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CID P75: Íleo meconial

P75
Íleo meconial

Mais informações sobre o tema:

Definição

O íleo meconial é uma obstrução intestinal neonatal causada pela impactação de mecônio espesso e viscoso no lúmen do íleo terminal. Esta condição representa a manifestação gastrointestinal mais precoce e grave da fibrose cística (FC), ocorrendo em aproximadamente 15-20% dos recém-nascidos com FC. O mecônio, que é o primeiro conteúdo intestinal do feto, torna-se anormalmente espesso e aderente devido à deficiência de enzimas pancreáticas e à desidratação do conteúdo luminal, secundárias à disfunção do canal de cloro CFTR. A obstrução mecânica resultante pode levar a complicações como volvo, atresia intestinal, perfuração e peritonite meconial. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por estudos de imagem, exigindo intervenção cirúrgica na maioria dos casos. O íleo meconial é um marcador importante de FC, e sua identificação deve desencadear a triagem neonatal para essa doença genética.

Descrição clínica

O íleo meconial é uma emergência cirúrgica neonatal caracterizada por obstrução intestinal funcional ou mecânica devido à impactação de mecônio anormalmente espesso no íleo terminal. Clinicamente, manifesta-se nas primeiras 24-48 horas de vida com distensão abdominal progressiva, vômitos biliosos, falha na passagem de mecônio e, em casos graves, sinais de peritonite. A palpação abdominal pode revelar massas consistentes correspondentes a loops intestinais distendidos ou bolsas de mecônio. A condição está fortemente associada à fibrose cística, sendo muitas vezes a primeira apresentação dessa doença. Complicações como volvo, atresia, perfuração e síndrome do abdômen em ameixa seca (devido a peritonite meconial com calcificações) podem ocorrer, exigindo manejo cirúrgico imediato.

Quadro clínico

O quadro clínico do íleo meconial tipicamente se apresenta nas primeiras 24-48 horas de vida. Os sinais e sintomas incluem distensão abdominal progressiva e tensa, vômitos biliosos ou fecais, falha na passagem de mecônio (ou passagem de pequenas quantidades de mecônio em fita), e letargia. À palpação, podem-se sentir massas cilíndricas ou nodulares correspondentes a alças intestinais distendidas ou bolsas de mecônio. Em casos complicados, como volvo ou perfuração, observa-se dor à palpação, eritema da parede abdominal, e sinais de choque. A síndrome do abdômen em ameixa seca, associada à peritonite meconial, manifesta-se com abdômen escavado, massa abdominal palpável e, radiologicamente, calcificações peritoneais.

Complicações possíveis

Volvo

Torção de alça intestinal distendida, levando a isquemia e necrose.

Atresia intestinal

Desenvolvimento incompleto do intestino, frequentemente associada ao íleo meconial.

Perfuração intestinal

Ruptura da parede intestinal devido à distensão e isquemia, com risco de peritonite.

Síndrome do abdômen em ameixa seca

Peritonite meconial com calcificações peritoneais, resultando em abdômen escavado.

Sepse

Infecção sistêmica secundária à perfuração ou procedimentos cirúrgicos.

Epidemiologia

O íleo meconial ocorre em aproximadamente 1 em 2.000 a 3.000 nascidos vivos, representando cerca de 15-20% dos casos de fibrose cística neonatal. É mais comum em populações com alta prevalência de FC, como caucasianos de ascendência europeia. A incidência varia geograficamente, refletindo a distribuição das mutações CFTR. Cerca de 10-15% dos casos não estão associados à FC, sendo então relacionados a outras anomalias intestinais. A condição é ligeiramente mais frequente em homens. Com a triagem neonatal para FC, o diagnóstico precoce tem melhorado os desfechos.

Prognóstico

O prognóstico do íleo meconial depende da presença de complicações e do manejo adequado. Com diagnóstico precoce e tratamento cirúrgico imediato, a sobrevida é alta, mas a morbidade pode incluir estenoses, aderências e necessidade de múltiplas cirurgias. A associação com fibrose cística implica em prognóstico a longo prazo relacionado à doença de base, com expectativa de vida variável conforme a gravidade das mutações CFTR e acesso a cuidados multidisciplinares. Complicações como perfuração ou síndrome do abdômen em ameixa seca aumentam a mortalidade. O seguimento deve incluir monitoramento nutricional, terapia enzimática e pulmonar para FC.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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