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CID N70: Salpingite e ooforite

N700
Salpingite e ooforite agudas
N701
Salpingite e ooforite crônicas
N709
Salpingite e ooforite não especificadas

Mais informações sobre o tema:

Definição

Salpingite e ooforite refere-se à inflamação aguda ou crônica das trompas de Falópio (salpingite) e dos ovários (ooforite), frequentemente resultante de infecções ascendentes do trato genital inferior. Esta condição é uma manifestação comum da doença inflamatória pélvica (DIP), com implicações significativas para a saúde reprodutiva feminina, incluindo risco aumentado de infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. A fisiopatologia envolve a disseminação de patógenos, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, através do endocérvix para o endométrio, trompas e ovários, desencadeando uma resposta inflamatoria local que pode levar à formação de abscessos tubo-ovarianos. Epidemiologicamente, é mais prevalente em mulheres sexualmente ativas em idade reprodutiva, com fatores de risco incluindo múltiplos parceiros sexuais, história prévia de DIP e uso inconsistente de preservativos.

Descrição clínica

A salpingite e ooforite caracteriza-se por um espectro de manifestações clínicas que variam de assintomáticas a graves. Os sintomas agudos incluem dor abdominal inferior bilateral, febre, corrimento vaginal purulento, dispareunia e sangramento uterino anormal. Na apresentação crônica, pode haver dor pélvica persistente, irregularidades menstruais e sintomas gastrointestinais inespecíficos. Ao exame físico, observa-se dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização cervical (sinal de Chadwick) e massas anexiais à palpação bimanual. A inflamação pode progredir para abscessos tubo-ovarianos, com potencial para ruptura e peritonite.

Quadro clínico

O quadro clínico varia de leve a grave. Sintomas agudos incluem dor pélvica bilateral, febre (>38,3°C), corrimento vaginal anormal, dispareunia e sangramento intermenstrual. Sinais de irritação peritoneal, como dor à descompressão abdominal, podem estar presentes. Na forma crônica, a dor pélvica é persistente e pode ser cíclica, associada a infertilidade e gravidez ectópica. Exame físico revela dor anexial, massas pélvicas e, em casos complicados, sinais de sepse.

Complicações possíveis

Infertilidade

Resulta de dano tubário e formação de aderências, com risco aumentado após episódios repetidos.

Gravidez ectópica

Obstrução tubária predispõe à implantação ectópica do embrião.

Dor pélvica crônica

Persiste devido a aderências e inflamação residual.

Abscesso tubo-ovariano

Coleção purulenta que pode romper e causar peritonite ou sepse.

Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis

Peri-hepatite associada à DIP, causando dor em hipocôndrio direito.

Epidemiologia

A salpingite e ooforite é uma causa significativa de morbidade em mulheres em idade reprodutiva, com incidência anual estimada em 10-20 casos por 1000 mulheres em países desenvolvidos. No Brasil, a DIP é comum, com altas taxas em adolescentes e jovens adultas. Fatores de risco incluem atividade sexual precoce, múltiplos parceiros e baixo nível socioeconômico.

Prognóstico

O prognóstico depende da precocidade do diagnóstico e tratamento. Com terapia antimicrobiana adequada, a resolução dos sintomas agudos é comum, mas sequelas como infertilidade (15-20% após um episódio, 50% após múltiplos) e dor crônica são frequentes. A detecção precoce e o manejo de parceiros sexuais reduzem recorrências.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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