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CID P38: Onfalite do recém-nascido com ou sem hemorragia leve

P38
Onfalite do recém-nascido com ou sem hemorragia leve

Mais informações sobre o tema:

Definição

A onfalite do recém-nascido é uma infecção bacteriana do coto umbilical, caracterizada por inflamação local com ou sem sangramento leve. Esta condição ocorre tipicamente nos primeiros dias a semanas de vida, representando uma complicação infecciosa neonatal que pode evoluir para infecções sistêmicas graves se não tratada adequadamente. A fisiopatologia envolve a colonização bacteriana do tecido umbilical, frequentemente por patógenos como Staphylococcus aureus, Streptococcus do grupo B, Escherichia coli ou anaeróbios, que invadem através do cordão umbilical em processo de mumificação. O impacto clínico varia desde infecções localizadas benignas até sepse neonatal, com significativa morbimortalidade em populações vulneráveis. Epidemiologicamente, a incidência é maior em países em desenvolvimento, associada a práticas inadequadas de cuidado umbilical, partos domiciliares e baixo peso ao nascer, sendo uma causa evitável de mortalidade neonatal.

Descrição clínica

A onfalite manifesta-se como inflamação periumbilical com eritema, edema, secreção purulenta ou serossanguinolenta, e odor fétido. Pode apresentar hemorragia leve do coto umbilical. Em casos mais graves, observa-se celulite extensa, abscesso ou sinais sistêmicos como febre, letargia, irritabilidade e instabilidade hemodinâmica. A infecção pode progredir para fascite necrosante, onfalite necrotizante ou sepse, com risco de complicações como tromboflebite da veia umbilical, peritonite ou abscessos intra-abdominais.

Quadro clínico

Sinais e sintomas incluem eritema periumbilical (>2 cm da base do umbigo), edema, calor local, secreção purulenta ou serossanguinolenta, odor fétido e sensibilidade à palpação. Hemorragia leve pode estar presente. Sinais sistêmicos em casos graves: febre ou hipotermia, taquipneia, taquicardia, letargia, irritabilidade, recusa alimentar e instabilidade hemodinâmica. Complicações como celulite extensa, abscesso ou fascite necrosante podem apresentar descoloração cutânea, bolhas ou crepitação.

Complicações possíveis

Sepse neonatal

Disseminação hematogênica da infecção, levando a disfunção orgânica e risco de morte.

Fascite necrosante

Infecção rapidamente progressiva do tecido subcutâneo com necrose, requerendo desbridamento cirúrgico.

Tromboflebite da veia umbilical

Trombose infecciosa da veia umbilical, podendo levar a embolização ou abscessos hepáticos.

Peritonite

Extensão da infecção para a cavidade peritoneal, com risco de abscessos intra-abdominais.

Abscesso periumbilical ou intra-abdominal

Acúmulo localizado de pus, necessitando drenagem cirúrgica.

Epidemiologia

A incidência global varia de 0.5% a 2% em recém-nascidos, com taxas mais altas em países em desenvolvimento (até 8%), devido a práticas inadequadas de cuidado umbilical e partos em condições não estéreis. No Brasil, é mais comum em regiões com menor acesso a serviços de saúde. Fatores de risco incluem parto domiciliar, baixo peso ao nascer (<2500g), prematuridade, cuidados umbilicais com substâncias contaminadas (como esterco ou cinzas) e falta de higiene. A mortalidade associada é estimada em 1-2% em séries globais, mas pode ser maior em áreas com recursos limitados.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico precoce e tratamento adequado, com resolução completa na maioria dos casos leves. Em infecções graves ou complicadas, a mortalidade pode chegar a 10-15%, especialmente em recém-nascidos prematuros ou com comorbidades. Sequelas como cicatrizes ou hérnias incisionais são possíveis após intervenções cirúrgicas. Fatores de mau prognóstico incluem atraso no tratamento, presença de sinais sistêmicos, patógenos multirresistentes e condições subjacentes como imunodeficiência.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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