Redação Sanar
CID N76: Outras afecções inflamatórias da vagina e da vulva
N760
Vaginite aguda
N761
Vaginite subaguda e crônica
N762
Vulvite aguda
N763
Vulvite subaguda e crônica
N764
Abscesso vulvar
N765
Ulceração vaginal
N766
Ulceração vulvar
N768
Outras inflamações especificadas da vagina e da vulva
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria N76 da CID-10 refere-se a outras infecções vaginais especificadas, abrangendo condições inflamatórias e infecciosas da vagina que não se enquadram em categorias mais específicas, como vaginite por Trichomonas (A59.0) ou candidíase vulvovaginal (B37.3). Essas infecções podem ser causadas por uma variedade de patógenos, incluindo bactérias, vírus ou fungos, e frequentemente resultam em sintomas como corrimento vaginal anormal, prurido, disúria e desconforto pélvico. A fisiopatologia envolve a ruptura do equilíbrio da microbiota vaginal normal, permitindo a proliferação de microrganismos patogênicos, o que pode levar a respostas inflamatórias locais. Epidemiologicamente, essas infecções são comuns em mulheres em idade reprodutiva, com fatores de risco como atividade sexual, uso de antibióticos, alterações hormonais e condições de imunossupressão. O impacto clínico inclui desconforto significativo, potencial para complicações como doença inflamatória pélvica e efeitos na qualidade de vida, exigindo diagnóstico preciso e manejo direcionado para prevenir recorrências e sequelas.
Descrição clínica
As infecções vaginais especificadas sob N76 caracterizam-se por inflamação da mucosa vaginal, manifestando-se clinicamente com corrimento vaginal de variadas características (purulento, aquoso ou mucoide), odor desagradável, prurido vulvovaginal, eritema, edema local e, por vezes, disúria ou dispareunia. A apresentação pode variar de aguda a crônica, dependendo do agente etiológico e da resposta imune do hospedeiro. Em casos graves, pode haver envolvimento de estruturas adjacentes, como a vulva ou o colo uterino, levando a sintomas sistêmicos como febre baixa ou mal-estar. A avaliação clínica deve incluir história detalhada de sintomas, fatores de risco (como hábitos de higiene, uso de anticoncepcionais ou história sexual) e exame físico para identificar sinais de inflamação e excluir outras patologias.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui corrimento vaginal anormal (que pode ser amarelo, verde, branco-acinzentado ou sanguinolento), frequentemente associado a odor fétido (especialmente em infecções anaeróbias), prurido intenso, ardência vulvar, disúria e dispareunia. Sinais objetivos no exame físico incluem eritema e edema da vulva e vagina, presença de secreção aderente às paredes vaginais e, ocasionalmente, ulcerações ou petéquias. Sintomas sistêmicos como febre são raros, mas podem ocorrer em infecções graves ou complicadas. A cronologia dos sintomas pode ser aguda (com início súbito em dias) ou crônica (persistindo por semanas a meses), com variações dependendo da etiologia e da imunidade do hospedeiro. Pacientes podem relatar exacerbacao relacionada ao ciclo menstrual ou atividade sexual.
Complicações possíveis
Doença inflamatória pélvica
Infecção ascendente para útero, trompas e ovários, podendo levar à infertilidade, dor crônica ou gravidez ectópica.
Vulvovaginite recorrente
Episódios repetidos de infecção, resultando em desconforto persistente, impacto psicossocial e resistência antimicrobiana.
Risco aumentado de ISTs
Inflamação vaginal pode facilitar a transmissão de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis devido à ruptura da barreira mucosa.
Complicações na gravidez
Associada a parto prematuro, ruptura prematura de membranas e infecções neonatais em gestantes.
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Epidemiologia
As infecções vaginais são altamente prevalentes globalmente, afetando principalmente mulheres em idade reprodutiva (15-49 anos). Estima-se que até 75% das mulheres experimentem pelo menos um episódio ao longo da vida. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que infecções vaginais representam uma das principais causas de consulta ginecológica, com variações regionais ligadas a fatores socioeconômicos e acesso a serviços de saúde. Fatores de risco incluem atividade sexual precoce, múltiplos parceiros, uso de duchas vaginais, diabetes e imunossupressão. A vigilância é passiva, com notificação não obrigatória na maioria dos casos, exceto quando associada a surtos ou ISTs notificáveis.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico precoce e tratamento adequado, resultando em resolução dos sintomas em 7-14 dias. No entanto, recorrências são comuns, especialmente se fatores de risco não forem abordados (como higiene inadequada ou parceiros não tratados). Complicações como doença inflamatória pélvica ou infertilidade podem ocorrer em casos não tratados ou mal manejados. O seguimento clínico é recomendado para monitorar a resposta terapêutica e prevenir recidivas, com taxas de cura superiores a 80% quando a terapia é direcionada ao agente etiológico.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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