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CID S18: Amputação traumática ao nível do pescoço

S18
Amputação traumática ao nível do pescoço

Mais informações sobre o tema:

Definição

A amputação traumática ao nível do pescoço (CID-10 S18) é uma lesão catastrófica caracterizada pela separação completa ou parcial de estruturas anatômicas da região cervical devido a trauma mecânico de alta energia. Esta condição envolve a perda de tecidos moles, vasos sanguíneos, nervos, estruturas da laringe, traqueia e/ou esôfago, resultando em comprometimento imediato das vias aéreas, circulação cerebral e funções vitais. A fisiopatologia inclui seccionamento abrupto com hemorragia maciça, isquemia cerebral por interrupção do fluxo carotídeo, e risco de aspiração ou obstrução respiratória. O impacto clínico é devastador, com alta mortalidade pré-hospitalar e sequelas neurológicas graves nos sobreviventes, exigindo manejo multidisciplinar em centros de trauma de nível I. Epidemiologicamente, é rara, associada a acidentes de trânsito de alta velocidade, ferimentos por armas de fogo, explosões ou trauma industrial, com predomínio em adultos jovens do sexo masculino em contextos urbanos ou bélicos.

Descrição clínica

Lesão traumática grave com perda anatômica de parte ou totalidade das estruturas cervicais, incluindo pele, músculos, vasos (artérias carótidas, jugulares), nervos (vago, frênico), laringe, traqueia e esôfago. Apresenta-se com hemorragia arterial ativa, hipovolemia, choque hipovolêmico, obstrução de vias aéreas, enfisema subcutâneo, e déficits neurológicos por isquemia cerebral. A avaliação inicial prioriza o ABCDE do trauma, com foco em controle hemorrágico e estabilização respiratória.

Quadro clínico

Apresentação aguda com: 1) Hemorragia externa profusa e choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, palidez). 2) Obstrução de vias aéreas (estridor, cianose, dificuldade respiratória). 3) Déficits neurológicos (perda de consciência, déficit motor focal por AVC isquêmico). 4) Dor intensa e ansiedade. 5) Sinais de lesão de estruturas profundas (enfisema subcutâneo, crepitação, vazamento de ar). A avaliação inclui exame físico rápido, priorizando estabilização hemodinâmica e neurológica.

Complicações possíveis

Hemorragia maciça e choque hipovolêmico

Perda sanguínea rápida por lesão de grandes vasos, levando a hipoperfusão orgânica e risco de morte.

Isquemia cerebral e acidente vascular cerebral (AVC)

Interrupção do fluxo carotídeo, resultando em infarto cerebral e déficits neurológicos permanentes.

Obstrução de vias aéreas e insuficiência respiratória

Edema, hematoma ou lesão traqueal causando hipóxia e necessidade de intubação ou traqueostomia.

Infecção de ferida e sepse

Contaminação bacteriana de tecidos expostos, podendo evoluir para fascite necrosante ou choque séptico.

Disfagia e fístulas

Lesão esofágica resultando em dificuldade de deglutição, vazamento de conteúdo e mediastinite.

Epidemiologia

Condição rara, representando <1% dos traumas graves. Incidência estimada em 0,5-1 caso por 100.000 pessoas/ano em países desenvolvidos. Mais comum em adultos jovens (20-40 anos), com predomínio masculino (razão 3:1). Principais contextos: acidentes de trânsito (40%), ferimentos por armas de fogo (30%), trauma industrial (20%), e outros (10%). Maior prevalência em áreas urbanas com violência ou em zonas de conflito. Dados do DATASUS mostram subnotificação, com mortalidade hospitalar elevada no Brasil.

Prognóstico

Geralmente reservado, com alta mortalidade pré-hospitalar (estimada em >50%) devido a hemorragia incontrolável e parada cardiorrespiratória. Sobreviventes frequentemente apresentam sequelas graves: déficits neurológicos (AVC), disfonia, disfagia, e necessidade de reconstrução cirúrgica complexa. Fatores prognósticos incluem tempo até atendimento, extensão da lesão vascular, e resposta à reanimação. Reabilitação multidisciplinar é essencial, mas a qualidade de vida pode ser significativamente comprometida.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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