O CID é a base para registros clínicos, laudos e faturamento. Nosso sistema facilita a busca rápida e precisa do código certo, com sinônimos e filtros médicos atualizados.
Escolher o CID correto evita glosas e retrabalho. Com a nossa ferramenta, você encontra o código ideal em segundos, direto pela descrição clínica — sem abrir PDF ou manual extenso.
Use nosso buscador inteligente para encontrar o CID mais adequado com base no termo clínico, especialidade ou condição do paciente. Tudo validado com a CID-10 da OMS e atualizações nacionais.
Diabetes mellitus pré-existente, relacionado com a desnutrição
O243
Diabetes mellitus pré-existente, não especificado
O244
Diabetes mellitus que surge durante a gravidez
O249
Diabetes mellitus na gravidez, não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
O diabetes mellitus na gravidez refere-se a qualquer forma de diabetes diagnosticado durante a gestação, abrangendo o diabetes mellitus gestacional (DMG) e o diabetes mellitus pré-gestacional (tipos 1 e 2). O DMG é caracterizado por intolerância à glicose de início ou primeiro reconhecimento na gravidez, geralmente resultante de resistência à insulina exacerbada por hormônios placentários. O diabetes pré-gestacional inclui condições diabéticas existentes antes da concepção, que podem ser agravadas pela gestação. Essas condições estão associadas a riscos maternos e fetais significativos, como macrossomia fetal, pré-eclâmpsia e distúrbios metabólicos neonatais. A prevalência do DMG varia globalmente, influenciada por fatores como obesidade e etnia, com impacto substancial na saúde pública devido a complicações perinatais e aumento do risco de diabetes tipo 2 futuro na mãe.
Descrição clínica
O diabetes na gravidez manifesta-se por hiperglicemia de graus variáveis, podendo ser assintomático ou apresentar sintomas como poliúria, polidipsia e fadiga. No DMG, o diagnóstico geralmente ocorre entre a 24ª e 28ª semana de gestação, quando a resistência à insulina atinge seu pico. No diabetes pré-gestacional, o controle glicêmico pode se tornar mais desafiador devido a alterações hormonais. Complicações agudas incluem cetoacidose diabética em casos graves, enquanto efeitos crônicos envolvem maior risco de malformações congênitas em diabetes pré-gestacional mal controlado. O manejo requer monitorização rigorosa da glicemia para prevenir desfechos adversos.
Quadro clínico
O quadro clínico pode ser silencioso ou incluir sintomas clássicos de diabetes (poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso) em casos descompensados. Sinais de complicações incluem infecções recorrentes (ex.: candidíase vulvovaginal), visão turva e fadiga. No exame físico, pode-se observar ganho de peso excessivo ou sinais de resistência à insulina (ex.: acantose nigricans). Complicações fetais como polidrâmnio podem ser detectadas. A apresentação varia com o tipo de diabetes e o controle glicêmico, exigindo alta suspeição em gestantes de risco.
Complicações possíveis
Macrossomia fetal
Crescimento fetal excessivo (>4000g), aumentando risco de distocia de ombro e traumas no parto.
Pré-eclâmpsia
Hipertensão gestacional com proteinúria, mais comum em gestantes diabéticas.
Hipoglicemia neonatal
Baixos níveis de glicose no recém-nascido devido à hiperinsulinemia fetal.
Polidrâmnio
Excesso de líquido amniótico, associado a malformações fetais e parto prematuro.
Cetoacidose diabética
Complicação aguda com acidose metabólica, risco aumentado em diabetes tipo 1 na gravidez.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
A prevalência do diabetes na gravidez varia globalmente, com DMG afetando aproximadamente 2-10% das gestações, dependendo da população e critérios diagnósticos. Fatores de risco incluem obesidade, idade materna >35 anos, história familiar de diabetes e etnia (ex.: asiáticos, hispânicos têm maior risco). A incidência tem aumentado devido à epidemia de obesidade e diabetes tipo 2. No Brasil, estimativas apontam para 7-8% de DMG, com significativas variações regionais.
Prognóstico
O prognóstico depende do controle glicêmico e do tipo de diabetes. Com manejo adequado, a maioria das gestantes com DMG tem desfechos favoráveis, mas há risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro (até 50% em 5-10 anos). No diabetes pré-gestacional, o controle rigoroso reduz complicações como malformações e natimortos. Complicações perinatais são minimizadas com monitorização multidisciplinar, mas persistência de hiperglicemia pode levar a sequelas cardiometabólicas a longo prazo na prole.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios estabelecidos por organizações como a International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups (IADPSG) e a American Diabetes Association (ADA). Para DMG, realiza-se teste de tolerância à glicose oral (TTGO) com 75g entre 24-28 semanas: valores alterados (glicemia de jejum ≥92 mg/dL, 1h ≥180 mg/dL, ou 2h ≥153 mg/dL) confirmam o diagnóstico. Em gestantes de alto risco, o rastreamento pode ser antecipado. Para diabetes pré-gestacional, critérios padrão aplicam-se (glicemia de jejum ≥126 mg/dL, HbA1c ≥6,5%, ou glicemia casual ≥200 mg/dL com sintomas), confirmados em dois momentos.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Diabetes mellitus tipo 2
Diabetes preexistente não diagnosticado antes da gravidez, distinguido pelo histórico e critérios de diagnóstico fora da gestação.
American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes—2023. Diabetes Care. 2023;46(Suppl 1):S1-S291.
Diabetes mellitus tipo 1
Diabetes autoimune de início agudo, frequentemente com cetoacidose, diferenciado por autoanticorpos e apresentação pré-gestacional.
World Health Organization. Classification of diabetes mellitus. Geneva: WHO; 2019.
Intolerância à glicose não diabética
Alterações glicêmicas transitórias sem preencher critérios para diabetes, comum em gestações normais.
International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups. Recommendations on the diagnosis and classification of hyperglycemia in pregnancy. Diabetes Care. 2010;33(3):676-82.
Síndrome dos ovários policísticos
Condição associada a resistência à insulina e risco aumentado para DMG, mas com características adicionais como anovulação e hiperandrogenismo.
Teede HJ, et al. Recommendations from the international evidence-based guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome. Hum Reprod. 2018;33(9):1602-18.
Hipertireoidismo
Pode causar hiperglicemia devido ao aumento do metabolismo, diferenciado por sintomas tireoidianos e exames hormonais.
De Groot L, et al. Management of thyroid dysfunction during pregnancy and postpartum: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2012;97(8):2543-65.
Exames recomendados
Glicemia de jejum
Medição da glicose plasmática após 8-12 horas de jejum.
Rastreamento inicial e monitoramento do controle glicêmico em gestantes de risco.
Teste de tolerância à glicose oral (TTGO) com 75g
Administração de 75g de glicose oral com medidas de glicemia em jejum, 1h e 2h.
Diagnóstico de diabetes mellitus gestacional entre 24-28 semanas de gestação.
Hemoglobina glicada (HbA1c)
Medição da glicação da hemoglobina, refletindo controle glicêmico médio dos últimos 2-3 meses.
Avaliação de diabetes pré-gestacional e monitoramento em gestantes com diabetes conhecido.
Ultrassonografia obstétrica
Exame de imagem para avaliação fetal.
Detecção de macrossomia fetal, polidrâmnio e malformações associadas ao diabetes.
Perfil bioquímico fetal
Avaliação de parâmetros como insulina fetal em líquido amniótico em casos selecionados.
Monitoramento de complicações fetais em diabetes mal controlado.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Triagem para fatores de risco no primeiro trimestre de gestação.
Controle de peso
Manutenção de IMC adequado antes e durante a gravidez.
Alimentação saudável
Dieta balanceada rica em fibras e pobre em açúcares refinados.
Atividade física regular
Prática de exercícios para prevenir obesidade e resistência à insulina.
Vigilância e notificação
O diabetes na gravidez é de notificação compulsória em alguns sistemas de saúde para monitoramento de desfechos perinatais. No Brasil, o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) e o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) podem incluir dados relacionados. Recomenda-se vigilância ativa em pré-natal de alto risco, com notificação de casos graves ou complicações para programas de saúde pública, visando intervenções precoces.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
O diabetes mellitus gestacional (DMG) é diagnosticado pela primeira vez durante a gravidez e geralmente resolve após o parto, enquanto o diabetes pré-gestacional refere-se a diabetes tipos 1 ou 2 existentes antes da concepção, exigindo manejo contínuo.
Pode causar macrossomia fetal, hipoglicemia neonatal, e aumentar o risco de malformações congênitas e parto prematuro, devido à hiperglicemia materna e hiperinsulinemia fetal.
Baseiam-se no teste de tolerância à glicose oral com 75g: glicemia de jejum ≥92 mg/dL, 1h ≥180 mg/dL, ou 2h ≥153 mg/dL, conforme diretrizes da IADPSG.
Sim, através de medidas como controle de peso, alimentação saudável e atividade física antes e durante a gravidez, reduzindo fatores de risco como obesidade.
A insulina é a terapia de primeira linha devido à segurança e eficácia; metformina e gliburida são alternativas em casos selecionados, mas com considerações sobre segurança fetal.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...