos prematuros, com incidência de 1-5% em UTINs, sendo mais comum em prematuros extremos (<28 semanas) e muito baixo peso ao nascer (<1500g). A incidência é inversamente proporcional à idade gestacional: 5-10% em <28 semanas vs. 34 semanas. Fatores de risco incluem alimentação enteral agressiva, sepse, hipóxia perinatal e uso de cateteres umbilicais. A mortalidade varia de 20% a 30% em casos graves, representando uma das principais causas de óbito neonatal em prematuros. Não há diferenças significativas por sexo ou etnia, mas a incidência é maior em regiões com recursos limitados de UTIN. Vigilância epidemiológica é crucial em unidades neonatais.

Prognóstico

O prognóstico da ECN depende da idade gestacional, peso ao nascer, estágio da doença e presença de complicações. Em estágios I-II, a mortalidade é baixa (5-10%), com boa recuperação intestinal, mas risco de estenose tardia. No estágio III, a mortalidade pode atingir 30-50%, especialmente com perfuração ou síndrome do intestino curto. Sobreviventes frequentemente apresentam morbidades a longo prazo, como síndrome do intestino curto (requerendo nutrição parenteral), atraso no crescimento, e sequelas neurológicas. Fatores de bom prognóstico incluem diagnóstico precoce, manejo conservador eficaz e ausência de perfuração. Acompanhamento multidisciplinar é essencial para monitorar complicações tardias.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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