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CID P60: Coagulação intravascular disseminada do feto e do recém-nascido

P60
Coagulação intravascular disseminada do feto e do recém-nascido

Mais informações sobre o tema:

Definição

A coagulação intravascular disseminada (CID) do feto e do recém-nascido é uma síndrome trombo-hemorrágica grave, caracterizada pela ativação sistêmica e desregulada da cascata de coagulação, resultando na formação generalizada de microtrombos nos vasos sanguíneos, consumo de fatores de coagulação e plaquetas, e subsequente risco de hemorragia. Esta condição representa uma emergência hematológica neonatal, frequentemente associada a insultos patológicos como sepse, asfixia perinatal, distúrbios metabólicos ou anomalias congênitas, que desencadeiam uma resposta inflamatória exacerbada e ativação endotelial. Fisiopatologicamente, a CID neonatal envolve a liberação de mediadores pró-inflamatórios (ex.: citocinas, fator tecidual) que ativam a via extrínseca da coagulação, levando à geração excessiva de trombina e fibrina. Paralelamente, ocorre depleção de inibidores naturais da coagulação (ex.: antitrombina, proteína C) e ativação da fibrinólise, resultando em um estado paradoxal de trombose microvascular e sangramento. O sistema hemostático imaturo do recém-nascido, com níveis fisiológicos reduzidos de fatores de coagulação e inibidores, torna-o particularmente vulnerável a essa desregulação. O impacto clínico é significativo, com alta morbimortalidade devido a complicações como falência de múltiplos órgãos (ex.: renal, cerebral, pulmonar), hemorragias intracranianas ou pulmonares, e choque. A epidemiologia reflete sua natureza secundária, sendo mais comum em prematuros, recém-nascidos de muito baixo peso, e naqueles com condições subjacentes graves, como sepse neonatal precoce ou tardia. O diagnóstico precoce e manejo agressivo são cruciais para melhorar os desfechos.

Descrição clínica

A CID neonatal manifesta-se como uma síndrome clínica heterogênea, variando de formas subclínicas a fulminantes. Clinicamente, pode apresentar sinais de sangramento (ex.: petéquias, equimoses, sangramento de sítios de punção, hemorragia pulmonar ou intracraniana) e trombose (ex.: necrose de extremidades, oligúria por trombose renal, convulsões por infarto cerebral). Frequentemente, há deterioração clínica rápida em contexto de doença de base, como sepse, asfixia ou distúrbios metabólicos. A apresentação pode ser aguda ou crônica, dependendo do gatilho e da resposta do hospedeiro.

Quadro clínico

O quadro clínico inclui sinais de sangramento (ex.: petéquias, equimoses, sangramento de mucosas, hematúria, melena), sinais de trombose (ex.: cianose de extremidades, oligúria, convulsões, dispneia), e manifestações da doença de base (ex.: febre, letargia, hipotensão na sepse). Em formas graves, pode evoluir para choque, falência de múltiplos órgãos e óbito. A apresentação pode ser súbita em sepse ou mais insidiosa em condições crônicas.

Complicações possíveis

Hemorragia intracraniana

Sangramento no sistema nervoso central, podendo levar a dano neurológico permanente ou óbito.

Falência de múltiplos órgãos

Insuficiência renal, hepática, pulmonar ou cardíaca devido a microtrombose e hipoperfusão.

Choque

Hipotensão refratária e má perfusão tecidual, agravando a isquemia.

Necrose de extremidades

Trombose arterial periférica levando a gangrena ou amputação.

Epidemiologia

A CID neonatal é relativamente rara, com incidência estimada em 1-2% em unidades de terapia intensiva neonatal (UTIN), mas mais comum em prematuros e recém-nascidos de muito baixo peso. Fatores de risco incluem sepse neonatal (principal causa), asfixia perinatal, distúrbios metabólicos e anomalias congênitas. Não há predileção por sexo ou etnia. A vigilância é baseada em notificação de casos em UTINs.

Prognóstico

O prognóstico é reservado, com mortalidade variando de 20% a 50%, dependendo da gravidade, do gatilho subjacente e da precocidade do tratamento. Recém-nascidos prematuros ou com sepse grave têm pior prognóstico. Sequelas a longo prazo podem incluir déficits neurológicos, insuficiência renal crônica ou amputações. A recuperação depende do controle do gatilho e do suporte intensivo.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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