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CID O16: Hipertensão materna não especificada
O16
Hipertensão materna não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A hipertensão materna não especificada (CID-10 O16) refere-se a um quadro de hipertensão arterial (pressão arterial sistólica ≥140 mmHg e/ou diastólica ≥90 mmHg) diagnosticado durante a gestação, parto ou puerpério, mas cuja classificação específica (como hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, hipertensão crônica ou pré-eclâmpsia sobreposta) não pode ser determinada no momento do registro. Esta categoria é utilizada quando há insuficiência de informações clínicas, laboratoriais ou temporais para uma categorização mais precisa, sendo uma designação provisória que exige reavaliação contínua. A hipertensão na gravidez é uma das principais causas de morbimortalidade materna e fetal globalmente, associada a complicações como restrição de crescimento intrauterino, descolamento prematuro de placenta, parto prematuro e eclâmpsia. A incidência varia conforme a região e os critérios diagnósticos, mas estima-se que afete 5-10% das gestações, com maior prevalência em primigestas, gestantes com idade avançada, obesidade, história familiar ou pessoal de hipertensão, e doenças autoimunes. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial, angiogênese anormal e resposta inflamatória, com a placenta desempenhando um papel central na patogênese, particularmente na pré-eclâmpsia. O manejo requer monitorização rigorosa da pressão arterial, avaliação de sinais de gravidade (como proteinúria, sintomas neurológicos ou alterações laboratoriais) e intervenções baseadas no risco para prevenir desfechos adversos.
Descrição clínica
A hipertensão materna não especificada caracteriza-se por elevação da pressão arterial (PA) detectada após 20 semanas de gestação, no parto ou até 42 dias pós-parto, sem critérios definidos para categorização em subtipos específicos. Clinicamente, pode apresentar-se como hipertensão isolada ou associada a sintomas como cefaleia, alterações visuais, dor epigástrica ou edema, mas a ausência de dados complementares (ex.: proteinúria, exames laboratoriais) impede a classificação. É uma condição dinâmica que exige investigação para excluir formas graves como pré-eclâmpsia, com risco de progressão para complicações maternas e fetais se não manejada adequadamente.
Quadro clínico
O quadro clínico da hipertensão materna não especificada é variável, podendo ser assintomático ou apresentar sinais e sintomas inespecíficos. A hipertensão arterial é o achado cardinal, definida por PA sistólica ≥140 mmHg e/ou diastólica ≥90 mmHg em duas medidas com intervalo de pelo menos 4 horas. Sintomas associados podem incluir cefaleia persistente, escotomas, fotopsias, dor epigástrica ou no quadrante superior direito, edema generalizado (especialmente em face e mãos), e ganho de peso rápido. Na ausência de dados como proteinúria significativa (≥300 mg/24h ou relação proteína/creatinina ≥0,3) ou alterações laboratoriais (ex.: trombocitopenia, elevação de enzimas hepáticas), a classificação permanece como não especificada. O exame físico pode revelar edema, reflexos hiperativos ou hipertensão refratária, mas a avaliação deve ser contínua para identificar sinais de gravidade.
Complicações possíveis
Progressão para pré-eclâmpsia
Desenvolvimento de proteinúria ou sinais de disfunção orgânica, aumentando o risco de eclâmpsia, síndrome HELLP e descolamento prematuro de placenta.
Restrição de crescimento intrauterino (RCIU)
Comprometimento do crescimento fetal devido à perfusão placentária inadequada, associada a baixo peso ao nascer e morbidade neonatal.
Parto prematuro
Necessidade de interrupção da gestação antes de 37 semanas por indicação materna ou fetal, com riscos de síndrome do desconforto respiratório e sepse neonatal.
Descolamento prematuro de placenta
Separação precoce da placenta da parede uterina, causando hemorragia, sofrimento fetal e risco de óbito materno-fetal.
Eclâmpsia
Convulsões ou coma em gestante com hipertensão, representando emergência neurológica com alta mortalidade se não tratada rapidamente.
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A hipertensão na gravidez afeta aproximadamente 5-10% das gestações globalmente, com variações regionais (maior prevalência em países de baixa e média renda). A categoria não especificada (O16) representa uma proporção significativa dos casos, especialmente em contextos com recursos limitados para investigação completa. Fatores de risco incluem primigesta, idade materna avançada (>35 anos), obesidade (IMC ≥30 kg/m²), história familiar ou pessoal de hipertensão ou pré-eclâmpsia, gestação múltipla, e comorbidades como diabetes, lúpus ou doença renal. A incidência tem aumentado devido à maior prevalência de obesidade e idade materna avançada. Em termos de mortalidade, as desordens hipertensivas são responsáveis por cerca de 14% das mortes maternas no mundo, destacando a importância do diagnóstico precoce e manejo adequado.
Prognóstico
O prognóstico da hipertensão materna não especificada depende da reclassificação subsequente e do manejo adequado. Se permanecer como hipertensão isolada sem progressão, o desfecho é geralmente favorável, com resolução no puerpério e baixo risco de complicações a longo prazo. No entanto, se evoluir para pré-eclâmpsia ou outras formas graves, o prognóstico pode ser reservado, com aumento do risco de morbimortalidade materna (ex.: acidente vascular cerebral, insuficiência renal) e fetal (ex.: prematuridade, RCIU). A monitorização rigorosa e intervenções oportunas melhoram os desfechos. A longo prazo, gestantes com hipertensão na gravidez têm maior risco de desenvolver hipertensão crônica, doença cardiovascular e diabetes, necessitando de acompanhamento pós-parto.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos para hipertensão materna não especificada baseiam-se nas diretrizes da International Society for the Study of Hypertension in Pregnancy (ISSHP) e American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Incluem: 1) Pressão arterial sistólica ≥140 mmHg e/ou diastólica ≥90 mmHg, medida após 20 semanas de gestação, no parto ou até 42 dias pós-parto; 2) Ausência de critérios suficientes para classificação como hipertensão gestacional (hipertensão sem proteinúria ou sinais de disfunção orgânica), pré-eclâmpsia (hipertensão com proteinúria ou sinais de disfunção orgânica), hipertensão crônica (hipertensão prévia à gestação ou antes de 20 semanas) ou pré-eclâmpsia sobreposta; 3) Necessidade de investigação adicional para esclarecimento, com monitorização clínica e laboratorial. A categoria O16 é usada temporariamente quando os dados são incompletos, exigindo reavaliação para reclassificação.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Hipertensão gestacional (O13)
Hipertensão desenvolvida após 20 semanas de gestação, sem proteinúria ou sinais de disfunção orgânica, geralmente resolvendo até 12 semanas pós-parto. Difere pela ausência de critérios para pré-eclâmpsia e pelo caráter transitório.
ISSHP. Hypertensive Disorders of Pregnancy: ISSHP Classification, Diagnosis, and Management Recommendations for International Practice. Hypertension. 2018.
Pré-eclâmpsia (O14)
Hipertensão com proteinúria (≥300 mg/24h) ou sinais de disfunção orgânica (ex.: trombocitopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal, edema pulmonar, alterações visuais ou cerebrais) após 20 semanas. Requer monitorização rigorosa devido ao risco de eclâmpsia.
ACOG. Gestational Hypertension and Preeclampsia: ACOG Practice Bulletin No. 222. Obstet Gynecol. 2020.
Hipertensão crônica (O10)
Hipertensão presente antes da gestação ou diagnosticada antes de 20 semanas, persistindo além do puerpério. Pode ser essencial ou secundária, com manejo diferenciado e risco de pré-eclâmpsia sobreposta.
WHO. WHO Recommendations for Prevention and Treatment of Pre-eclampsia and Eclampsia. 2011.
Pré-eclâmpsia sobreposta a hipertensão crônica (O11)
Piora da hipertensão crônica após 20 semanas, com desenvolvimento de proteinúria ou sinais de disfunção orgânica. Exclui hipertensão não especificada pela presença de critérios definidos.
Brown et al. Hypertensive Disorders of Pregnancy: ISSHP Classification, Diagnosis, and Management Recommendations for International Practice. Pregnancy Hypertens. 2018.
Eclâmpsia (O15)
Ocorrência de convulsões ou coma em gestante com pré-eclâmpsia, sem outra causa neurológica. Representa uma emergência hipertensiva, distinta da hipertensão não especificada pela gravidade.
Sibai BM. Diagnosis, prevention, and management of eclampsia. Obstet Gynecol. 2005.
Exames recomendados
Medição da pressão arterial
Aferição seriada com técnica adequada (posição sentada, manguito apropriado, repouso prévio) para confirmar hipertensão e monitorar tendências.
Diagnóstico inicial e acompanhamento da resposta ao tratamento.
Exame de urina (proteinúria)
Dosagem de proteína em urina de 24 horas ou relação proteína/creatinina em amostra isolada para quantificar perda proteica.
Avaliar presença de proteinúria, critério chave para diferenciar hipertensão gestacional de pré-eclâmpsia.
Hemograma completo
Inclui contagem de plaquetas, hemoglobina e hematócrito para detectar trombocitopenia ou hemoconcentração.
Identificar sinais de disfunção hematológica associada a formas graves de hipertensão.
Perfil hepático e renal
Dosagem de AST, ALT, creatinina, ácido úrico e LDH para avaliar função hepática e renal.
Detectar sinais de síndrome HELLP ou insuficiência orgânica, indicativos de pré-eclâmpsia.
Ultrassonografia obstétrica com Doppler
Avaliação do crescimento fetal, volume de líquido amniótico e Doppler das artérias uterinas para verificar restrição de crescimento e perfusão placentária.
Monitorar bem-estar fetal e risco de complicações como restrição de crescimento intrauterino.
Aprimore sua prática clínica
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Início precoce do pré-natal (primeiro trimestre) com consultas regulares para monitorização da pressão arterial, peso e exames de rotina.
Suplementação com ácido acetilsalicílico
Uso de baixa dose (75-150 mg/dia) a partir do primeiro trimestre em gestantes de alto risco (ex.: história de pré-eclâmpsia, doenças autoimunes) para reduzir incidência de pré-eclâmpsia.
Controle de comorbidades
Manejo rigoroso de condições como hipertensão crônica, diabetes e obesidade antes e durante a gestação, com ajuste de medicamentos seguros.
Educação sobre sinais de alarme
Capacitação de gestantes e familiares para reconhecer sintomas de pré-eclâmpsia e buscar atendimento imediato.
Vigilância e notificação
A hipertensão materna não especificada deve ser monitorada como parte da vigilância das desordens hipertensivas na gravidez, conforme diretrizes do Ministério da Saúde brasileiro e da OMS. Recomenda-se notificação compulsória de casos graves (ex.: pré-eclâmpsia, eclâmpsia) em sistemas como o SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), mas a categoria O16 pode não ser notificada rotineiramente devido à sua natureza provisória. A vigilância inclui acompanhamento clínico seriado, registro de pressão arterial, exames laboratoriais e avaliação fetal para detectar progressão. Em unidades de saúde, é essencial documentar a reclassificação quando possível, para melhorar a qualidade dos dados epidemiológicos. Medidas de prevenção e educação em saúde são incentivadas para reduzir a incidência e complicações.
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A hipertensão materna não especificada (O16) é uma categoria provisória usada quando há hipertensão na gravidez, mas informações insuficientes para classificar como hipertensão gestacional (O13), pré-eclâmpsia (O14) ou outras formas. A hipertensão gestacional (O13) é um diagnóstico específico de hipertensão desenvolvida após 20 semanas, sem proteinúria ou sinais de disfunção orgânica, geralmente resolvendo no puerpério. O16 requer reavaliação para esclarecimento, enquanto O13 tem critérios definidos.
O manejo inclui monitorização rigorosa da pressão arterial, avaliação de sintomas, exames laboratoriais (ex.: proteinúria, hemograma, perfil hepático e renal) e ultrassonografia fetal para detectar progressão. O tratamento farmacológico pode ser iniciado com agentes seguros como metildopa ou labetalol, e medidas não farmacológicas como repouso e educação em saúde são essenciais. A reclassificação deve ser feita conforme dados adicionais, com encaminhamento para pré-natal de alto risco se necessário.
Sim, gestantes com hipertensão na gravidez, mesmo não especificada, têm maior risco de desenvolver hipertensão crônica, doença cardiovascular e diabetes ao longo da vida. Além disso, há risco de recorrência em gestações futuras e de complicações fetais como restrição de crescimento intrauterino e parto prematuro. Acompanhamento pós-parto e medidas preventivas são recomendados para mitigar esses riscos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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