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CID O25: Desnutrição na gravidez

O25
Desnutrição na gravidez

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Definição

A desnutrição na gravidez, classificada sob o código O25 na CID-10, refere-se a um estado de deficiência nutricional que ocorre durante a gestação, caracterizado por ingestão inadequada, absorção prejudicada ou aumento das necessidades metabólicas de nutrientes essenciais, resultando em comprometimento da saúde materna e fetal. Esta condição abrange desde formas subclínicas, com déficits específicos de micronutrientes (como ferro, ácido fólico, vitamina D ou iodo), até desnutrição proteico-energética grave, que pode levar a desfechos adversos significativos. A fisiopatologia envolve adaptações metabólicas maternas insuficientes para suprir as demandas do feto em crescimento, com possíveis alterações na função imunológica, síntese hormonal e desenvolvimento placentário. Epidemiologicamente, é mais prevalente em regiões de baixa renda, gestantes adolescentes, mulheres com doenças crônicas ou hábitos alimentares inadequados, representando um importante problema de saúde pública devido ao seu impacto no binômio mãe-filho.

Descrição clínica

A desnutrição na gravidez manifesta-se clinicamente por um espectro que varia desde sinais sutis até quadros graves. Inclui perda de peso inadequada ou ganho ponderal insuficiente durante a gestação, com base em curvas de referência como as do Institute of Medicine (IOM). Podem ocorrer sinais de deficiências específicas: palidez e fadiga por anemia ferropriva, edema periférico por hipoproteinemia, alterações dermatológicas (como pele seca ou queilite angular), e comprometimento do estado geral. Em casos avançados, observa-se caquexia, atrofia muscular e retardo do crescimento uterino. A condição está frequentemente associada a comorbidades como infecções recorrentes, distúrbios gastrointestinais ou condições socioeconômicas desfavoráveis, exigindo avaliação integral da gestante.

Quadro clínico

O quadro clínico da desnutrição na gravidez varia conforme a gravidade e as deficiências específicas. Sinais e sintomas incluem: perda de peso ou ganho ponderal inadequado (<1 kg/mês após o primeiro trimestre), fadiga, astenia, palidez cutâneo-mucosa, edema de membros inferiores, redução da massa muscular, pele seca ou descamativa, cabelos quebradiços, e queilite angular. Podem ocorrer manifestações de deficiências: fraqueza e dispneia na anemia, cãibras e tetania na hipocalcemia, ou distúrbios visuais na hipovitaminose A. Em casos graves, há caquexia, apatia, hipotermia e retardo do crescimento uterino à palpação. A gestante pode relatar anorexia, náuseas persistentes ou diarreia, agravando o estado nutricional.

Complicações possíveis

Restrição de crescimento intrauterino (RCIU)

Crescimento fetal abaixo do percentil 10 para idade gestacional, aumentando risco de morbimortalidade perinatal.

Parto prematuro

Nascimento antes de 37 semanas, associado a complicações respiratórias e neurológicas no recém-nascido.

Baixo peso ao nascer

Peso <2500 g, elevando risco de infecções, hipoglicemia e desenvolvimento prejudicado.

Anemia grave

Pode levar a insuficiência cardíaca, fadiga extrema e aumento do risco hemorrágico no parto.

Morte fetal intrauterina

Risco aumentado em desnutrição severa, devido a insuficiência placentária e hipóxia.

Epidemiologia

A desnutrição na gravidez é um problema global, com prevalência variando conforme região e condições socioeconômicas. Estima-se que afete aproximadamente 10-20% das gestantes em países de baixa e média renda, sendo mais comum em áreas rurais, entre adolescentes e mulheres com baixa escolaridade. No Brasil, dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) indicam que cerca de 15% das gestantes apresentam baixo peso, com disparidades regionais. Fatores de risco incluem pobreza, insegurança alimentar, gestações múltiplas, doenças crônicas e hábitos inadequados. A condição contribui significativamente para a carga de doença materno-infantil, exigindo políticas públicas direcionadas.

Prognóstico

O prognóstico da desnutrição na gravidez depende da gravidade, tempo de intervenção e fatores associados. Com diagnóstico precoce e manejo adequado, incluindo suplementação nutricional e acompanhamento, a maioria das gestantes apresenta melhora clínica e desfechos perinatais satisfatórios. No entanto, casos graves ou não tratados estão associados a alto risco de complicações como RCIU, prematuridade, baixo peso ao nascer e aumento da mortalidade perinatal. Sequelas a longo prazo podem incluir desenvolvimento neurocognitivo prejudicado na criança e morbidade materna crônica. A adesão ao tratamento e condições socioeconômicas são fatores prognósticos críticos.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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