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CID T68: Hipotermia

T68
Hipotermia

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Definição

A hipotermia é definida como uma condição clínica na qual a temperatura corporal central cai abaixo de 35°C (95°F), resultando em uma incapacidade do organismo de manter a homeostase térmica. Esta condição representa uma emergência médica, pois o declínio da temperatura corporal compromete múltiplos sistemas fisiológicos, incluindo o cardiovascular, neurológico, respiratório e metabólico. A hipotermia pode ser classificada em leve (32-35°C), moderada (28-32°C) e grave (<28°C), com manifestações clínicas progressivamente mais severas conforme a temperatura diminui. Epidemiologicamente, é mais comum em idosos, neonatos, indivíduos com condições médicas subjacentes (como hipotireoidismo ou desnutrição) e em exposições ambientais adversas, sendo uma causa significativa de morbimortalidade em regiões de clima frio ou em situações de imersão em água gelada.

Descrição clínica

A hipotermia resulta de um desequilíbrio entre a produção e a perda de calor corporal, levando a uma redução na temperatura central. Clinicamente, manifesta-se com uma gama de sintomas que evoluem de forma previsível conforme a temperatura cai: na fase leve (32-35°C), observa-se tremores, taquicardia, vasoconstrição periférica e confusão mental; na moderada (28-32°C), os tremores cessam, há bradicardia, hipotensão, depressão do nível de consciência e arritmias cardíacas; na grave (<28°C), ocorre coma, arreflexia, edema pulmonar, parada cardíaca e risco elevado de morte. O diagnóstico é baseado na medição da temperatura corporal central (preferencialmente via retal, esofágica ou vesical) e na avaliação clínica, sendo essencial para orientar o manejo urgente.

Quadro clínico

O quadro clínico da hipotermia varia conforme a gravidade: na leve (32-35°C), os pacientes apresentam tremores incontroláveis, pele fria e pálida, taquicardia, hipertensão leve, confusão e discurso arrastado. Na moderada (28-32°C), os tremores cessam, há bradicardia, hipotensão, depressão do nível de consciência (estupor), pupilas dilatadas, diminuição dos reflexos e risco de arritmias (ex.: fibrilação atrial). Na grave (<28°C), observa-se coma, arreflexia, edema pulmonar, parada cardíaca (fibrilação ventricular ou assistolia) e morte aparente, com sinais vitais mínimos ou ausentes. Sinais adicionais incluem rigidez muscular, pele cianótica e respirações superficiais.

Complicações possíveis

Arritmias cardíacas

Incluem fibrilação ventricular, assistolia ou bradiarritmias, especialmente em temperaturas <28°C, com risco de parada cardíaca.

Edema pulmonar

Acúmulo de líquido nos pulmões devido à disfunção cardíaca ou aumento da permeabilidade vascular, agravando a hipóxia.

Coagulopatia

Disfunção plaquetária e enzimática que predispõe a sangramentos, complicando procedimentos ou traumas.

Rabdomiólise

Necrose muscular com liberação de mioglobina, levando a insuficiência renal aguda e desequilíbrios eletrolíticos.

Infecções

Pneumonia ou sepse secundária devido à imunossupressão e depressão do SNC, aumentando a morbimortalidade.

Epidemiologia

A hipotermia é uma condição global, com maior incidência em regiões de clima frio, durante os meses de inverno, e em populações vulneráveis como idosos, neonatos, sem-teto e indivíduos com doenças crônicas. Dados epidemiológicos variam: em países temperados, a taxa de mortalidade por hipotermia acidental é de aproximadamente 0,5-1,0 por 100.000 habitantes/ano. Fatores de risco incluem exposição ambiental, uso de álcool ou drogas, condições médicas (hipotireoidismo, desnutrição) e idade avançada. No Brasil, é menos comum, mas ocorre em regiões sulistas ou em situações específicas como afogamento em água fria.

Prognóstico

O prognóstico da hipotermia depende da gravidade, duração da exposição, idade do paciente, presença de comorbidades e rapidez do tratamento. Em casos leves a moderados, com reaquecimento adequado, a recuperação é geralmente completa. Em hipotermia grave (<28°C), a mortalidade pode exceder 50%, especialmente se houver parada cardíaca ou complicações como edema pulmonar. Fatores de bom prognóstico incluem jovens saudáveis, hipotermia de curta duração e resposta rápida ao reaquecimento. Sequelas neurológicas são comuns em sobreviventes de hipotermia profunda, exigindo reabilitação prolongada.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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